sexta-feira, 3 de julho de 2015

Como sofrem crianças com o divórcio segundo a idade


Enfrenta uma separação ou um divórcio e tem filhos? Uma psicóloga espanhola explica-lhe como deve reagir para que o seu filho não seja a principal vítima da sua decisão.

As crianças sentem a separação dos pais de forma diferente consoante a sua idade

Em cada 100 casamentos, há 70 divórcios. Os números correspondem a 2013, mas refletem uma tendência em Portugal nos últimos anos, segundo o Pordata. Apesar de a decisão do casal em separar-se ser, normalmente, refletida, há sempre transtornos. Mais ainda quando há filhos. E por mais que os pais tentem que a sua decisão não se reflita no bem-estar das crianças, os filhos acabam por ser as principais vítimas da decisão dos pais. Mas cada idade sente esse corte de uma forma diferente.
Uma psicóloga espanhola, segundo o ABC, escreveu um livro onde tenta ajudar os pais que se estão a separar a agir de acordo com a idade dos seus filhos nesta fase tão difícil. O livro chama-se “Divórcio: como ajudarmos os nossos filhos? ” e é assinado por Cristina Noriega.

Até aos dois anos

A relação de confiança entre o bebé e os pais começa logo no dia do nascimento. Primeiro com a mãe, porque é ela a principal cuidadora uma vez que o amamenta e, pouco a pouco, com o pai e os restantes elementos da família. Pode, até, pensar-se que uma criança de dois anos não sente a separação dos pais. Mas sente. Segundo Cristina Noriega, apesar destas crianças não entenderem o que é um divórcio e o que isso representa, elas vão sentir a ausência do pai ou da mãe. E qualquer mudança no seu ambiente e na sua rotina poderá criar-lhes alguma angústia e refletir-se no humor, no sono e no apetite. A criança pode mesmo sentir que o pai ou a mãe, com quem deixará de estar com mais frequência, a abandonou.
Conselho: É fundamental que a criança tenha contacto habitual com os progenitores. É fundamental que se mantenha confiante e que mantenha o mais possível a sua rotina diária.

Dos dois aos três anos

Falar, andar ou largar as fraldas são as duas grandes lutas de uma criança nesta faixa etária. Quando os pais de uma criança entre os dois e três anos decidem separar-se, estas pequenas conquistas podem sofrer alterações ou, mesmo, regressões. A tristeza de não ter os dois pais juntos como habitualmente pode manifestar-se em dificuldades motoras, na fala ou mesmo na necessidade de controlar-se para ir à casa de banho.
Conselho: Mostrar-se ao filho o que se quer e permitir o contacto com ambos os pais. Os pais devem também estabelecer limites, porque é possível que os filhos desta idade entrem em negação constante. Através de atividades, como jogos, também é possível perceber o que eles estão a sentir. Caso existam comportamentos regressivos na criança, como chupar no dedo ou não controlar a urina e as fezes, é importante que deixe que o seu próprio filho ganhe autonomia por si. Não o repreenda. Dê-lhe tempo para se controlar sozinho.

Dos três aos cinco anos

Muitas perguntas. Nesta idade, as crianças colocam muitas questões, têm uma imaginação enorme, contam muitas histórias. São também muito egocêntricas e tudo o que acontece à sua volta acham que tem uma ligação direta com elas próprias. Assim, se os pais se separam, estas crianças pensam que foi porque se portaram mal.
Por outro lado, esta é também uma etapa de grandes medos. É nesta altura que se desenvolve o complexo de Édipo, que segundo Freud faz com que os meninos ou as meninas desenvolvam alguns sentimentos mais possessivos em relação ao pai ou à mãe.
Conselho: Corrigir possíveis interpretações erradas sobre o que é o divórcio. E insistir que a culpa não é da criança e que nem a mãe nem o pai os vão abandonar.

Dos seis aos doze anos

Nesta fase as crianças estão mais concentradas na escola e na sua aprendizagem. Ao nível emocional deixam de ser tão egocêntricas e começam a ser mais sensíveis às suas e às emoções dos outros. Também têm uma maior capacidade para entender o que é o divórcio, embora não saibam expressá-lo. Ainda assim, acreditam sempre que os pais vão reconciliar-se e quando veem as suas expectativas saírem frustradas ficam tristes. Podem mesmo ter pesadelos e sentimentos de abandono.
Conselho: É importante manter contacto com a escola para informar da situação. Manter-se atento à evolução na aprendizagem escolar. Mais:  dizer aos seu filhos que os pais não os vão abandonar, mas também deixar claro que não ficarão juntos.

