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quarta-feira, 3 de junho de 2015

A causa dos ciumes entre irmãos


O que sente uma criança quando nasce um irmão? O que acontece com a chegada de um bebé a casa? Quais os seus conflitos internos?  Como entender porque surgem e perceber melhor os ciúmes?

O que causa ciúmes numa criança é o ter de partilhar a atenção, o amor e a exclusividade dos pais com outra criança. Quem se sente bem quando tem de partilhar a pessoa que ama? Penso que ninguém se sente confortável numa situação similar. Imagine o que sentia se o seu parceiro/a decidisse partilhá-la com outra pessoa? Este exemplo torna mais fácil compreender como se sente uma criança quando nasce um irmão.

Ao sentir que o amor dos pais não é só para si, inicialmente a criança pode começar  ter alguns comportamentos diferentes ou algumas atitudes inesperadas, geralmente a sua causa está relacionada com o receio de imaginar que os pais podem gostar mais do irmão do que de si e também pelo receio de perderem o seu lugar na família. Mas, se os pais não descurarem o afeto e a atenção dada à criança na altura em que nasce irmão, esses receios tendem a diminuir. 

Existir alguma rivalidade ou competição na relação entre os irmãos, é considerada normal, se também existirem entre eles momentos de brincadeira e até alguma cumplicidade. O motivo da rivalidade, nem sempre é consciente, é originada, pelo desejo da criança ter a atenção só para si e pela sensação de ameaça, por recear perder o amor dos pais. Esses sentimentos e receios  tendem a diminuir. A criança acaba por perceber que os pais a amam da mesma forma e que o irmão tem o mesmo espaço no coração dos pais e que o seu lugar não ficou ocupado após o nascimento.    

A chegada de um novo irmão além de acentuar a rivalidade, também provoca sentimentos ambivalentes, de amor e ódio. Por um lado, gosta do irmão que nasce, mas no seu inconsciente existe sempre algum receio de perder o amor dos pais. Perante esse dilema, vai percebendo que quando tem comportamentos adequados ou mostra que gosta do novo elemento familiar tem atenção pela positiva e sente-se amado pelos pais, contribuindo assim para atenuar a necessidade de competição.

Esta ambivalência de sentimentos, provoca na criança alguns conflitos internos e, muitas vezes a única forma de os conseguir exteriorizar é através de comportamentos agressivos para com o irmão. Ao mesmo tempo, quando tem esse tipo de comportamentos, surgem sentimentos de culpa que contribuem para o aumento do seu mal-estar. 


Muitos dos sentimentos da criança, nomeadamente o tipo de relação que desenvolveu com os pais e irmãos, fica registada nas suas memórias e ao longo do seu crescimento. Todos os sentimentos e experiências passadas, influenciam a sua personalidade, a forma de estar e de sentir e também os seus relacionamentos interpessoais. 

As atitudes na relação com os outros, são motivadas pela sua necessidade de compensar algo que se experimentou no passado ou impulsionadas pelo desejo de reparar algo que não se conseguiu ultrapassar durante a infância.

Pelas diversas razões abordadas é necessário estar especialmente atento ao comportamento da criança, não só quando nasce um irmão, mas durante toda a infância, por ser uma das fases que mais influenciará o seu desenvolvimento e pelas feridas emocionais que podem condicionar todo o equilíbrio emocional, tanto no momento presente, como durante a sua vida futura.      


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Como ajudar no sucesso escolar?



Sente que o seu filho está desmotivado ou os resultados das suas avaliações estão a baixar ou esforça-se, mas não consegue ter boas notas?

Existem algumas directrizes para o ajudar a perceber, como pode ajudá-lo e a entender melhor o que está algumas vezes camuflado atrás dessas dificuldades. Em muitos casos, a dificuldade em ter melhores resultados, pode não estar diretamente relacionada com as suas competências cognitivas, sendo necessário, por esse motivo que os pais estejam atentos aos sinais causadores deste inesperado desempenho escolar.

