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terça-feira, 7 de abril de 2015

Como fazer melhor os tpc


Quando a criança não gosta de fazer os trabalhos para casa e a sua concretização é um sem fim de conflitos?

Esta rotina diária pode ser facilitada se tiver em conta as seguintes sugestões:

1.Facultar um momento para descontrair – A criança antes de ir fazer os tpc, deve escolher uma actividade lúdica que ajude a descontrair. Devem ser estabelecidos horários, não só para essa actividade, como para começar a fazer os tpc.

2.Arranjar um relógio- Permite que a criança visualize o tempo em que está a brincar e o tempo em que está a estudar.

3.Definir um horário de estudo - Elaborar um plano de estudo em função da idade, das dificuldades da criança e dos momentos de avaliação.

4.Escolher um espaço especifico para fazer os tpc - Este local deve ter uma mesa, ser confortável e ter luz adequada. Evitar locais que facilmente distraiam a criança. 

5.Reunir o material – A criança deve ter tudo o que precisa, antes de começar a fazer os tpc para evitar distrações que possam contribuir para diminuir a sua concentração e rentabilizar o tempo dedicado aos tpc.

6.Evitar elementos de distração – Eliminar tudo o que pode interferir na atenção da criança, como televisão, rádio, estar alguém ao telefone ou a brincar no mesmo espaço.

7.Estar alguém próximo para tirar dúvidas - Ajudar a criança no momento em que precisa, oferece segurança e encoraja-a. Nunca deve fazer os tpc pela criança, mas sim ajudá-la a raciocinar e a sentir responsabilidade no que lhe compete.

8.Fazer intervalos- No momento em que a criança demonstra que está com pouco rendimento ou está a ficar mais desatenta, faça intervalos, mas com tempo pré-definido. Este tempo é importante para a criança volte a estar concentrada e não fique saturada.

9.Aprender a verificar se fez tudo - Quando termina os tpc deve ser a criança a confirmar se fez o solicitado, antes do adulto os corrigir. Assim, desenvolve a competência de verificar os trabalhos ou testes antes de os entregar, evitando esquecimentos frequentes.

10.A criança precisa de errar - No processo de aprendizagem errar e corrigir o que estava mal, permite à criança compreender e ultrapassar melhor as suas dificuldades e desenvolve o pensamento.

11.Valorize os seus progressos - Quando elogia o esforço da criança, está a estimular a sua autonomia. Estar atento ao seu empenho e dar motivação à criança, incrementa o desejo de fazer melhor. 

Compartilhe este artigo, pode fazer diferença na vida de alguém!
  

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

10 Estratégias para ajudar na desatenção



A dificuldade em manter a atenção seja na escola ou nas suas atividades diárias, pode ser desesperante, não só para os professores e pais, mas também para a própria criança.
A desatenção tem consequências negativas no seu desempenho escolar, nas suas relações interpessoais e na própria perceção da criança, ao longo do seu crescimento. Por esse motivo deve ser avaliada, por forma a ser auxiliada a ultrapassar essa sua dificuldade.
Motivos para a falta de atenção da criança: alterações bruscas na vida da criança; sofrer de ansiedade; conflitos com os colegas; problemas de aprendizagem.    
1. As crianças com problemas de atenção sentem-se diferentes das outras crianças.

2.Fortaleça a autoestima da criança. O seu sentimento de inferioridade nas crianças com dificuldades de atenção é mais elevado. Mostre o quanto o ama e que aceita as suas fragilidades, mas que reconhece as suas competências.
  
3. Mantenha-se tranquilo, nunca grite com a criança, isso só a prejudica, aumentando ainda mais a dificuldade em prestar atenção.

4. Evite ser controlador e dar várias indicações de uma só vez.

5. Tente reunir-se com o professor responsável, para perceber quais as dificuldades que a criança tem na escola. Faça com que a criança sinta que está ao seu lado para a ajudar a ultrapassar as dificuldades.

6. Estimule a criança a simplificar tarefas complexas. Assim a sua motivação aumenta ao atingir pequenos sucessos, evitando tentar realizar algumas tarefas, sem ter medo de fracassar.

7. Organize uma lista de tarefas, valorizando a criança à medida que termine determinada tarefa. Os elogios estimulam a criança a realizar novas tarefas.

