segunda-feira, 21 de março de 2016

TIQUES: SINTOMAS, CAUSAS E TRATAMENTO




Como podem ser definidos os tiques nervosos?


Os tiques são movimentos rápidos que surgem de forma súbita involuntária e repetidamente, num determinado grupo de músculos, mas também podem ser vocalizações que ocorre sem controlo.

Podemos distinguir dois tipos de tiques, os tiques motores e os tiques fónicos, ou seja, alguns envolvem movimentos corporais e outros emitem sons.

Os tiques motores, podem ocorrer em qualquer parte do corpo, mas na maioria das vezes, são executados pelos músculos da cabeça, dos olhos, da face ou pescoço. Estes movimentos involuntários, são responsáveis por, piscar os olhos, movimentar os ombros, fazer caretas, morder a língua, espasmos musculares, mexer a cabeça, contrair a barriga, mexer no cabelo, fazer gestos com as mãos ou braços, cheirar coisas, entre outros.

Os tiques fónicos ou vocais, tal como o nome indica, provocam sons, tais como, grunhidos, tosse, fazer estalinhos com a língua, gritar, fungar, repetir palavras fora do contexto, emitir um som sem significado, mudar o tom de voz ao falar, assim como podem ser o repetir de palavras imediatamente após ouvi-las ou até incluir palavras insultuosas no discurso, entre outros.

Além da distinção dos tiques, em função do tipo de músculos envolvidos, as perturbações dos tiques podem ser classificadas em três categorias:

I) Tiques vocais ou motores crónicos-Existência de tiques motores ou vocais, com duração superior a 12 meses, frequentemente associada a hiperactividade e a défice de atenção.

II) Tiques transitórios - Existência de tiques motores ou vocais, com duração de pelo menos 4 semanas e não mais de 12 meses consecutivos.

III) Perturbação Gilles de la Tourette – Coexistência de múltiplos tiques motores e pelo menos um vocal, com duração superior a 12 meses e geralmente inicia-se na infância.

A Perturbação Gilles de la Tourette não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento adequado que pode incluir o uso de medicamentos e psicoterapia, permitindo que a pessoa consiga ter uma vida normal.

As pessoas com este tipo de perturbação, podem também apresentar outras dificuldades, tais como, défice de atenção, hiperactividade, problemas de sono ou perturbação obsessivo compulsiva.

Muitos portadores deste tipo de perturbação, desenvolvem comportamentos impulsivos, agressivos e autodestrutivos. As crianças frequentemente apresentam também dificuldades de aprendizagem. A causa destes comportamentos, poderá estar relacionada com a própria perturbação ou com o enorme stress de conviver com a mesma.

Esta perturbação, afeta cerca de 1 em cada 100 crianças. Os tiques e surgem antes dos 18 anos, geralmente começam por volta dos seis anos de idade mas, é ao longo do desenvolvimento da criança que muitas vezes se tornam mais graves. Geralmente, a fase mais complicada é entre os 10 e os 12 anos de idade e normalmente começam a diminuir durante adolescência mas, podem voltar em situações de maior ansiedade e até perdurar para sempre, com fases de remissão de semanas e até anos.

As causas desta perturbação podem ser orgânicas, como resultado de abuso de substâncias, sintomas de abstinência de drogas, traumatismo craniano, predisposição genética, doenças de foro neurológico ou de origem emocional que surgem associados a episódios traumáticos, onde os tiques surgem como forma de aliviar a tensão interior.

Nem sempre as crianças ou até mesmo os adultos têm consciência dos seus tiques, no entanto, ao longo do tempo, acabam por sentir determinado impulso antes do tique e a sensação de alivio após a sua execução. Surgindo assim a necessidade de repetir determinados tiques até sentirem a ansiedade ou tensão a diminuir.

Alguns tipos de tiques podem ser controláveis, por períodos de tempo reduzidos, no entanto, quando pessoa tenta evitá-los, após algum tempo, a sua tensão interior começa a aumentar e, nessa fase tornam-se inevitáveis, fogem ao seu controle e a pessoa acaba por ter de fazê-los, isto ocorre, pela necessidade de reduzir a tensão sentida.

Algumas pessoas até são capazes de suprimir os seus tiques, com maior ou menor dificuldade em alguns contextos, mas para outras torna-se impossível controlá-los sem ajuda, especialmente situações de stress emocional.