As emoções influenciam e muito a disponibilidade para a aprendizagem, se a criança está a passar por alguma dificuldade emocional, como por exemplo, no seu relacionamento com alguns colegas ou estiver preocupado com alguma mudança ou conflito, essas mesmas preocupações, terão grande impacto na sua disponibilidade e motivação para o estudo, aumentando também, a sua dificuldade em estar concentrado nos momentos em que está a estudar.
Qual o motivo  disso acontecer? Nesses momentos, mesmo que a criança ou jovem, sinta que precisa de estudar, não consegue concentrar-se, apesar de tentar e de se esforçar. Quando isso ocorre poderá estar a acontecer o seguinte, existir algum tipo de interferência das emoções no seu pensamento, ou seja, as emoções estão a impedir ou a dificultar o funcionamento do hemisfério esquerdo (responsável pela aprendizagem), porque o hemisfério direito (responsável pelas emoções), está com um nível de actividade elevada. Assim sendo, a única maneira de evitar que isso ocorra, é identificar e perceber, o que está a preocupar a criança, por forma a ajudá-la a ultrapassar as suas dificuldades emocionais.

Causas possíveis:

- Mudanças familiares – As alterações nas rotinas familiares podem influenciar muito a sua disponibilidade para a aprendizagem. Exemplos disso podem ser, a separação dos pais, o nascimento de um irmão, a morte de um familiar, mudança de escola. As dificuldades que a criança sente, manifestam-se muitas vezes por queixas de índole física, tais como, elevada ansiedade, irritabilidade, pesadelos, medos, dores de barriga. É necessário sempre que possível preparar a criança, com alguma antecedência para qualquer tipo mudança.

- Insucesso escolar – Estuda e esforça-se, mas os resultados das avaliações não são positivos ou não são os esperados. As dificuldades de aprendizagem podem ter diversas razões, ansiedade nos testes, falta de método de estudo, dormir pouco ou porque as suas emoções podem estar a impedir, a suposta disponibilidade esperada para a aprendizagem. Pode acontecer se a criança estiver a sentir algum tipo de frustração emocional e não esteja a conseguir superá-la, assim como pode ser, a própria escola a não ter os meios necessários ou os mais adequados, por forma a ajudá-la a lidar com as dificuldades.
É extremamente importante, ajudar a criança a desenvolver mecanismos que lhe permitam controlar melhor as emoções e consequentemente a ter melhor desempenho escolar, mas nem sempre as escolas estão preparadas para ajudar alguns alunos que apresentem características diferentes do normal. E, também o numero elevado de alunos por sala de aula, não permite que exista um acompanhamento mais individualizado dessas mesmas crianças.  

- Recusa em querer ir para a escola – Se esta situação for frequente, pode estar relacionada com sentimentos de insegurança, medo de separação ou existir alguma situação de bullying. É sempre importante perceber bem, o porquê destes seus receios. Se após algum tempo, as justificações não forem explicativas do seu comportamento, pode ser necessário falar com o professor responsável de turma e consultar um psicólogo para ajudar a criança a ultrapassar melhor esta situação. Reforço a ideia de que como acontece quase em tudo, quanto mais cedo se agir, menores serão os danos colaterais.

- Desmotivação – Há crianças que não gostam de ir para a escola, mas existe sempre algum acontecimento que é o causador da sua falta de motivação. Podem existir inúmeros motivos, tais como, dificuldades de aprendizagem, dificuldades de relacionamento com os pares, não reconhecer a importância da escola para o sucesso futuro, ser vítima de bullying, não se identificar com a ideologia ou valores da escola que frequenta. 

É essencial identificar a razão da sua desmotivação para não condicionar o sucesso escolar. 

A dificuldade em lidar com fatores relacionados com causas emocionais, desenvolvem muitas vezes sentimentos de fracasso que aumentam a possibilidade das crianças, sentirem  medo e ansiedade, desencadeando outro tipo de emoções, tais como: desespero, culpabilização, inaptidão, insegurança que contribuem para acentuar ainda mais, os erros nos momentos de avaliação, impeditivos de um bom desempenho escolar.

Quando os pais chegam a uma fase, em que já não sabem o que fazer, começam a sentir dificuldades em entender o que está a comprometer o desempenho escolar da criança ou já tentaram de tudo e, não estão a conseguir ajudá-la, devem procurar ajuda profissional o mais precocemente possível. Essa decisão é importante, não só para a criança conseguir ultrapassar as suas dificuldades, como para evitar, o seu sofrimento e consequências futuras no seu percurso escolar. 