Adolescentes

Esta fase é complicada porque é a altura em que o jovem estrutura a sua própria identidade. Um divórcio nesta fase complica a construção da identidade do adolescente pelo que ele precisa sentir muita segurança. Os pais devem manter-se ao lado dos filhos e mostrar-lhes que há limites. Se o adolescente não se sentir seguro em casa, sentirá medo e insegurança. E há quem procure essa segurança em grupos com dependências. Muitos podem encontrar formas de exprimir a sua revolta através de distúrbios alimentares, consumo de substâncias, comportamentos sexuais de risco… Também é frequente que tenham comportamentos para forçarem que os seus pais se juntem e os protejam, como dores de cabeça ou de barriga.
Conselho: Explicar abertamente em que consiste o divórcio e implicar o filho em decisões como a da custódia partilhada. É preciso estar atento ao seu comportamento na escola, às notas, porque na maior parte das vezes é aqui que se sentem as consequência de um divórcio. Atenção, é importante não converter o filho num parceiro, num pai ou num confidente.

Por  in Observador.pt

segunda-feira, 22 de junho de 2015

7 alternativas às palmadas nas crianças

Chiappaintta



Disciplinar uma criança não é tarefa fácil, principalmente quando passam por fases de independência e desobediência total. No entanto, recorrer à violência – mesmo que sejam umas palmadas leves – é apenas uma solução temporária para a indisciplina, pode incitar à agressividade nas próprias crianças, criar um clima de medo em casa e até piorar a situação. A cultura da disciplina positiva propõe várias alternativas às palmadas, tão ou mais eficientes, mas com resultados a longo prazo.

1. Pausa para a criança. Uma pausa ou “time out” consiste em colocar a criança “de castigo” num espaço predefinido para esse efeito onde permanece o tempo suficiente para se acalmar ou perceber que se portou mal. Pode ser numa esquina, ao fundo das escadas ou numa cadeira específica e geralmente equivale-se o número de minutos dessa pausa à idade da criança. Por vezes, o simples facto de alertar a criança que irá para a zona de pausa caso continue a portar-se mal é o suficiente para que ela mude de atitude.

2. Pausa para o adulto. Muitas vezes, uma criança leva uma palmada simplesmente porque a mãe ou o pai já não consegue ouvi-la a brigar com os irmãos, já não suporta a confusão de brinquedos que agora não quer arrumar oua birra que parece não ter fim. Antes de levantar a mão numa situação como esta, respire fundo, diga à criança que se vai retirar durante alguns minutos e que quando chegar vão falar sobre o sucedido. Depois faça-o. Esta é uma maneira de aprender a ser um pai mais paciente e calmo – algo que vai acabar por se refletir nas crianças.

3. Comunicação constante. Falar é sempre uma alternativa melhor ao bater, porque quando existem palmadas a criança nem sempre percebe o porquê – só sabe que não quer voltar a levá-las. Em vez disso, opte por falar calmamente com a criança, explicando-lhe o que fez mal e qual a melhor forma de proceder, usando sempre linguagem e exemplos apropriados à sua idade. Pode ser algo tão simples como: “fico triste quando vejo que deixaste os livros todos espalhados no chão, da próximo vez gostava que os arrumasses todos no seu lugar”.

4. Apresente alternativas. Em vez de partir de imediato para as palmadas, respire fundo, enfrente a criança e apresente-lhe duas alternativas: “queres parar de gritar com o teu irmão ou ir brincar sozinha para o teu quarto?”. Esta é uma excelente forma não só de ensinar a criança a fazer boas escolhas, como torná-la mais obediente, menos indisciplinada.

5. Perda de privilégios. Outra alternativa às palmadas pode passar pela perda de privilégios, ou seja, se a criança portou-se mal não terá direito a uma história antes de se deitar ou passará dois dias sem o seu brinquedo preferido. Este tipo de castigo mostra às crianças que existem consequências reais para os seus atos desafiadores.

6. Elogios em vez de críticas. As crianças aprendem melhor o que é portarem-se bem através dos elogios, ao invés das críticas e das palmadas quando se portam mal. Ao destacar o bom comportamento da pequenada com palavras positivas, parabéns e mimos, irá motivá-la a manter essas condutas, sendo esta uma forma saudável e não-violenta de estabelecer, a longo prazo, o tipo de comportamentos que gostaria que a criança adotasse sempre.

7. Disciplina positiva. Quando toca a disciplinar as crianças é natural que utilizemos mais a palavra “não” do que “sim” e quando elas desobedecem – que é o mais certo quando são negadas alguma coisa – respondemos com palmadas. Em vez disso, experimente formular os seus pedidos de forma positiva, ou seja, em vez de dizer “não podes ver o teu DVD enquanto não arrumares os brinquedos todos” diga “claro que podes ver o teu DVD, mas primeiro tens de arrumar os brinquedos”. E mais importante do que isso, é não recuar ou voltar atrás – as crianças precisam de compreender que existem consequências para todos os seus comportamentos – bons e maus – e essa disciplina pode ser perfeitamente conseguida sem recurso à violência.

texto publicado no do site http://pequenada.com

terça-feira, 16 de junho de 2015

Bullying: É preciso agir!