8. Auxilie a criança nas suas dificuldades, mas nunca faça as atividades por ela. Só deste modo irá ultrapassar os obstáculos com que se depara. 

9. Não crie na criança expectativas irrealistas, tenha em conta as suas fragilidades e limitações.


10. Incentive-a a lidar com as adversidades. A criança com défice de atenção, tendencialmente desiste com alguma facilidade ao percecionar insucesso em determinada tarefa, pela sua dificuldade ao lidarem com a frustração.

Avaliar a criança é muitas vezes necessário para se perceber quais os motivos da sua desatenção. Os benefícios de ter ajuda profissional nesta área, promove a estimulação da atenção e ajuda a criança a descobrir novas estratégias que lhe permitam estudar de forma mais atenta e eficaz. Evita insucessos, frustrações, desinteresse, no momento em que se descobre como a criança pode obter melhor rendimento escolar. 
E, como quase em tudo, quanto mais cedo se adquire essas competências, mais precoce será o seu sucesso.  

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Como agir nos bons e maus comportamentos



Quando a criança se porta mal o que fazer?

Se a criança se portar mal ou fizer algum tipo de birra e não quiser cumprir a regra que foi imposta, relembre-a do que ficou definido em tom calmo, avise-a que tem oportunidade de ainda fazer o que lhe foi pedido, e se não fizer, faça-a perceber que é ela que está a escolher ser castigada e a preferir as consequências.
Muitas vezes as crianças quando têm comportamentos inadequados ou fazem birras, na maioria das vezes, são uma forma de fugir ao que não desejam realizar ou cumprir, por essa razão, nunca se deve ceder a uma birra.
No caso de o adulto abdicar do que estipulou, pelo facto da criança fazer birra, contribui para que da próxima vez que pretender o mesmo comportamento, a birra voltará com mais força e a criança será ainda mais persistente até que o adulto reconsidere e desista das regras aplicadas. Sempre que ceder a criança ganha maior resistência à imposição de regras.   
No caso de a criança ter um comportamento desapropriado, os castigos/consequências são fundamentais para que a criança perceba que existem consequências para esse tipo de comportamentos. Se deixar de ser penalizada quando não cumpre as regras, não sente necessidade de as cumprir, sentindo que é indiferente cumprir ou não as regras.
Nos momentos em que a criança está a realizar a tarefa solicitada, se perceber se está com dificuldades ajude-a, mas deixe-a continuar a fazer a tarefa, desta forma, na próxima vez já saberá como se faz. 

Quando a criança se porta bem o que fazer?

Não destaque só ao comportamento inadequado da criança, dê a mesma importância ao seu comportamento quando se porta bem.
As crianças têm necessidade de ter a atenção dos pais e, se não a têm quando se portam bem, irão portar-se mal para a obter.
Quando a criança realiza algo adequadamente por sua iniciativa, deve ser muito elogiada. Tendo atenção pela positiva, contribuirá para que proceda desse modo, enquanto sentir essa atenção pela positiva, a criança continuará a ter esse tipo de comportamentos só para ser elogiada, tais como por exemplo, nos momentos em que lava os dentes sem ser lembrada, veste-se sozinha, arruma a mochila para o dia seguinte, faz os trabalhos de casa, etc.
Quando a criança faz algumas tarefas sem que ninguém a lembre, elogie-a muito pelo que fez. As crianças adoram ser elogiadas pelo que fazem e ser o centro da atenção dos pais. Se sentirem que tiveram atenção e que foram elogiadas ao procederem de determinada maneira, a probabilidade de continuarem a comportarem-se bem aumenta, só para terem atenção e, ao mesmo tempo os comportamentos desadequados diminuem.

É importante que os pais, não concentrem a sua atenção, só no mau comportamento da criança mas, a darem igual importância ao seu bom comportamento. 





segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

10 benefícios para a criança ao realizar tarefas



A importância da criança na colaboração de tarefas seja na realização dos trabalhos de casa ou na ajuda na de tarefas domésticas são essenciais para o seu desenvolvimento saudável, apesar de serem muitas vezes motivo de conflito entre pais e filhos. 


A forma como é conduzida a interiorização de obrigações/tarefas pode ser determinante para a aquisição de competências e contribuir para o sucesso ou insucesso da criança.  