Maria Pascoal

terça-feira, 28 de abril de 2015

Dormir na cama dos pais? Nunca



Porque os filhos não devem dormir na cama dos pais? 

Existem inúmeros motivos importantes, não só para bem dos progenitores, como para os próprios filhos. Em algumas situações a troca de cama, podem ser motivadas pelos filhos, mas tem de existir consciência que condicionam a intimidade dos pais e, quanto mais frequentes mais contribuem para a diminuição da qualidade do relacionamento entre o casal. Mas, existem outras situações em que são os próprios pais a fomentar essa dinâmica, provavelmente por não terem as suas necessidades emocionais satisfeitas, tendem a procurar nos filhos essa compensação, por forma a atenuar a sua insatisfação emocional.

No entanto, independentemente das razões que originam esta dinâmica familiar, as consequências são sempre prejudiciais para todos os membros familiares. Diminuem não só a intensidade, mas também a qualidade do relacionamento entre o casal e, afetam o equilíbrio de amor necessário, na relação entre os pais e os filhos, por não existirem limites familiares saudáveis na definição de papéis, extremamente importantes, não só para que os pais possam beneficiar de momentos de intimidade, como para manter o fluxo constante de amor e afeto essencial de pais para filhos.

As dormidas frequentes na cama dos pais, constituem uma troca de papéis que potência o seu poder na família e enfraquece o relacionamento entre os pais, porque a forma como o amor se desenvolve entre os progenitores e os filhos é diferente da que fortalece o amor entre o casal. Os filhos não podem compensar os pais da necessidade de intimidade enquanto adultos. 

No caso de os pais estarem emocionalmente carentes, mesmo sem se aperceberem, acabam muitas vezes, por impedir que os filhos deixem de viver as experiências normais da idade, por se sentirem responsáveis pela satisfação emocionalmente dos pais. Os filhos não podem preocupar-se ou canalizar a sua atenção nas necessidades do progenitor e, esquecer as suas próprias necessidades emocionais. 

Numa família estruturada, os filhos como sentem as suas necessidades de afeto e de atenção satisfeitas, conseguem compreender e respeitar a intimidade dos progenitores. Se a família não é saudável e as crianças dormem no quarto dos pais, facilmente os seus problemas aumentam, por não existir tempo e espaço essencial para que os pais possam ter momentos para partilhar intimidade, amor e sexo, fulcrais para conseguirem manter uma relação equilibrada e feliz.  

A tendência de dormir na cama dos pais, ainda se torna mais complicada, no caso dos pais estarem divorciados, principalmente se os filhos ficam a viver a maior parte do tempo em casa de um dos pais. Nessa situação, sentem que perderam um progenitor e receiam perder o outro e a invasão do quarto dos pais é ainda mais frequente. Esta fase pode causar nas crianças enorme sofrimento e instabilidade. Reflexo do mesmo, manifesta-se por alguns sintomas, como queixas somáticas, medos, pesadelos entre outros. 

Neste contexto,  se o progenitor vive sozinho com a criança ou está poucas vezes com ela, pode ter alguma tendência para desejar dormir ao seu lado, não só para proporcionar à criança alguma segurança, como para o próprio progenitor, retirar desses momentos algum conforto e prazer.

As consequências desta dinâmica, só contribuem para tornar a criança mais dependente, dificultando a sua capacidade de adaptação e aumentando a sua resistência a qualquer tipo mudança. Esta situação pode gerar ainda efeitos mais graves, como sentimentos de abandono, traição, ciúme, entre outros, no caso de o progenitor iniciar uma nova relação. 

Como evitar que as crianças invadam o quarto dos pais? 

É recomendável que nessas alturas, sempre que a criança se levante e apareça no quarto dos pais, nunca seja permitido que fique no quarto dos pais e, todas as vezes em que isso acontece, a criança deve ser levada para o seu quarto.

O progenitor deve ficar no quarto da criança, falar-lhe calmamente, contar-lhe uma história até que fique mais tranquila ou adormeça. Deve repetir este ciclo, sempre que a criança se levante. 

Igualmente importante é nunca se esquecer de elogiar o comportamento da criança, sempre que consegue permanecer no seu quarto a noite inteira. 