A sua duração e frequência é variável, pode ocorrem períodos em que a pessoa quase não tem necessidade de fazê-los, mas existem outras alturas, em que os tiques são totalmente incontroláveis. Não ocorrem durante o sono.

O tipo de tratamento e a duração, depende da gravidade dos
tiques. Um diagnóstico é sempre necessário e importante, tanto para os pais compreenderem a criança, como para aprenderem a lidar melhor com a situação. Evitando assim, que a criança se sinta incompreendida, sofra ainda mais com a sua perturbação e, consequentemente aumente a sua tensão interior e os tiques.

Os tiques causam sempre muito sofrimento à criança, comprometem o seu desempenho escolar e as suas relações interpessoais, sendo fundamental, recorrer a ajuda profissional, para descobrir a sua origem. Alguns tiques podem ser atenuados ou até eliminados, especialmente se estiverem relacionados com situações de cansaço, ansiedade ou stress, impedindo assim, a diminuição da autoestima, autoconfiança da criança ou agravamento dos mesmos.

Algumas sugestões para os pais ajudarem a criança a lidar melhor com os tiques 

1)Não abordar o tema na presença de outras pessoas.
2)Informar a escola da perturbação.
3)Evitar impedir, castigar ou recriminar a criança. A ansiedade só agrava os tiques.
4)Dar-lhe apoio e tranquilizá-la, dizer-lhe que vão procurar ajuda para os seus tiques.
5) Ignorar os tiques. Chamar a atenção da criança, só agrava mais os tiques.
6)Pedir às pessoas à sua volta para não fazerem comentários.
7)Evitar situações e lugares geradores de stress.

Sintomas associados à perturbação Gilles de la Tourette :
  • Obsessões e compulsões;
  • Impulsividade;
  • Ansiedade;
  • Hiperatividade;
  • Problemas de atenção/concentração;
  • Baixa autoestima;
  • Tristeza
  • Inibição social (sente-se frequentemente observado);
  • sentimentos de vergonha e de rejeição pelos pares;
  • Dificuldades de aprendizagem.









          quinta-feira, 17 de março de 2016

          Divórcio dos pais ou divórcio dos filhos?



          São inúmeras as razões que poderão conduzir um casal para uma situação de divórcio e diversas as formas como cada divórcio poderá ser encarado. Cada casal, e cada elemento que o constitui, tem as suas próprias razões e características que influenciarão o decurso e o desfecho de cada processo. Nos casos em que se verifica a presença de filhos é fundamental que os pais tomem consciência de que o divórcio transformará completamente a vida dos mais pequenos.

          Muitos pais têm dificuldade em perceber que a existência de um conflito conjugal não implica que exista também um conflito parental. Em muitos casos, o sofrimento que estão a sentir enquanto casal impede-os de perceber o sofrimento das crianças, quase sempre inevitável. Porém, o modo como as crianças reagem depende da forma como seus pais se comportam, encaram esta mudança e agem.

          A partir do momento em que os pais decidem avançar com o divórcio as crianças deverão ser informadas pelo pai e pela mãe em conjunto, através de uma conversa previamente planeada, calma, aberta à expressão de sentimentos e adaptada ao nível desenvolvimental das crianças, poupando-a de pormenores sobre as causas do divórcio. Este deverá ser um momento de proximidade com os filhos e de demonstração do seu amor incondicional por eles.

          Algumas crianças tendem a culpabilizar-se pela situação, sendo fundamental que os pais lhes assegurem que a responsabilidade não é sua. Além disto, é comum os mais pequenos recearem a perda de um dos progenitores, pelo que estes deverão assegurar a sua presença na sua vida futura.

          Perante esta situação as crianças poderão reagir de diversas formas, dependendo da sua idade. As mais pequenas poderão manifestar irritabilidade, zanga, medo, sintomas físicos (dores da barriga, etc.), tristeza, desejo de reconciliação, sentimentos de culpa, etc., enquanto as mais velhas, nomeadamente a partir do início da adolescência, poderão reagir com sentimentos vergonha, traição, afastamento e tristeza. Todos estes sintomas poderão ser minimizado quanto menor for o envolvimento das crianças no conflito conjugal.

          Um divórcio implica sempre a saída de casa de um dos cônjuges e/ou, em alguns casos, das próprias crianças. Resta-nos questionar se o cônjuge que permite que as crianças saiam de casa ponderou sobre o impacto que esta abrupta alteração de rotina, ambiente e espaço terá no desenvolvimento emocional destas. Durante um processo de divórcio a rotina das crianças deverá ser alterada o mínimo possível, pelo que, na maioria das situações, deverá ser um dos pais a abandonar a casa.