Bullying: “A denúncia é essencial”

Resolver situações de bullying requer pais observadores, testemunhas que denunciem e professores prontos a agir, dizem os especialistas.



Qualquer criança ou jovem, seja qual for a idade, pode ser vítima de agressões verbais ou físicas de forma continuada. A isto chama-se bullying. Uma realidade que preocupa pais e professores. O EDUCARE.PT reuniu algumas orientações que podem ajudar a lidar com este problema. 

Luis Fernandes, psicólogo escolar e autor do livro Plano Bullying, lembra que a idade em que é mais provável acontecer o bullying é por volta dos 13 anos. Infelizmente para muitos pais, “coincide com a adolescência, a fase em que as crianças se fecham mais”, constata. O que dificulta ainda mais a tarefa dos pais quando suspeitam que algo de errado se passa. É preciso haver “à vontade” para ter aquela conversa onde se vão querer todas as respostas. 

Porém, a urgência de saber o que se passa não deve precipitar os pais para um interrogatório. “O ambiente deve ser tranquilo, não ser de crítica e proporcionar espaço para escutar o filho”, adverte o psicólogo. Partilhar com os pais os incidentes de que é alvo não é fácil para a criança. Vários estudos revelam que mais de 60% das vítimas de bullying não contam aos pais nem aos amigos o que se está a passar. 

Mas entre o agressor e a vítima existem, na maior parte dos casos, as testemunhas. Crianças ou jovens que são espectadores e receiam envolver-se ou que constituem os “companheiros de crime” do agressor. “A denúncia é essencial”, concorda Luis Fernandes, porque nem sempre as vítimas apresentam sinais que falem por si. 

Os alertas surgem quando um bom aluno começa a baixar as notas, começa a não usar o telemóvel ou a Internet, ou se desliga da realidade e da família. Luís Fernandes aconselha os pais a estarem atentos a “mudanças repentinas”, mas adverte: “Sem denúncia é muito complicado ter conhecimento do que se passa na escola.” 

Bárbara Wong, autora do guia de relacionamento dos pais com a escola, O Meu Filho Fez o Quê?, aconselha observação redobrada, pois perguntar nem sempre é suficiente para obter respostas. “Os pais devem estar muito atentos.” Para perceber se o filho anda sozinho ou em grupo. “Se for um miúdo isolado é alvo mais fácil de bullying.” Podem também sugerir ao filho que convide os amigos para estudar em sua casa. “São coisas que acabam por ser muito simples, mas permitem aos pais compreender mais do que se passa na escola.”   
Investigações feitas nesta área estimam que 70% do bullying acontece no recreio. Longe do olhar dos pais e professores, mas à vista dos funcionários da escola. “Por isso, muito do trabalho dos psicólogos escolares é dar competências aos funcionários para poderem olhar de uma forma mais atenta”, diz Luis Fernandes. Para perceber que “naquele grupo de miúdos onde parece que andam todos às lutas, há um que todos os dias bate noutro”.

Por outro lado, 30% do bullying acontece durante o tempo letivo. “A gestão da sala de aula é cada vez mais complicada”, diz o psicólogo escolar. “Basta um papelinho que circula despercebido ao professor e ninguém sabe o que se vai passar no intervalo.” Para Luis Fernandes, sensibilizar é a palavra de ordem. Elaborar materiais, cartazes com frases alusivas ao problema afixados no estabelecimento de ensino e fazer sessões de esclarecimento são algumas das estratégias possíveis para o conseguir. “É preciso trabalhar o bullying em meio escolar de forma a torná-lo mais evidente, mais visível a todos os alunos que fazem parte da escola”, conclui.  

Allan L. Beane, especialista norte-americano na área do bullying, argumenta no seu livro A Sala de Aula Sem Bullying que o professor pode vencer o bully se conseguir mobilizar os restantes alunos da turma a intervir em situações onde qualquer colega esteja em perigo. 
A turma pode ajudar o professor a tomar consciência sobre situações que ocorram no recreio ou fora da escola. Através de um inquérito anónimo, onde pede aos alunos que contem experiências onde as palavras ou o comportamento de algum colega os tenham magoado. Mas é importante garantir que as descrições não apontam nomes, alerta o autor. 

Além desta recolha de testemunhos, o professor pode usar entrevistas pessoais aos alunos ou a pequenos grupos. Seja qual for a opção, todo o inquérito deve ser antecedido de uma breve explicação sobre o que é o bullying. Os alunos devem ser encorajados a denunciar ao professor qualquer situação que observem, defende Allan L. Beane. 