Estes comportamentos podem ser difíceis de evitar e podem ser desgastantes durante a noite, mas se os pais forem firmes no estabelecimento desta regra, a criança demora menos tempo a adquirir hábitos noturnos mais saudáveis, a tornar-se mais independente e com melhores competências de adaptação às mudanças do dia-a-dia. E os pais usufruem de maior intimidade e tranquilidade. 

*Mais sugestões no artigo - A hora de dormir é um pesadelo?       

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Saber dizer não é dificil, mas necessário.

Quando os pais não sabem como lidar com as reivindicações e têm dúvidas na forma como devem educar?

Se as crianças viessem com livro de instruções? Seria mais fácil saber qual a melhor forma de reagir, no momento, em que fazem birras, quando acordam a meio da noite com pesadelos, quando não querem ir à escola, quando não querem comer? Seria muito mais fácil saber a fórmula para educar melhor. No entanto, apesar de muitas dessas situações serem normais e fazerem parte do desenvolvimento normal da criança, não podemos esquecer-nos que educar é dar muito amor, mas também é ter de dizer Não! Com firmeza quando é necessário.

Estes são ingredientes fundamentais para a criança, crescer saudavelmente e aprender a desenvolver a capacidade de lidar com as frustrações, não só com as atuais, mas também com as futuras. Se não aprender isso em criança, vai possivelmente sofrer muito mais quando crescer. Impor limites é educar melhor a criança, por forma a ficar melhor preparada para lidar com as contrariedades futuras.

Saber dizer NÃO! Pode não ser fácil, mas é essencial, não só para desenvolver sentimentos de segurança e autoconfiança, como para facilitar a aprendizagem de interiorizar que não pode ter tudo o que quer ou quando se deseja. Ajuda a criança a fortalecer a resistência à frustração e a crescer de forma mais saudável, por desenvolver capacidade de se ajustar melhor à realidade. Permitindo que não cresça a viver no mundo de fantasia e de facilidades, evitando assim, que sofra mais no futuro, por não ter adquirido essa competência em criança. 

Os pais sentem muitas vezes receio de dizer NÃO! Porque ao contrariar as suas vontades momentâneas, pensam que a criança se irá sentir-se frustrada, mas a imposição de regras não traumatiza as crianças, só as ajuda a desenvolver as capacidades fulcrais para a sua vida futura, tais como, aprender a lidar com as contrariedades e a ultrapassá-las de forma mais eficaz, implicando sentir menos frustração quando determinadas adversidades acontecerem no futuro, por terem criado mecanismos de defesa em criança.

Dizer NÃO! Ajuda a criança a distinguir o seu comportamento, quando se porta bem e quando se porta mal e, a interiorizar as consequências das suas atitudes. Os pais devem ensinar que o mau comportamento, tem consequências negativas e quando se portam bem são elogiadas e admiradas.

Educar para se ser “bons pais” é perceber que existem momentos para dizer Não! Mas, que existem muitos outros para dar afeto e para elogiar o seu comportamento. Esta conjugação de amor e limites, permite que a criança adquira algumas das competências essenciais para poder crescer de forma salutar.

É fácil distinguir uma criança mimada e sem regras, de outra amada e com regras! O afecto ajuda a criança a sentir-se amada, mas se for com regras e limites, só contribui para a formação de uma boa autoestima, autoconfiança, autonomia e, para a saber comportar-se nos seus grupos de pertença, aumentando a possibilidade de a ser melhor aceite pelos pares.

Quando é uma criança mimada e não tem regras e limites, frequentemente tem comportamentos desajustados em qualquer local, seja na escola ou em casa, faz birras por tudo e por nada, não respeita nem os pares, nem os adultos à sua volta. A criança é desorganizada internamente, não tolera a frustração, nem desenvolve amor próprio.
  
Educar com amor é saudável e impor regras é organizador, apesar de alguns pais recearem que quando não satisfazem todos os desejos, a criança se torne infeliz, deixe de gostar deles ou sentem que não estão a ser “bons pais”. Essa dificuldade acontece, muitas vezes, porque os próprios pais não sabem lidar com o facto de sentirem os filhos frustrados. 