          A saída de casa deverá ser efectuada na ausência dos filhos, evitando que este momento fique para sempre gravado na sua memória. A partir deste momento as crianças passam a ter duas casas. A apresentação da nova casa deverá ser efectuada calmamente, depois de alguma preparação.

          Embora em casas separadas, a presença dos dois pais na vida das crianças é imprescindível, pelo que o contacto e a expressão os seus sentimento pelo progenitor ausente deverá ser respeitada. Aplicar um regime de visitas quinzenal é divorciar os filhos do progenitor que não detém a guarda. As crianças têm o direito de estar várias vezes por semana com ambos os pais, assim como de poder contactar diariamente com o progenitor ausente.

          Muito mais há a dizer sobre as crianças e o divórcio. Certamente voltaremos a aprofundar este assunto em artigos futuros.

          Paulo Coelho - Psicólogo, in "mim – Clínica do Desenvolvimento".

          quinta-feira, 3 de março de 2016

          10 maneiras simples de melhorar a memória!


          É no Sistema Nervoso Central que chegam as informações relacionadas aos sentidos visão, audição, tato e paladar. 
          O cérebro é extremamente importante porque controla as nossas funções vitais e apesar de ser muito estudado ainda não o conhecemos totalmente...apesar das continuas investigações ainda existe muito por descobrir. 
          A memória é que nos dá a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar informações disponíveis, no cérebro. É na memória que é feito o armazenamento de informações, através de experiências vividas ou ouvidas. Neste pequeno artigo, saliento algumas dicas de como poderemos desenvolver a memória. 

          1 - CONFIAR NA SUAS CAPACIDADES DE MEMORIZAÇÃO
          Confiar na nossa capacidade de retenção de informação e não estar constantemente a verificar se fizemos as coisas corretamente. Esta atitude, permite-nos registar as informações de modo mais eficaz e a possuir melhores memórias de determinada situação. 
          2- GESTICULAR

          Fazer gestos no momento em que se está a tentar memorizar algo, ajuda posteriormente as lembranças a ficarem mais nítidas. Quando utilizamos gestos e atos, durante o processo de memorização, a informação fica melhor registada.   

          3- DORMIR
          Dormir bem e fazer períodos de repouso, como uma sesta, após um período longo de estudo de novas matérias, permite um registo mais eficiente das aprendizagens.

          4- FECHAR OS OLHOS

          Fechar os olhos no momento em que se está a tentar memorizar determinada informação, ajuda a reter melhor a mesma.
          5- LER EM VOZ ALTA
          Verbalizar a matéria que deseja fixar, em voz alta, permite-lhe memorizar melhor o conteúdo. A informação é melhor registada, porque a entrada de informação é processada por dois órgãos dos sentidos - visão e audição.   
          6- O PODER DAS EMOÇÕES

          As emoções e as memórias estão interligadas. Quando estiver a tentar fixar algo, se olhar para objetos ou imagens que lhe transmitam estímulos emocionais, a sua memória irá conseguir registar melhor as informações pretendidas. 

          7- DIVERSIFICAR OS INTERESSES
          Ter interesse sobre temas diversificados e desenvolver o seu conhecimento em áreas distintas, é uma ótima forma de desenvolver a memória. Sempre que aprende novos conteúdos, desenvolve a capacidade de reter melhor as informações.   
          8- POSTURA
          Mudar de posição quando se está a estudar uma matéria diferente, ajuda a recordar melhor os conteúdos aprendidos. 
          9- ASSOCIAR IMAGENS MENTAIS
          Relacionar uma nova matéria com determinada imagem ou objecto no momento do estudo, ajuda a fixar melhor essa aprendizagem. 
          10- CIRCUNSTÂNCIAS

          Reconstruir a situação em que se estava, no momento em que não consegue recordar de algo, permite à memória aceder ao contexto, facilitando assim, a sua lembrança. 
          Por Maria Pascoal 

          terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

          Crianças podem ficar sozinhas em casa a partir de que idade?





          Pediatras dizem que antes dos 12 anos é complicado. Outros especialistas preferem não falar de idades.