Quando falta o à vontade para o aluno falar diretamente, depois das aulas e em privado com o adulto, é preciso criar outras estratégias. Allan L. Beane sugere o uso de uma caixa de bilhetes para o professor. Assim que receba a denúncia o professor deve atuar. Para mostrar aos alunos que a confiança depositada nele é merecida. Isto implica comunicar qualquer incidente ao diretor de turma e estar preparado para o que se segue.

Em casos extremos o professor deve também reportar o caso à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco ou às autoridades. Mediante a gravidade dos casos, Bárbara Wong lembra que “os professores devem recorrer à polícia, sobretudo quando existe o programa Escola Segura e os agentes trabalham com as escolas”. E apela a que ninguém tenha medo de se envolver em denúncias. Até porque “tanto é agressor o que bate como o que assiste”, conclui.

Andreia Lobo, in educare.pt

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A causa dos ciumes entre irmãos


O que sente uma criança quando nasce um irmão? O que acontece com a chegada de um bebé a casa? Quais os seus conflitos internos?  Como entender porque surgem e perceber melhor os ciúmes?

O que causa ciúmes numa criança é o ter de partilhar a atenção, o amor e a exclusividade dos pais com outra criança. Quem se sente bem quando tem de partilhar a pessoa que ama? Penso que ninguém se sente confortável numa situação similar. Imagine o que sentia se o seu parceiro/a decidisse partilhá-la com outra pessoa? Este exemplo torna mais fácil compreender como se sente uma criança quando nasce um irmão.

Ao sentir que o amor dos pais não é só para si, inicialmente a criança pode começar  ter alguns comportamentos diferentes ou algumas atitudes inesperadas, geralmente a sua causa está relacionada com o receio de imaginar que os pais podem gostar mais do irmão do que de si e também pelo receio de perderem o seu lugar na família. Mas, se os pais não descurarem o afeto e a atenção dada à criança na altura em que nasce irmão, esses receios tendem a diminuir. 

Existir alguma rivalidade ou competição na relação entre os irmãos, é considerada normal, se também existirem entre eles momentos de brincadeira e até alguma cumplicidade. O motivo da rivalidade, nem sempre é consciente, é originada, pelo desejo da criança ter a atenção só para si e pela sensação de ameaça, por recear perder o amor dos pais. Esses sentimentos e receios  tendem a diminuir. A criança acaba por perceber que os pais a amam da mesma forma e que o irmão tem o mesmo espaço no coração dos pais e que o seu lugar não ficou ocupado após o nascimento.    

A chegada de um novo irmão além de acentuar a rivalidade, também provoca sentimentos ambivalentes, de amor e ódio. Por um lado, gosta do irmão que nasce, mas no seu inconsciente existe sempre algum receio de perder o amor dos pais. Perante esse dilema, vai percebendo que quando tem comportamentos adequados ou mostra que gosta do novo elemento familiar tem atenção pela positiva e sente-se amado pelos pais, contribuindo assim para atenuar a necessidade de competição.

Esta ambivalência de sentimentos, provoca na criança alguns conflitos internos e, muitas vezes a única forma de os conseguir exteriorizar é através de comportamentos agressivos para com o irmão. Ao mesmo tempo, quando tem esse tipo de comportamentos, surgem sentimentos de culpa que contribuem para o aumento do seu mal-estar. 


Muitos dos sentimentos da criança, nomeadamente o tipo de relação que desenvolveu com os pais e irmãos, fica registada nas suas memórias e ao longo do seu crescimento. Todos os sentimentos e experiências passadas, influenciam a sua personalidade, a forma de estar e de sentir e também os seus relacionamentos interpessoais. 

As atitudes na relação com os outros, são motivadas pela sua necessidade de compensar algo que se experimentou no passado ou impulsionadas pelo desejo de reparar algo que não se conseguiu ultrapassar durante a infância.

Pelas diversas razões abordadas é necessário estar especialmente atento ao comportamento da criança, não só quando nasce um irmão, mas durante toda a infância, por ser uma das fases que mais influenciará o seu desenvolvimento e pelas feridas emocionais que podem condicionar todo o equilíbrio emocional, tanto no momento presente, como durante a sua vida futura.      


terça-feira, 26 de maio de 2015

5 das Profissões mais procuradas



Engenharia tecnológica, ciências económicas, operações e logística, comercial, automação, marketing e comunicação de informação, são as cinco áreas mais promissoras em termos de emprego, em Portugal. Segundo um inquérito feito a 47 empresas do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD Portugal), com o objetivo de conseguir adequar os perfis pretendidos pelas empresas à formação escolar, os currículos dos alunos são desajustados, os estudantes do 12.º estão pouco preparados para entrar no mercado de trabalho e não existem profissionais suficientes em qualquer destas áreas para o período entre 2017-2020.