Amar a criança não é proteger em demasia, não é ser severo e rígido, mas dar afeto e impor limites na altura certa, facultando uma melhor preparação para enfrentar as vicissitudes futuras e para crescer mais feliz!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Como fazer melhor os tpc


Quando a criança não gosta de fazer os trabalhos para casa e a sua concretização é um sem fim de conflitos?

Esta rotina diária pode ser facilitada se tiver em conta as seguintes sugestões:

1.Facultar um momento para descontrair – A criança antes de ir fazer os tpc, deve escolher uma actividade lúdica que ajude a descontrair. Devem ser estabelecidos horários, não só para essa actividade, como para começar a fazer os tpc.

2.Arranjar um relógio- Permite que a criança visualize o tempo em que está a brincar e o tempo em que está a estudar.

3.Definir um horário de estudo - Elaborar um plano de estudo em função da idade, das dificuldades da criança e dos momentos de avaliação.

4.Escolher um espaço especifico para fazer os tpc - Este local deve ter uma mesa, ser confortável e ter luz adequada. Evitar locais que facilmente distraiam a criança. 

5.Reunir o material – A criança deve ter tudo o que precisa, antes de começar a fazer os tpc para evitar distrações que possam contribuir para diminuir a sua concentração e rentabilizar o tempo dedicado aos tpc.

6.Evitar elementos de distração – Eliminar tudo o que pode interferir na atenção da criança, como televisão, rádio, estar alguém ao telefone ou a brincar no mesmo espaço.

7.Estar alguém próximo para tirar dúvidas - Ajudar a criança no momento em que precisa, oferece segurança e encoraja-a. Nunca deve fazer os tpc pela criança, mas sim ajudá-la a raciocinar e a sentir responsabilidade no que lhe compete.

8.Fazer intervalos- No momento em que a criança demonstra que está com pouco rendimento ou está a ficar mais desatenta, faça intervalos, mas com tempo pré-definido. Este tempo é importante para a criança volte a estar concentrada e não fique saturada.

9.Aprender a verificar se fez tudo - Quando termina os tpc deve ser a criança a confirmar se fez o solicitado, antes do adulto os corrigir. Assim, desenvolve a competência de verificar os trabalhos ou testes antes de os entregar, evitando esquecimentos frequentes.

10.A criança precisa de errar - No processo de aprendizagem errar e corrigir o que estava mal, permite à criança compreender e ultrapassar melhor as suas dificuldades e desenvolve o pensamento.

11.Valorize os seus progressos - Quando elogia o esforço da criança, está a estimular a sua autonomia. Estar atento ao seu empenho e dar motivação à criança, incrementa o desejo de fazer melhor. 

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domingo, 29 de março de 2015

Perturbação de oposição e desafio



A Perturbação de oposição e desafio – POD, pode ser caracterizada como, um padrão persistente de comportamentos desobedientes e desafiadores, apresentados pela criança nas suas relações interpessoais, especialmente com figuras de autoridade, tais como, pais e professores, mas também se manifesta com os seus pares.

É considerada POD, no caso de a criança ultrapassar os limites constantemente (sem ser considerado como “mau comportamento”) e se os sintomas persistirem pelo menos durante 6 meses, onde estão incluídas as seguintes atitudes:


1-Tem problemas frequentes na escola:

2-Perde facilmente o controlo;

3-Desafia os adultos constantemente;

4-Incomoda os outros intencionalmente;

5-Contesta e recusa-se  a cumprir regras;

6-Culpabiliza quase sempre os outros pelos seus erros;

7-Zanga-se facilmente é pouco paciente;

8-É vingativo e rancoroso;

9-Tem poucos amigos;

O comportamento desobediente, pode manifestar-se de várias maneiras, a criança não se comporta em função das regras, implicitamente já adquiridas ou apresenta dificuldade em obedecer aos adultos quando impõem determinada regra, isto é, parece que aceita a regra, mas depois revela muita dificuldade em cumprir as ordens impostas.


Os comportamentos apresentados podem surgir em casa, na escola ou em qualquer outro lugar, principalmente com os adultos mais próximos, como pais, avós, professores, tios. Mas, este tipo de comportamento não acontece com pessoas desconhecidas.