          Primeiro, o óbvio: uma criança com cinco anos
          não pode ser deixada sozinha em casa. Depois, a pergunta com que muitos pais se vão confrontando à medida que os seus filhos crescem: a partir de quando é que começa a ser seguro para um menor permanecer em casa sem a presença de adultos? Os especialistas preferem não estabelecer uma idade. Mas, enquanto há alguns que acreditam que este tipo de experiência pode iniciar-se, de forma gradual e controlada, a partir de idades mais precoces, há outros que atiram o princípio deste processo de autonomização para mais tarde, os 12 anos.

          A pediatra Maria do Céu Machado não tem dúvidas: antes dos 12 anos, não se deve deixar uma criança sozinha em casa. “Mesmo aos 12 anos, tem de ser um miúdo com maturidade”, enfatiza a ex-Alta Comissária da Saúde que lembra que até há países, como a Holanda, onde este tipo de situação “é razão para retirar as crianças aos pais”. O pediatra Mário Cordeiro, num recente artigo sobre o tema na revista Pais e Filhos, também defende que “idealmente, nenhuma criança ou adolescente com menos de 12-14 anos deveria ficar nesta situação”. Mas a realidade é diferente, concede: “Ficar sozinho em casa é, provavelmente, uma necessidade incontornável para muitas crianças e adolescentes”.


          Uma idade? Para o sociólogo Manuel Sarmento, do Instituto de Educação da Universidade do Minho, esta questão “não é susceptível de ser definida do ponto de vista etário”. Ainda que na realidade haja crianças “entregues a si próprias”, por vezes "aos seis anos", “devemos pensar que estamos a trabalhar num cenário de uma sociedade organizada em que se supõe que existe uma vulnerabilidade na infância que determina a existência de pais, de cuidadores”. De resto, nota, deixar ou não uma criança sozinha em casa “depende da própria criança, do contexto em que está inserida, do seu grau de autonomia”.


          “Não sei se alguém se atreve a definir uma idade. Eu não”, atira Sandra Nascimento, presidente da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI). Lembrando que esta é “uma questão muito complicada, porque depende da criança, da sua experiência e maturidade, da família, do sítio onde vive”, Sandra Nascimento defende mesmo que é “bom que não haja nada escrito, preto no branco, sobre isto”. “Esta pode ser uma armadilha para as crianças e pais”, justifica.


          Para a presidente da APSI, o que é importante é garantir que, antes de ficarem sozinhas em casa, as crianças comecem "a ser preparadas para isso, a ser ensinadas a reconhecer os perigos", a saber o que fazer. “Por exemplo, aos seis, sete anos, gostam de fazer experiências com fósforos. É preciso definir regras, explicar que só o podem fazer na presença dos pais. Este deve ser um processo gradual”, acrecenta.


          “Uma criança com cinco anos, sozinha, num 21.º andar?
          É desesperante!”, começa por observar Helena Cardoso Menezes, ex-presidente da APSI. Esta especialista em saúde pediátrica acredita que será possível avançar com experiências de autonomização “entre os oito e os 12 anos”, mas por períodos curtos e de forma controlada, e sempre tendo em conta que a decisão “depende das circunstâncias, da personalidade da criança, do facto de haver ou não vizinhos avisados”.

          A mais velha de quatro irmãos, de quem começou a tomar conta aos 11 anos, Helena Menezes lembra que há países em que as crianças começam, por exemplo, a ir sozinhas para a escola bem cedo, "aos seis, sete anos", mas "são países em que o planeamento urbano está bem pensado". Actualmente os pais são mais protectores, nota a especialista, que aproveita para alertar para outro tipo de problema: "a falta de autonomia dos miúdos portugueses". “Por vezes são tratados como incapazes”, lamenta.


          De resto, do ponto de vista da legislação nacional, não há qualquer norma que estipule idades a partir das quais as crianças ou jovens podem ou não ser deixadas sozinhas em casa. O que o Código Civil diz é que "o dever de vigilância é uma das responsabilidades parentais" e esta, em teoria, deve ser exercida até à maioridade, explica Cristina Dias, da Escola de Direito da Universidade do Minho. Mas aqui há, nota, "o princípio de bom senso". “Só os pais podem aferir o grau de maturidade da criança e jovem”, frisa.


          O psicólogo forense Carlos Poiares também destaca o dever de vigilância previsto no Código Civil e nota igualmente que a decisão sobre a idade a partir da qual se pode deixar sózinho em casa um menor é “uma questão de bom senso”.