O núcleo de empresas consultado no inquérito, que é apresentado esta segunda-feira, dá um indicador prometedor: entre 2017 e 2020, estas 47 empresas esperam criar 7.500 a 11.200 postos de trabalho. Mas o tom de preocupação com o desfazamento das necessidades empresariais face aos currículos e ofertas vocacionais é grande. A prioridade, segundo referiram as empresas consultadas, é adequar o ensino profissional – do 10.º ao 12.º ano – às necessidades práticas de recrutamento, uma vez que 80% das empresas inquiridas perceciona os candidatos do 12.º ano como “pouco preparados”, enquanto 30% melhora essa perceção em relação ao ensino superior.

ALUNOS MAL PREPARADOS

As empresas consideram que os alunos que acabam o ensino secundário ou superior não estão bem preparados para as necessidades das empresas.

80%
considera que os alunos de 12º ano não estão bem preparados
70%
considera que os currículos do 12º ano estão desajustados
30%
considera que o os candidatos do ensino superior estão pouco preparados
20%
considera que o conhecimento no final do curso superior é desajustado
O Ministério da Educação e Ciência e o BCSD Portugal assinaram um protocolo que prevê um maior envolvimento do conselho empresarial no desenho curricular dos cursos do ensino vocacional e na formação em contexto de trabalho.

Fonte: Competências críticas do capital humano até 2020/BCSD Portugal

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Como ajudar no sucesso escolar?



Sente que o seu filho está desmotivado ou os resultados das suas avaliações estão a baixar ou esforça-se, mas não consegue ter boas notas?

Existem algumas directrizes para o ajudar a perceber, como pode ajudá-lo e a entender melhor o que está algumas vezes camuflado atrás dessas dificuldades. Em muitos casos, a dificuldade em ter melhores resultados, pode não estar diretamente relacionada com as suas competências cognitivas, sendo necessário, por esse motivo que os pais estejam atentos aos sinais causadores deste inesperado desempenho escolar.

As emoções influenciam e muito a disponibilidade para a aprendizagem, se a criança está a passar por alguma dificuldade emocional, como por exemplo, no seu relacionamento com alguns colegas ou estiver preocupado com alguma mudança ou conflito, essas mesmas preocupações, terão grande impacto na sua disponibilidade e motivação para o estudo, aumentando também, a sua dificuldade em estar concentrado nos momentos em que está a estudar.
Qual o motivo  disso acontecer? Nesses momentos, mesmo que a criança ou jovem, sinta que precisa de estudar, não consegue concentrar-se, apesar de tentar e de se esforçar. Quando isso ocorre poderá estar a acontecer o seguinte, existir algum tipo de interferência das emoções no seu pensamento, ou seja, as emoções estão a impedir ou a dificultar o funcionamento do hemisfério esquerdo (responsável pela aprendizagem), porque o hemisfério direito (responsável pelas emoções), está com um nível de actividade elevada. Assim sendo, a única maneira de evitar que isso ocorra, é identificar e perceber, o que está a preocupar a criança, por forma a ajudá-la a ultrapassar as suas dificuldades emocionais.

Causas possíveis:

Mudanças familiares – As alterações nas rotinas familiares podem influenciar muito a sua disponibilidade para a aprendizagem. Exemplos disso podem ser, a separação dos pais, o nascimento de um irmão, a morte de um familiar, mudança de escola. As dificuldades que a criança sente, manifestam-se muitas vezes por queixas de índole física, tais como, elevada ansiedade, irritabilidade, pesadelos, medos, dores de barriga. É necessário sempre que possível preparar a criança, com alguma antecedência para qualquer tipo mudança.

Insucesso escolar – Estuda e esforça-se, mas os resultados das avaliações não são positivos ou não são os esperados. As dificuldades de aprendizagem podem ter diversas razões, ansiedade nos testes, falta de método de estudo, dormir pouco ou porque as suas emoções podem estar a impedir, a suposta disponibilidade esperada para a aprendizagem. Pode acontecer se a criança estiver a sentir algum tipo de frustração emocional e não esteja a conseguir superá-la, assim como pode ser, a própria escola a não ter os meios necessários ou os mais adequados, por forma a ajudá-la a lidar com as dificuldades.
É extremamente importante, ajudar a criança a desenvolver mecanismos que lhe permitam controlar melhor as emoções e consequentemente a ter melhor desempenho escolar, mas nem sempre as escolas estão preparadas para ajudar alguns alunos que apresentem características diferentes do normal. E, também o numero elevado de alunos por sala de aula, não permite que exista um acompanhamento mais individualizado dessas mesmas crianças.  

Recusa em querer ir para a escola – Se esta situação for frequente, pode estar relacionada com sentimentos de insegurança, medo de separação ou existir alguma situação de bullying. É sempre importante perceber bem, o porquê destes seus receios. Se após algum tempo, as justificações não forem explicativas do seu comportamento, pode ser necessário falar com o professor responsável de turma e consultar um psicólogo para ajudar a criança a ultrapassar melhor esta situação. Reforço a ideia de que como acontece quase em tudo, quanto mais cedo se agir, menores serão os danos colaterais.