Em casa, a criança deve ajudar e participar em tarefas domésticas, tais como, colocar a mesa, arrumar os brinquedos, na confecção de refeições, lavar a loiça, aspirar, entre outras, em função da sua idade. Este tipo de colaboração é importante, não só por ser uma ajuda para os pais, mas também, por contribuírem para o desenvolvimento da responsabilidade, autonomia e aprendizagem de competências pessoais importantes para a sua vida futura.

Em relação aos momentos de estudo e de realização dos trabalhos de casa, mesmo em crianças que não têm nenhuma dificuldade específica, nem problemas de aprendizagem, tais como deficit de atenção, hiperactividade, entre outros, geram por vezes conflitos frequentes. É muitas vezes difícil evitar este tipo de problemas, podendo causar elevado stress, não só para os pais como para a própria criança.

Mas a forma como os pais conduzem o acompanhamento dos filhos, pode contribuir para desenvolver competências essenciais na sua formação pessoal e facilitar o seu sucesso profissional futuro. No processo de aprendizagem tanto os trabalhos de casa como as tarefas domésticas, permitem que a criança, treine não só os conteúdos programáticos, mas também o desenvolvimento de outras competências.

A realização de tarefas em casa ou os trabalhos de casa, com acompanhamento adequado e estruturado proporcionam à criança:

1- O desenvolvimento de autonomia e independência, sendo necessário que a tarefa ou o acompanhamento escolar seja ajustado à idade da criança. Nas tarefas domésticas a sua colaboração deve aumentar gradualmente consoante a idade. Nos trabalhos de casa, o tempo de acompanhamento deve ir diminuído de ano para ano;

2- Aprender a organizar as suas coisas e a tornar-se mais independente. Desde arrumar o material para o dia seguinte, escolher a roupa, arrumar o quarto, a fazer o pequeno-almoço e a aprender a cozinhar, entre outras actividades;
   
3- Aprende que as coisas têm de ser realizadas num determinado período de tempo, mesmo que a criança não queira, por não ter vontade ou por não pretender terminar a actividade lúdica que está a fazer. Contribuindo para desenvolver a sua responsabilidade;

4- A criança aprende a lidar melhor com a frustração ao interiorizar que as tarefas tem de ser feitas num determinado espaço de tempo, independentemente da sua vontade;

5- Os pais devem envolver a criança, sempre que possível, na escolha do horário para fazer determinada actividade. Ajudando a criança a aprender a organizar-se e a ser mais responsável pelas decisões que toma;

6- Ensina a criança a gerir melhor o seu tempo, percebendo que há um tempo para trabalhar e outro para brincar e que essa gestão depende dela;

7- Ter método de estudo para facilitar a aprendizagem dos conteúdos ensinados. Planear e fazer a revisão das matérias em casa, contribuí para uma melhor preparação para os momentos de avaliação;

8- Estimula na criança o conhecimento de que os seus actos têm consequências positivas ou negativas, tanto a curto como a médio prazo;

9- Possibilita que a criança identifique a relação entre os seus comportamentos e as consequências do mesmo a longo prazo;

10- Ao longo do seu percurso pessoal ou académico, ficará melhor preparada para enfrentar a realidade, tanto a nível pessoal como profissional e, com isso obter melhor sucesso.

Se precisar de ajuda para melhorar o tipo de acompanhamento que pretende dar, deseje desenvolver algumas competências que considere necessárias para o crescimento saudável do seu filho ou sentir dificuldades na forma de transmitir regras, responsabilidade ou autonomia, procure ajuda para facilitar a sua implementação. Evitando assim, que a realização de tarefas quotidianas ou estudar seja interiorizado como tempo de aborrecimento e de conflitos.   



sábado, 6 de dezembro de 2014

10 Coisas que não deve dizer...





O que não deve dizer às crianças para não influenciar negativamente a sua personalidade:




1 – Não obrigue a criança a parar de chorar. Pergunte-lhe a razão de o estar a fazer, ajudando-a assim a lidar com as emoções.


2 – Não a deixe fazer tudo. Dizer nãos e responder a porquês fazem parte do crescimento saudável, organiza a criança na formação dos limites e estrutura a sua personalidade.


3 – Não pergunte à criança se tem vontade para fazer uma tarefa quando a mesma é obrigatória. Mostre-lhe que quando chega a hora a tarefa/atividade tem de ser realizada.