          Por Alexandra Campos, in Publico


          quarta-feira, 11 de novembro de 2015

          Castigos sim ou não?


          Parece fácil dizê-lo, mas difícil fazê-lo. Estamos a falar de disciplinar uma criança, de conseguir que ela cumpra as regras e respeite os limites. Porque, na verdade, é simples definir que a hora de deitar é às nove da noite. E que, depois de deitar, se lê uma história, mas apenas uma. E que, a seguir a ler a história, se dá um beijinho e apaga a luz. O complicado é fazer com que esta regra seja cumprida, noite após noite, sem tentativas - cada vez mais sofisticadas - de esticar a corda. Só mais um bocadinho que o programa de televisão está a ser tão divertido! Só mais uma história que esta foi tão pequenina! Só mais um beijinho que ainda não tenho sono!

          Pois é, não é mesmo nada fácil fazê-lo. Primeiro, por causa daquele charme que os mais novos sabem utilizar tão bem: vá lá, só mais um bocadinho... Segundo, porque quando a estratégia do charme não resulta, existe uma forte probabilidade de declaração de guerra: não vou para a cama e, pronto, acabou-se! Terceiro, porque os pais, por vezes, também vacilam, perante uma destas duas estratégias. Se estão particularmente bem-dispostos, podem ceder ao pedido do “só mais um bocadinho...” E, se estão especialmente cansados, podem ser vencidos pelas armas dos pequenos guerreiros, ou seja, pela estratégia altamente dissuasora da birra.

          Naquela noite em particular, pode ser mais fácil ceder às estratégias de charme ou à declaração de guerra. Evita-se o desgaste das lágrimas e a canseira dos gritos. Mas essa noção de facilidade é uma ilusão. Porque, na noite seguinte, fortalecidos pela vitória do dia anterior, os pequenos estrategos voltam à carga. E, quanto mais vezes vencerem a batalha, mais fácil se torna ganharem a guerra, ou seja, passarem a ir para a cama à hora que muito bem entendem, após uma extenuante sessão de berraria com o volume no máximo.

          Por isso, pode ser mais difícil manter a regra do que ceder. Mas só é mais difícil a curto prazo. Porque, a longo prazo, vai tornar tudo incomparavelmente mais fácil. Para que tudo fique bem claro, existe a regra, por um lado. E as exceções, por outro. As exceções podem ter a ver com um dia festivo e são explicadas e consentidas como tal: como exceções. Porque, nos outros dias, a regra mantém-se. E é para se cumprir. Caso contrário, o que devem os pais fazer? Será que devem castigar os filhos?

          O papel de modelação dos pais

          Se fazer cumprir regras e respeitar limites se afigura, muitas vezes, tarefa difícil, não é apenas porque as crianças insistam em desobedecer, colocando à prova a paciência dos pais. O que torna esta questão das regras e dos limites mais complexa é o facto de não bastar dizer à criança para fazer o que eu digo - é fundamental motivá-la para fazer o que eu faço.

          Estamos a falar do papel de modelação dos pais, que assenta essencialmente na força do exemplo. Na verdade, se os pais querem que a criança cumpra as regras estipuladas, têm, antes de tudo o mais, de se dar como exemplo. A criança está atenta a todos os gestos e capta todas as mensagens, sejam elas verbais ou não verbais. Repara na forma como os pais agem com ela, mas também no modo como se relacionam um com o outro e com as outras pessoas. Mais do que às suas palavras, vai estar atenta à forma como se comportam. E é a partir das atitudes que observa que vai modelar o seu comportamento. “A criança precisa de aprender a modelar as suas atitudes a partir da forma como os adultos se acalmam, controlam a situação e procuram uma solução”, clarifica o pediatra T. Berry Brazelton, no livro “A Criança e a Disciplina”, editado pela Presença. Para que aprenda a gerir as suas emoções e a controlar os seus impulsos, necessita de “um modelo de autodisciplina dos pais”.

          É por esse motivo que pais que um dia dizem que sim e no outro que não, perante a mesma situação, são altamente desconcertantes para os filhos. “Há pais que quando o dia lhes corre mal no emprego descarregam sobre a criança, não a deixando fazer nada, e quando o dia lhes corre bem a deixam fazer tudo”, constata Luísa Rocha, pediatra do desenvolvimento no Hospital Cuf Descobertas. Na sua opinião, “os pais incoerentes são os que deixam as crianças mais desorganizadas. Nestas famílias, não existe previsibilidade em relação a nenhum comportamento”.