Desmotivação – Há crianças que não gostam de ir para a escola, mas existe sempre algum acontecimento que é o causador da sua falta de motivação. Podem existir inúmeros motivos, tais como, dificuldades de aprendizagem, dificuldades de relacionamento com os pares, não reconhecer a importância da escola para o sucesso futuro, ser vítima de bullying, não se identificar com a ideologia ou valores da escola que frequenta. 

É essencial identificar a razão da sua desmotivação para não condicionar o sucesso escolar. 

A dificuldade em lidar com fatores relacionados com causas emocionais, desenvolvem muitas vezes sentimentos de fracasso que aumentam a possibilidade das crianças, sentirem  medo e ansiedade, desencadeando outro tipo de emoções, tais como: desespero, culpabilização, inaptidão, insegurança que contribuem para acentuar ainda mais, os erros nos momentos de avaliação, impeditivos de um bom desempenho escolar.

Quando os pais chegam a uma fase, em que já não sabem o que fazer, começam a sentir dificuldades em entender o que está a comprometer o desempenho escolar da criança ou já tentaram de tudo e, não estão a conseguir ajudá-la, devem procurar ajuda profissional o mais precocemente possível. Essa decisão é importante, não só para a criança conseguir ultrapassar as suas dificuldades, como para evitar, o seu sofrimento e consequências futuras no seu percurso escolar. 

Maria Pascoal

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Hoje há homens com grande capacidade para tomar conta dos filhos

"Hoje há homens com grande capacidade para tomar conta dos filhos" - Daniel Sampaio

O Tribunal é Réu é o título do seu último livro. O tribunal é o principal responsável pelos problemas associados ao divórcio?
Estamos a falar de divórcios litigiosos em que há um conflito entre o homem e a mulher. A tese deste livro é que o tribunal aumenta o conflito do casal por duas razões: em primeiro lugar, o sistema favorece uma lógica de vencedor e vencido e isso é evidente desde o primeiro requerimento, desde a primeira alegação; depois o tribunal demora muito tempo a tomar decisões relativas à guarda das crianças - quando há conflito entre os pais o processo prolonga-se em média por dois anos, mas pode demorar mais anos. Isto na vida de uma criança é muito tempo: uma criança de três anos é completamente diferente de uma de cinco e uma de cinco de outra de sete. Muitas vezes, a decisão vem num momento que já não corresponde ao que a criança está a viver naquela altura. Por outro lado, este é um problema fundamental do tribunal: a avaliação não é bem-feita.

Como assim?
O tribunal não tem capacidade para fazer uma avaliação da situação da família porque não tem recursos de assessoria técnica isenta e os juízes, no meu entender, não têm formação específica sobre desenvolvimento infantil e sobre as novas famílias. Estas razões fazem com que o tribunal aumente o conflito do casal, demore muito tempo a resolver a situação e sobretudo esqueça a criança. Quando falo com pessoas que passaram por processos destes, verifico que a criança é esquecida. É esquecida, muitas vezes, pelo pai ou pela mãe que estão em conflito e querem ganhar o processo e pelo próprio tribunal que fica emaranhado no seu funcionamento e perde de vista a criança.

A resolução deste tipo de casos não devia, então, ser uma decisão jurídica?
Desejo que se façam muitas prevenções das crises do casamento. Pode ser através da terapia de casal, de um médico de família com formação na área, de um psicólogo ou até de um amigo. Um casal não deve recorrer logo ao divórcio perante uma crise. Deve deter-se e tentar resolver a crise entre si. Em termos do tribunal é muito importante que, a certa altura, o juiz possa fazer parar o processo e enviar o casal para mediação familiar ou para uma intervenção terapêutica. Isto é pouco usado em Portugal. É muito importante que o juiz tenha essa percepção: manter o processo em tribunal com alegações e contra-alegações aumenta o conflito. E o pior que pode acontecer à criança é verificar que os pais continuam em desacordo. Os estudos demonstram que a principal consequência negativa do divórcio é a manutenção da conflitualidade entre os pais. Como se mantém durante vários anos – e o tribunal deve ser, na minha opinião, o réu desse processo – a criança fica lesada, não só pela perda de um dos progenitores, mas também pelo conflito que se mantém entre ambos.

É por isso que recorre a metáforas kafkianas para abordar este tema?
Já não lia Kafka há muitos anos. Fui rever O Castelo e O Processo e achei que era extremamente actual e que dava esta ideia. Em tribunal as pessoas estão sempre perdidas. Ninguém indica as coisas. As testemunhas ficam sozinhas numa sala. Os adiamentos são frequentes. Na minha opinião, os juízes têm muito pouco respeito pela vida das pessoas. Em situações de divórcio é um mundo muito hostil para o pai e para a mãe e, quando a criança é chamada, é preciso tomar muitas precauções. O título O Tribunal é o Réu é um grito de alerta para modificar o funcionamento dos tribunais de família, até por uma razão que ainda não falei: muitas vezes as decisões são tomadas e depois não são cumpridas.
 