4 – Não verbalize características negativas, tais como, atrasada, preguiçosa, agressiva, birrenta, chata, má…mesmo sendo ditas a brincar. A criança acaba por corresponder ao que lhe é dito.


5 – Não diga mentiras para evitar que sofram. A verdade ajuda-o a crescer e, mais tarde ou mais cedo vai descobrir que era mentira e vai ter de lidar com esse facto!


6 – Quando a criança acorda por causa de alguma perturbação do sono, não a mande voltar para a cama. As crianças têm dificuldade em distinguir a meio da noite o mundo real do imaginário. Acalme-a e fique no quarto com ela até adormecer.

7 – Não goze a criança quando errar. Pode influenciar e prejudicar o seu desenvolvimento saudável.

8- Não a compare com os irmãos ou colegas. Cada criança é única! Merece ser respeitada, amada e admirada pelas suas características.


9 – Não lhe diga "isso não interessa" quando a criança está a sentir-se triste ou incomodada com alguma coisa.

10 – Não diga coisas que não quer ouvir. A criança irá repetir tudo o que ouvir.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A psicoterapia beneficia os adolescentes


A adolescência é a transição da infância para a idade adulta mas, é sempre uma fase difícil, por implicar grandes transformações físicas e psicológicas. Estas alterações, causam no jovem, frequentes conflitos internos, angustias, inquietudes, indecisões, o que gera muitas vezes, elevados níveis de ansiedade. A par destas transformações internas, começa a sentir as coisas e percepcionar a realidade à sua volta de modo diferente e tem de aprender a lidar com as novas mudanças que vão ocorrendo...muitas vezes, com elevada insegurança. 
A sua transformação interior e a sua relação com os outros está a mudar e o adolescente, tem de se adaptar e muitas vezes não sabe o que fazer ou como agir em algumas situações, tais como,  mudança de escola, de amigos, conflitos com os amigos, ter de ir para a escola sozinho, saídas à noite, namoricos, entre outras...como se de repente fosse para um planeta desconhecido.
Nesta fase, o jovem tem de se descobrir, enquanto pessoa e construir a sua identidade, dissociada da dos seus pais. Este processo, causa-lhe sentimentos de exaltação, descoberta, sentindo muitas vezes, medo e angústia.
A sua construção enquanto pessoa, é elaborada, em através da imitação de pessoas que admira ou idealiza. É nesta fase que começa a copiar comportamentos de  modelos, atores ou ídolos musicais. Mas também precisa de fazer a separação dos seus pais, tendo por isso, necessidade de mostrar que é diferente deles. E é essa necessidade, que o faz ter com frequência, comportamentos opositores e manifestar negação ou até criticar, tudo o que os pais dizes ou fazem.
O adolescente ao sentir que ainda não consegue desvincular-se dos pais, sente receio e medo. Esta ambivalência, entre o desejo de se separar para ser distinto deles e, a dificuldade em assumir a responsabilidade dos seus atos, enquanto adulto, gera nos jovens um enorme conflito dentro de si. Esses sentimentos, dão muitas vezes, origem a comportamentos impulsivos, agressivos e, refletindo-se também, na sua constante mudança de ideias ou opiniões.

Na adolescência, ocorrem muitos comportamentos que podendo não parecer normais, existem como forma de encontrar a sua própria identidade. Geralmente, os seus comportamentos, deixam os pais preocupados e confusos com algumas das suas atitudes. Como é uma idade de grandes transformações, é normal que os próprios, adolescentes, sintam imensas dúvidas sobre algumas temáticas e não encontrem respostas para questões que os inquieta, além disso são poucos os que falam dos seus problemas abertamente com os pais. Costumam conversar  com os amigos, mas como têm receio de serem criticados, não abordam muitas das questões que os incomoda. 
É por todos estes motivos que nestas idades, a intervenção de um psicólogo, pode ser importante. Um acompanhamento terapêutico é facilitador na descoberta de si próprio, minimizando o seu sofrimento e contribuindo para o desenvolvimento de uma adolescência mais saudável.
Dificuldades em que uma intervenção psicológica é benéfica:
 - Comportamentos agressivos ;
 - Conflitos interpessoais;
- Mediação de conflitos familiares;
- Formação da imagem corporal;
- Autoestima;
- Distúrbios alimentares;
- Descoberta de si próprio;
- Sintomas depressivos;
- Medos;
- Sexualidade;
- Irritabilidade frequente;
-Divorcio dos pais;
- Desmotivação;
- Saídas à noite;
- Desempenho escolar ou métodos de estudo.