Estes comportamentos influenciam negativamente as suas interações sociais, especialmente com as crianças da mesma idade, pelos frequentes conflitos e discussões que ocorrem nas brincadeiras. Consequentemente, os colegas acabam por manifestarem sentimentos de rejeição pelas crianças que apresentam esta perturbação, o que contribui para diminuir a sua autoestima, pelo facto de ser muitas vezes colocada de parte.



Como lidar melhor com comportamentos opositores?

Em casa e na escola, os adultos sentem grande dificuldade em lidar com estes comportamentos e em gerir as suas próprias emoções, sendo por este motivo, ainda mais difícil, ensinar estas crianças a comportarem-se adequadamente. As crianças com POD precisam de ordens firmes, no entanto, nunca deve ser esquecida a sua grande necessidade de afeto.

Estratégias que ajudam a lidar melhor com as crianças:

1-Falar com tom de voz calmo e tranquilo – Evite irritar-se ou falar com tom de ameaça.

2-Dar ordens simples e concretas – Se der explicações complexas, a criança tem tendência para se dispersar quando a é mensagem transmitida. Deve dizer-lhe de forma especifica que comportamento espera da dela em determinada situação.

3-Utilizar linguagem simples e adequada à idade da criança – Garante melhor transmissão da mensagem.   

4- Estabelecer ordens de forma clara e assertiva – Na altura em que está a impor uma regra, transmita o que deseja de forma direta. Nunca pergunte à criança se quer ou não fazer determinada tarefa, quando pretender que seja executada.

5-Manter contacto visual – Aumenta a possibilidade de perceber que a criança entendeu o que lhe foi pedido. Solicitar à criança para repetir a ordem que lhe foi dada, ajuda-nos a ter certeza de que foi compreendida.

6-Os progenitores devem ter a mesma atitude – Se os pais têm atitudes diferentes em relação à criança ou se divergem de dia para dia, só confunde a criança e pode até utilizado para a criança manipular os pais.

7- Evitar impor regras antes do tempo – As ordens devem ser sempre que possível, referidas no momento em que têm de ser cumpridas, evitando também a antecipação do conflito.

8- Elogiar o comportamento da criança – Em todas as situações deve ser elogiado e reforçado o comportamento desejado. As crianças fazem de tudo para ter atenção e se têm essa atenção quando se portam bem, aprendem uma nova forma de ter atenção, aumentando a probabilidade de manter comportamentos adequados. Se a criança só tem atenção quando faz disparates, vai continuar a procurar atenção, mesmo que seja pela negativa e a manter comportamentos desadequados. Evite sempre que possível atitudes negativas.

9-Oferecer opção de escolha sempre que possível – Discriminar bem as opções e as consequências, permite à criança sentir maior responsabilidade da sua escolha. Explicar a causa-efeito ajuda a criança a desenvolver competências de autorregulação.

O meio ambiente exerce um poder muito grande sobre o emocional das pessoas em geral, sejam elas crianças ou adolescentes. 

Se os sintomas persistirem para além de um período superior a 6 meses ou se são muito violentos e intensos, procure um psicólogo para compreender o que se passa com a criança e evitar que esta perturbação não deixe sequelas no seu desenvolvimento.  A psicoterapia pode ser importante, não só para a criança aprender a lidar melhor com as emoções e minimizar as dificuldades na sua interação social, como para ajudar os pais a educar melhor uma criança com POD, por ser uma perturbação que além de ser difícil de lidar é muito desgastante.

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quinta-feira, 26 de março de 2015

Crianças diferentes na escola

Os meninos com problemas de desenvolvimento precisam apenas de apoios especiais, na mesma escola.

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Se uma criança for míope, ninguém contesta que frequente a escola, apesar de, sem óculos, ter dificuldade na aprendizagem. Os meninos com problemas de desenvolvimento precisam apenas de apoios especiais, na mesma escola.