Que impacto pode ter esta desumanização do tribunal no desenvolvimento infantil?
O divórcio tem sempre impacto na vida da criança. Esse impacto é menor se os pais explicarem bem à criança a separação e disseram à criança como é que vai ver um e outro.

E nos casos litigiosos?
Quando há conflito, os pais começam logo por não explicar bem o que se passa. Se o assunto cai em tribunal, a criança percebe que há qualquer coisa que não entende completamente. Sou director do serviço de psiquiatria do Hospital Santa Maria e recebo vários pedidos de juízes para designar um psicólogo que acompanhe uma criança que vai ser ouvida em tribunal. Isto deveria ser uma prática corrente: ter um técnico que ajuda a criança no diálogo com o juiz e com o procurador. Ontem estive em Coimbra numa sessão sobre estes temas e um pai contou-me que tinha sido acusado de violência doméstica e abuso sexual em relação à filha de 9 anos. O juiz encarregue do caso decidiu ouvir a menina e fez isso com muito tacto, na presença de um psicólogo. Acabou por perceber que se tratava de alienação parental. Devido à guerra entre os progenitores, a criança foi puxada para um dos pais, neste caso a mãe, e influenciada negativamente em relação ao outro.

Os tribunais contribuem para a alienação parental?
Completamente.

O que é que está na raiz desta alienação, mais do que isso: o que está na origem desta guerra entre cônjuges?
Não lhe sei responder a isso. Essa é a pergunta que mais me inquieta. Sou psiquiatra há muitos anos e o que me impressiona mais é a raiva entre os casais. Anos depois de uma separação, mantêm-se sentimentos negativos de uma profundidade enorme. No livro, conto que fiz estágios em muitos sítios (prisões, etc., etc.) e o que me impressionou mais foi o tempo que passei num tribunal de família, a violência que havia, as coisas que a mulher e o homem diziam um ao outro. Muitas vezes os casais que se odeiam muito, já se amaram muito. Há situações muito interessantes de casais que estão em conflito e que, de vez em quando, se encontram para terem relações sexuais e depois continuam em conflito. Lembro-me de um menino de 6 anos que ia passar o fim-de-semana com o pai e depois voltava para a mãe. A roupa dele aparecia rasgada e a mãe estava permanentemente a recorrer ao tribunal para fazer queixa disso. Veio a provar-se, mais tarde, que era ela que cortava a roupa com uma tesoura. O que leva uma pessoa a fazer isso? Uma raiva profunda. Quando estudei esse caso, verifiquei que era um casal que no início teve uma paixão enorme, uma entrega total e depois rompeu. Ele foi infiel.

Muitas vezes as pessoas vão viver juntas sem perceberem se têm capacidade para isso.DANIEL SAMPAIO
Esta raiva pode resultar de uma relação pouco sólida?
Normalmente o conflito começa por ser um conflito de comunicação. Há casais que se afastam, outros que têm uma relação violenta. Tudo isto levou ao divórcio. Aquilo que caracteriza a relação é justamente uma ambivalência.

Defende que hoje há muitas separações pouco reflectidas. E cito-o: "uma separação sem este percurso de luta e de tentativa de crescimento emocional é uma decisão pouco corajosa e constitui o ponto de partida para um divórcio doloroso e com muitas repercussões negativas para os filhos".
Muitas vezes as pessoas vão viver juntas sem perceberem se têm capacidade para isso. Uma coisa é namorar, outra coisa é o quotidiano. É preciso ter um reconhecimento grande do que se está a passar com o outro. Se eu sou casado, tenho de pensar no que se está a passar com a minha mulher. Tenho de pensar em mim, mas sobretudo nela. Tenho de fazer um movimento para dentro de mim, mas também para dentro dela. Isto é um bocadinho contrário à vida de hoje: muitas horas de trabalho, problemas de emprego, questões com os filhos e com as famílias do outro. Há uma série de questões que fazem com que a observação do outro seja adiada. É então que o casal começa a entrar em conflito ou a afastar-se.

As questões que advêm hoje do divórcio são muito diferentes de há 20 anos?
Sim. Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, a relação entre o casal ficou mais igualitária e isso implica uma partilha das tarefas domésticas, da educação dos filhos. Hoje, a vida dos casais é muito exigente.