          Parece uma relação simples de causa-efeito mas, até agora, nunca tinha sido feita uma investigação alargada sobre a influência que a publicidade televisiva e os brindes dados pelas marcas têm na apetência das crianças pela comida fast food. A pesquisa, assinada por uma equipa da Universidade de Dartmouth (EUA), focou a análise em anúncios das duas empresas de hambúrgueres que mais investem em publicidade em canais televisivos infantis.

          O estudo, publicado no “Journal of Pediatrics”, garante que os anúncios comerciais de fast food que exibem a entrega de brinquedos aumentam o desejo das crianças de ir a este tipo de restaurantes. Além disso, quanto mais elas assistem a estes espaços televisivos, maior a quantidade de alimentos ingeridos.

          No início deste ano, a Unidade para Avaliação de Publicidade Infantil dos EUA repreendeu uma das principais marcas de hambúrgueres por veicular um anúncio televisivo ao seu menu infantil com algumas das mais populares personagens de animação dos nossos dias. Em resposta, a empresa decidiu retirar o anúncio do ar.

          Elsa de Barros, in Pais&Filhos
           

          terça-feira, 20 de outubro de 2015

          Frases que deve dizer para promover amor-próprio e autoconfiança



          É importante falar com a criança de forma assertiva, por forma a reforçar a confiança em si mesma, ajudar a desenvolver amor próprio, elogiar o esforço e não se fixar só nos resultados. Educar é ajudar a criança a crescer melhor!   


                Verbalizar o que vê:
          ·         Uau, que quarto arrumado e limpo!
          ·         Boa, fizeste a cama!
          ·         Estou a ver que arrumaste os livros todos!
          ·         Boa, escolheste a roupa e vestiste-te sozinho!
          ·         Estou a ver que estás a gostar muito de desenhar!
          ·         Estás a pintar com cores mais vivas!

                Descrever o que sente:
          ·         Gosto muito de estar contigo
          ·         Fico muito feliz por estar em casa contigo
          ·         Sinto-me muito bem quando me ajudas
          ·         Gosto de te ouvir dizer isso
          ·         Gosto muito que estejas aqui!
          ·         Nós somos uma equipa

                Mostrar-lhe confiança:
          ·         Confio em ti
          ·         Acredito em ti
          ·         Respeito a tua decisão
          ·         Não é fácil, mas sei que vais conseguir
          ·         Estás a fazer o correto
          ·         Percebes bem as coisas
          ·         Como é que conseguiste?
          ·         Ensina-me a fazer isso!
          ·         Estás a fazer melhor do que antes, continua que vais melhorar ainda mais.

                Reconhecer o esforço ou sofrimento:
          ·         Trabalhaste muito para o conseguir
          ·         Estás a empenhar-te muito, continua...
          ·         Posso imaginar o tempo essa tarefa demorou
          ·         Fico orgulhoso por ver o teu esforço, é assim mesmo!
          ·         Continua a empenhar-te dessa forma, vais ver que as coisas assim correm melhor
          ·         Deves ter usado um bom plano para obteres esses resultados
          ·         Os teus esforços serão compensadores, vais obter bons resultados, parabéns!

                Agradecer a ajuda:
          ·         Obrigada pela tua ajuda
          ·         Obrigada por compreenderes
          ·         Isso ajuda-me muito, agradeço-te
          ·         És um excelente ajudante
          ·         Graças a ti, consegui terminar a tarefa mais depressa
          ·         Graças à tua ajuda temos esta tarefa feita
          ·         Como me ajudaste as coisas agora estão melhor

                Ajudar a avaliar os resultados, tenha em consideração a sua opinião:
          ·         O que é que te parece?
          ·         O que pensas sobre isto?
          ·         Gostas de ver como ficou?
          ·         Achas que agora correu melhor do que da outra vez?
          ·         O que é que mais gostas nisto?
          ·         O que pensas que podias ter feito para melhorar?