Depois de um período em que as crianças com problemas de comportamento ou desenvolvimento não entravam no sistema educativo ou saíam dele precocemente, passou-se para uma fase da chamada ‘integração’, na qual as crianças com problemas deveriam ‘fazer um esforço’ para serem mais parecidas e acompanharem as consideradas ‘normais’. O passo seguinte parte para um novo conceito: a inclusão. Admitir que o universo da população é composto por seres humanos com diferentes características de personalidade, temperamento, competências, dons e talentos e que os ecossistemas, como a Escola, devem incluir todos, salvo raras e admissíveis exceções. Dando os apoios necessários a cada um, mas estimulando o que a partilha de saberes, experiências, vivências e aspetos sociais pode trazer de bom para cada um e para todos.
Se uma criança for míope em grau moderado ou elevado, ninguém contestará que frequente a escola, apesar de, sem óculos, ela ter grandes dificuldades no processo de ensino/aprendizagem. Além dos óculos, os professores tentarão tudo para que a sua deficiência não resulte emhandicap, como, por exemplo, coloca--lo na fila da frente.
Desta vez vou abordar uma outra situação: as chamadas doenças do espectro do autismo. Com a discussão que tem havido sobre eventual redução de apoios socioeducativos na educação especial, creio ser importante relembrar uma situação comum, que engloba várias doenças, mas que se revelam por sintomas e sinais parecidos. Para que as crianças possam beneficiar de todos os apoios necessários, no sentido de uma escola verdadeiramente inclusiva.
Autismo
Usa-se e abusa-se do termo ‘autista’. Se alguém não liga ao que dizemos rotulamo-lo de “autista”. Se um político, num debate, ignora o que o interlocutor está a dizer, lá o classificamos: “parece autista”. Os jovens são ‘autistas’ porque não ligam às vezes ao que os pais dizem. Um exagero. Um erro. Uma leviandade.
Por outro lado, tudo o que mexe é hiperativo e qualquer um que tenha momentos de distração poderá ter, com grande probabilidade (pela parte dos leigos, esclareça-se), um «défice de atenção».
Talvez valha a pena separar o trigo do joio. Há situações de autismo, assim como há síndromas de hiperatividade, com ou sem défice de atenção. E estas situações, a par das chamadas síndromas disléxicas e outras, devem ser diagnosticadas e tratadas atempadamente, para bem de todos. Mas daí a cair no exagero da rotulação vai um passo, inadmissível.
A palavra autismo vem do grego, da palavra «auto», significando «fechado sobre si mesmo». Assim, o autismo caracteriza-se por uma dificuldade extrema no relacionamento interpessoal e social, associado a problemas na comunicação verbal e não-verbal, grande atração por rotinas, movimentos e atividades repetitivas e monótonas, e uma relativa estreiteza de interesses, com grande stresse quando as rotinas se modificam.
Assim como há uma grande dificuldade ou mesmo impossibilidade, na criança autista, de se relacionar com os outros, também está comprometido o reverso da medalha – a criança não entende adequadamente os sinais que lhe são transmitidos, da fala à expressão facial e até a um gesto ameaçador ou um de afeto, não os sabendo interpretar, nem revelando interesse por eles.
Este grande grupo de situações – em que algumas crianças manifestam mais uns aspetos do que outros –, incluem entidades mais conhecidas atualmente, como o síndrome de Asperger e o síndrome de Rett, entre outras.
No conjunto das crianças, e tendo em conta a dificuldade em conseguir agrupar todas estas características no mesmo saco, pode estimar-se que seis em cada mil apresentam, em cada ano, sinais de que podem sofrer de uma destas situações. Reportando estes dados para Portugal, poderíamos dizer que todos os anos cerca de oitocentas novas crianças apresentarão alguma patologia desta área. Os rapazes têm uma incidência muito mais elevada: cerca de 4 a 5 vezes mais do que as raparigas, chegando a ser superior em alguns casos particulares, como o síndrome de Asperger.