Isso pode explicar, em parte, o aumento do número de divórcios?
Sem dúvida que sim. Até à segunda metade do século XX, a mulher aceitava tudo. Com a emancipação, a mulher passou a contestar esse papel tradicional. E há uma grande exigência: os dois querem ser felizes. O que é ser feliz? É estarem bem um com o outro, entenderem-se, terem uma boa realização sexual, terem disponibilidade para os filhos, terem amigos. A vida dos casais com filhos pequenos é muito difícil, têm de estar atentos um ao outro e, de facto, não há tempo. As questões da sexualidade são muito interessantes. Os homens acham que se tiverem uma relação sexual fica tudo resolvido. As mulheres não são assim. Têm uma exigência maior de entrega e carinho. Os homens às vezes dizem-me: já não me realizo sexualmente com ela. As mulheres não dizem isso. Dizem: eu já não consigo estar disponivelmente sexualmente, porque estou cansada. Tudo isto interfere na comunicação.

Os cônjuges são mais egoístas hoje em dia?
As pessoas são muito individualistas, procuram o seu bem-estar, também porque trabalham muito. Muita gente vai para casa responder a emails do serviço. Isto faz com que as pessoas fiquem objectivamente cansadas.

Quais são hoje as particularidades do divórcio e das suas implicações na vida das crianças?
Actualmente as crianças não se sentem estranhas por ter pais separados. O mais importante é a maneira como o pós-divórcio ocorreu e é aí que o tribunal é réu, porque prolonga o conflito. Muitas vezes as crianças percebem que são uma arma de arremesso entre o pai e a mãe. Deixa de dormir, de comer e de ter rendimento na escola. Isso é que nós temos de evitar.

Algumas crianças ficam com aversão a relacionamentos…
É uma consequência a longo prazo. Alguns estudos mostram isso.

Há também cada vez mais crianças que têm de lidar com os namorados dos pais e com uma terceira família.
As crianças têm uma boa capacidade de adaptação, mas é preciso que os adultos percebam que essa adaptação não é fácil e que não pode ser forçada. Muitas vezes, depois de uma ruptura afectiva, as pessoas precipitam-se numa nova relação e quando embarcam nesse relacionamento, no fundo, ainda estão a fazer o luto da relação anterior. A relação só deve ser dada a conhecer à criança quando é estável.

A guarda partilhada é a melhor opção para as crianças?
É preciso haver um diálogo mínimo entre o pai e a mãe para a guarda partilhada funcionar. Depois as duas casas não devem ser muito distantes. Deve haver muito cuidado para que a criança tenha dois locais que, de facto, sinta como seus. Se tem um quarto em casa da mãe, deve ter um em casa do pai. Deve ter os objectos fundamentais nos dois locais. Quando o diálogo entre o casal é razoável e centrado na criança, sou a favor da guarda partilhada mesmo nos casos de crianças relativamente pequenas. Há quem diga que não se adoptar com menores de 3 anos, mas não tenho essa opinião. Depende da avaliação do tribunal e da existência de competências de um lado e de outro. Hoje em dia há homens com grande capacidade para tomar conta das crianças. Houve uma mudança enorme nos últimos 20 anos. Há pais jovens que têm uma enorme competência para cuidar de crianças pequenas. Evidentemente que no primeiro ano de vida, em que a criança está muito dependente da mãe, não fará muito sentido, mas aos 2/ 3 anos não vejo nenhum inconveniente.

Os avós estão a perder relevância na vida das crianças?
Acho que não podem perder importância. Os avós conferem um papel de estabilidade à criança. No meio da confusão da ruptura dos pais, do aparecimento do namorado do pai ou da mãe, os avós são muitas vezes um porto seguro para as crianças e adolescentes. Portanto o papel dos avós deve ser valorizado – agora já há jurisprudência sobre isso e os avós têm direito a visitas em situações de divórcio. Na guarda partilhada não devem perder importância, porque podem ser um apoio.

A actual diversidade familiar é inevitável no futuro ou poderemos voltar a ter maioritariamente famílias tradicionais?
Não e nem acho isso uma coisa negativa. Conheço padrastos e madrastas que funcionam muitíssimo bem. No outro dia, fui a um clube desportivo com um dos meus netos e ele disse-me uma coisa espantosa sobre um colega: "não sei se aquela é a madrasta ou a mãe dele". Eu achei aquilo extraordinário. À primeira vista, a relação que as duas senhoras estabeleciam com o menino era semelhante. É assim é que deve ser. Há casos positivos.

As crianças são cada vez mais esquecidas?
Não, acho que as crianças e os adolescentes são mais ouvidos actualmente. Há 35/40 anos, quando me comecei a interessar por estas temáticas, os meus mestres diziam-me para trabalhar com adolescentes porque ninguém se interessava por esta área. Hoje, os meus colegas mais novos riem-se quando lhes falo nisso. As crianças e os adolescentes têm mais voz. Isso é uma evolução indiscutível. O que acho é que as crianças não são protegidas devidamente, como já expliquei. 

Por Ana Catarina André, in Sábado