A consulta de psicoterapia com o adolescente, ajuda a família a encontrar orientação especializada para lidar com os problemas e distúrbios que podem ocorrer nestas idades. Esta abordagem terapêutica com o adolescente é muito benéfica, por contribuir para um melhor autoconhecimento e autoconfiança, minimizando muitos dos conflitos internos, permitindo-lhe desta forma, não só contribuir para a sua organização interna, mas também para se sentir melhor preparado e enfrentar as dificuldades com que se depara no dia-a-dia com maior segurança. Deste modo, fará escolhas e tomará decisões, de modo mais consciente e ponderado.
Se perceber que existe alguma dificuldade ou se já tentou de inúmeras formas resolver determinada situação e já não sabe como ajudar, contacte-nos. Procuraremos avaliar o problema e encontrar as estratégias adequadas para modificar a situação.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

TDAH é um transtorno biológico-neurológico?




Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?

Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmementeestabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?TDAH é um transtorno biológico-neurológico? 

Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de se morar em França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.

Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.

Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.

A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.

E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.

A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre - que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. 

Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.

Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Bullying






Bullying são actos de violência físicos ou psicológicos, repetidos individualmente ou em grupo, causando sensações de desesperança, impotência, dor e angústia. Ser vítima de bullying é uma experiência extremamente dolorosa e humilhante e, deixa marcas na pessoa para o resto da vida.

Os actos são praticados numa relação de poder desigual, onde o agressor humilha e intimida a vítima, como forma de se impor física e psicologicamente, e de se sentir superior.

Este tipo de agressões ocorre geralmente em locais escondidos, sendo por esse motivo difíceis de descobrir. E, as características de personalidade das vitimas, tais como baixa auti-estima, timidez e medo das consequências dos seus actos e da reação dos bullies (autores de bullying), fazem com que tenham uma postura passiva e, não reajam perante os bullies, nem partilhem com ninguém as agressões sofridas pela vergonha que sentem e adianta pouco dizer-lhes para reagirem ou para não terem medo.

Nestas situações, o melhor é estar atento aos sinais e a pedir ajuda especializada para minimizar os efeitos do bullying.

Sinais que podem ajudar a perceber se está a ser vítima de Bullying:

Alterações no humor;
Ataques de fúria;
Auto-agressão;
Poucos amigos;
Dificuldades de atenção;
Inquietude corporal;
Fúria intensa;
Muito impaciente;
Mais introspectivo;
Diminuição dos resultados na escola;
Queixas psicológicas ou físicas tais como, dor de cabeça, de estômago, cansaço e, irritabilidade frequentes.

Sugestões aos educadores:

1. Converse com a criança e tente perceber o que está a acontecer e, transmita-lhe apoio incondicional.

2. Envolva a escola se for o caso, na procura de uma resolução e identifiquem os "bullies"-autores de bullying.

3. É importante procurar ajuda especializada para minimizar os efeitos do bullying e procurar soluções para terminar com este tipo de agressões.