Sinais e sintomas
As situações do «espectro do autismo» têm quatro grandes áreas de problemas:
• dificuldade na interação social e nas relações interpessoais;
• problemas acentuadas na comunicação – verbal e não verbal;
• comportamentos repetitivos, interesses obsessivos e estreitamento da visão da vida e das atividades;
• insegurança face a alterações de rotina;
Se pensarmos que estas áreas são prioritárias para nos sentirmos bem, para comunicar e nos relacionarmos – desde a família à sociedade –, poderemos entender bem que são deficiências que, facilmente, se podem tornar em handicaps, alterando profundamente a qualidade de vida da criança e dos pais, designadamente o seu futuro.
Mas atenção: estas áreas são muito vagas e podem ser sub ou supravalorizadas, conforme as circunstâncias e as pessoas. Muitas crianças relacionam-se mal com pessoas que não conhecem. Outras estão alheadas a ver televisão e não ouvem os pais chamar – até podem ter uma otite serosa e ouvir mal. Outras desviam o olhar quando sentem que fizeram asneiras e não querem encarar os pais. Ainda podem existir atrasos da fala normais e crianças que comunicam de formas a que muitos adultos não têm acesso. Finalmente, há idades em que os movimentos repetitivos e estereotipados são securizantes. Se se acabou e mudar de escola ou de casa, ou se se sofreu um trauma como uma hospitalização prolongada, podem apenas representar uma defesa.
As crianças com autismo têm uma característica: desinteresse pelas outras pessoas, não respondendo quando se chama pelo seu nome e evitando o contacto «olhos nos olhos».
A falta de compreensão das diversas formas de expressão que acompanham a fala – como a expressão visual, as rugas da cara, o sorriso (ou a zanga) e outros pormenores que nos permitem ver se uma pessoa está a brincar ou a fala a sério, se está alegre ou zangado, ou preocupado – leva a que a criança se feche num mundo dela, com total falta de empatia.
Muitas vezes, essa dissociação entre si próprios e a quem se referem quando falam deles leva a que, em vez de dizer «eu», digam «o Manel», «o Vasco», ou seja, se refiram pelo seu nome em vez de ser na primeira pessoa, como fator revelador de distanciamento até em relação a si próprios.
Para além da atração pelos movimentos repetitivos e rotativos, há uma diminuição da sensibilidade à dor, mas uma sensibilidade exagerada ao som, toque ou outros estímulos sensoriais, o que leva a um desagrado quando os pais (e especialmente outras pessoas) lhes tentam pegar, acariciar ou dar mimo.
Na síndroma de Asperger, por exemplo, as crianças revelam uma grande capacidade de aquisição de conhecimentos, podendo chegar quase à exaustão de um assunto, mas falta-lhes muitas vezes o doseamento emocional que leva a adequar o que se sabe ao que é realmente importante e pertinente.
Quais as causas?
Ainda não se conseguiu chegar a uma conclusão sobre as causas dos síndromes autistas, provavelmente porque haverá um conjunto de doenças diferentes, com causas também diferentes.
Os estudos da neurociência revelaram alterações na composição e no funcionamento do cérebro. Outros estudos referiram haver uma deficiência dos neurotransmissores, substâncias – como a serotonina – que facilitam a passagem dos estímulos e da informação entre os neurónios.
Uma coisa é certa: sejam quais forem as causas destas situações, os pais não têm qualquer culpa. Nem quanto à herança genética que transmitiram aos filhos, nem quanto à educação que lhes deram, práticas que tiveram ou eventuais erros e lacunas que (como todos nós) cometeram. É fundamental sublinhar isto vezes sem conta.

O que há a fazer?
 Com um tratamento e abordagem adequadas, há grande probabilidade de a criança poder evoluir para uma vida com maior autonomia. A adolescência é um período crítico, por razões óbvias. Face a um leque de sintomas desta ordem, há depois testes mais específicos que podem auxiliar ao diagnóstico – mas a visão multidisciplinar, que passa pelos neuropediatras, neuropsicólogos e psicólogos – , é essencial. A intervenção, depois, de um terapeuta da fala, de especialistas de psicomotricidade e outros técnicos destas áreas é essencial. Os terapeutas do âmbito da neuropsicologia, psicomotricidade e comunicação, entre outros, abriram novos horizontes para que, mesmo não se podendo modificar o funcionamento cerebral ou o «erro» que existe no «sistema operativo», se possam colmatar essas lacunas com aprendizagem de competências e de desempenhos. Uma coisa é certa: quanto mais cedo o tratamento começar, maiores as probabilidades de êxito e o tratamento só pode ser precoce se o diagnóstico for, ele mesmo, também precoce.
E se o apoio educativo e a inclusão escolar não faltarem, claro....
 Pediatra Mário Cordeiro, in Pais&Filhos