                Agradecer o tempo que estão juntos:
          ·         Gosto muito de estar contigo
          ·         Obrigada por estares aqui comigo
          ·         Estou muito feliz por te ter aqui
          ·         Sinto-me muito bem contigo
          ·         Estou desejosa por retomarmos o jogo amanhã
          ·         És uma pessoa muito especial
          ·         És muito importante para mim


          Texto da Psicóloga infantil e familiar Ekaterina Kes , adaptado por Maria Pascoal 


          terça-feira, 13 de outubro de 2015

          1 em cada 5 jovens acorda à noite para consultar as redes sociais



          Um estudo britânico revela que um em cada cinco jovens entre os 12 e os 15 anos acorda durante a noite para consultarem as suas contas nas redes sociais. Os especialistas estão preocupados com o efeito que este comportamento pode ter na sua saúde e aprendizagem
          Os investigadores do Wales Institute of Social and Economic Research ouviram 412 alunos do 8.º ano, com 12 e 13 anos, e 436 do 10.º ano com 14 e 15 de uma escola secundária do País de Gales.

          Questionados sobre quantas vezes acordavam durante a noite para escreveram comentários ou verem as redes sociais, como o Facebook ou o Twitter, cerca de 22% dos alunos do 8.º ano e 23% do 10.º ano responderam "quase sempre".

          No primeiro grupo, 14% disse que o fazia pelo menos uma vez por semana e no segundo a percentagem foi de 15%. A pesquisa revela ainda que 32% dos alunos mais novos e 39% dos mais velhos, que acordam durante a noite com mais frequência, vão cansados para a escola "quase sempre".

          Por outro lado, os investigadores chegaram à conclusão que uma parte significativa destes jovens se deita muito tarde. Pela meia-noite ou até depois dessa hora durante a semana.Kimberly Horton, um dos responsáveis pelo estudo, citado pelo jornal britânico "The Telegraph", sublinhou a importância de se desencorajar os jovens e evitar que estes consultem as redes sociais durante a noite.

          "Aumentar o tempo de sono não compensa o dano que a interrupção noturna pode causar", disse, alertando para o efeito que este comportamento pode causar no desenvolvimento dos jovens.
          Artigo publicado no Jornal de Noticias 16-09-2015

          quarta-feira, 7 de outubro de 2015

          Fobia Escolar



          O novo ano lectivo já começou, mas nem sempre é fácil para algumas crianças a adaptação à vida escolar! 

          Se para algumas crianças o voltar à escola é mais ou menos pacífico, apesar de alguma ansiedade, existem outras que se recusam totalmente a ir para a escola, provocando-lhes elevados níveis de ansiedade, é quando isso acontece que estamos perante um caso de  Fobia Escolar. 

          A Fobia Escolar caracteriza-se pelo medo exagerado que a criança sente quando tem de ir para a escola, o que é diferente da ansiedade da criança quando regressa à escola depois das férias, e que vai diminuindo após algum tempo. 



          A fobia escolar pode surgir em qualquer idade, apesar de ser mais frequente em crianças entre os 3 e os 10 anos, podem surgir mais tardiamente. Pode ser desencadeada pelo receio do desconhecido, medo de mudanças ou ter dificuldade em se separar dos pais.

          As queixas mais frequentes são:
          -Dores de barriga; 
          -Dor de cabeça; 
          -Tonturas;
          -Má disposição; 
          -Falta de apetite;
          -Receio de ficar sozinha. 


          Estas queixas são mais intensas, especialmente no dia em que precisam de ir à escola. Antecedidas quase sempre de dificuldades em dormir, na noite anterior.   
          Estes sintomas psicossomáticos são provocados pela elevada ansiedade incontrolável. 

          Causas frequentes da fobia escolar:
          - Mudança de escola ou de turma;
          - Novos professores;
          - Assistir a agressões entre colegas;
          - A criança ser vítima de bullying;
          - Alterações familiares (morte de um ente querido ou divórcio dos pais);
          - Regras rígidas na escola;
          - Ansiedade dos pais na separação dos filhos. 

          No caso da criança manifestar recusa em ir à escola, mais de um mês e os pais percebam que apesar de todas as tentativas de incentivo, nada parece resultar, é necessário procurar ajuda de um psicólogo experiente nesse tipo de perturbações, por forma a não comprometer o  seu desempenho escolar. 


          A Fobia escolar é uma perturbaçao da ansiedade que pode ser ultrapassada com ajuda, evitando muito sofrimento à criança. Neste processo além da ajuda do psicólogo, é necessário existir envolvimento, dos pais e da escola.


          * Ver artigo*
          15 Sugestões para diminuir a ansiedade do regresso à escola 


          Maria Pascoal