Segundo a Notícia publicada no Jornal de Notícias de 22 de maio de 2015, Os casos de bullying nas escolas “muito superiores aos oficiais”
O número de estudantes envolvidos em casos de ‘bullying’, em Portugal, é “muito superior” ao das estatísticas oficiais e pode ser superior a 240 mil, defendeu esta sexta-feira a investigadora Susana Carvalhosa.
A responsável, do Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, falava hoje num seminário sobre “Estratégias e medidas de prevenção de bullying e do cyberbullying”, que decorreu em Lisboa.
“Os estudos indicam que um em cada cinco estudantes está envolvido diretamente em alguma situação de ‘bullying'”, os números dos serviços especializados são muito mais baixos e as estatísticas oficiais ainda mais, disse a investigadora.
E acrescentou: Dados de 2014, sobre a segurança na escola, indicam que os casos de ‘bullying’ foram 1.446; se fizermos a conta a todos os alunos das escolas poderíamos dizer que temos 241.000 alunos (20 por cento do total) envolvidos nessas situações.
“Se for um em cada cinco há muitas crianças a precisar da nossa ajuda”, advertiu a investigadora e professora do Departamento de Psicologia Social e das Organizações, do ISCTE.
O ‘bullying’ (situação de agressão, ameaça ou opressão praticada contra alguém), salientou a responsável, não acontece apenas em contexto escolar, mas também familiar, no trabalho, no bairro e até no país, porque “há países vítimas e países agressores”.
Perante mais de uma centena de participantes, Susana Carvalhosa explicou que, para que haja ‘bullying’, é preciso que haja uma intenção de provocar dano, que a ação se repita e que haja um desequilíbrio entre o agressor e a vítima. No mundo virtual, acrescentou, se alguém coloca, por exemplo, numa rede social, um vídeo humilhante, ainda que não coloque mais nenhum, é considerado ‘cyberbullying’, porque cada acesso ao vídeo reforça o comportamento agressor.
Baseando-se em investigações feitas pelo ISCTE, a responsável disse que a promoção da empatia leva a comportamentos de entreajuda, que os agressores têm por norma dificuldade em desenvolver empatia e que as vítimas “têm situações elevadas de ‘stress'”.
Começando por lembrar que o ‘bullying’ não é um fenómeno recente, embora se fale muito mais nele nos últimos anos, a investigadora disse que se fez na Faculdade um estudo com jovens adultos (25 a 35 anos), a quem se perguntou se passaram por situações de ‘bullying’. “O estudo aponta para que os que disseram que foram vítimas têm hoje menos autoestima”.
“Se não atuarmos, podemos estar a criar indivíduos que em adultos sofrem de insegurança”, salientou.
Para ajudar a prevenir o ‘bullying’, o ISCTE e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa estão a desenvolver um jogo para crianças chamado “StopBully”, que está ainda em construção e que estará disponível para telemóvel, computador e ‘tablet’.
Cátia Raminhos, da Faculdade de Ciências, e Maria de Jesus Candeias, do ISCTE, explicaram que a aplicação promove a empatia e destina-se a jovens, entre os 10 e os 12 anos, porque “os dados dizem que o pico de casos situa-se até aos 13 anos”.


Comunicar o divórcio aos filhos



Comunicar o divórcio aos filhos – Directrizes a ter em conta.

A decisão de se divorciar é sempre difícil, principalmente se existirem filhos. As mudanças, o começar tudo do zero é sempre muito angustiante. A incerteza do futuro e as mudanças que advêm afectam toda a dinâmica familiar. 

Nessas alturas, é possível que todos os envolvidos sintam culpa, raiva, melancolia, fracasso, entre outros, sendo necessário criar condições para que todo o processo decorra da melhor forma para todos, especialmente para as crianças que sofrem muitas vezes mais que os pais, chegando a sentirem-se culpados pela separação dos pais.

As crianças não reagem ou sofrem todas da mesma forma, o que influencia fortemente o seu sentir é sem dúvida o comportamento dos pais durante todo o processo de divórcio.  

Após a decisão de se divorciarem, os pais devem combinar todas as medidas a tomar, antes de falarem com os filhos, tais como, com quem ficam a morar, mudança de escola se for o caso, como as visitas irão decorrer, entre outras, para a criança sentir alguma segurança na sua mudança de rotinas. Reforçando que as mesmas sejam mantidas sempre que possível.

Comunicar aos filhos essa decisão, só quando existe certeza. Referir que a separação é definitiva e que os pais já não desejam viver juntos e, que eles não têm culpa nenhuma do seu divórcio.

Reforçar que os pais continuam a amá-los muito deles e que estarão sempre ao seu lado para os ajudar, mesmo vivendo em casas diferentes. 

Conversarem em família para explicar todas as dúvidas sobre as mudanças que irão acontecer, abordando todas as questões de modo sincero e verdadeiro.

Ter em conta que a compreensão do que é referido depende da idade da criança.

Comunicarem sem acusações e sem atitudes agressivas na frente das crianças. Nunca utilizarem os filhos como forma de atingir o outro progenitor, assim como em nenhum momento devem denegrindo imagem da mãe ou pai. E, não privar as crianças do contacto com qualquer um dos progenitores, porque com isso só prejudicam o seu bom desenvolvimento da criança.

Oferecer espaço às crianças para expressarem os seus sentimentos e opiniões. Estarem atentos para perceber o sentir e reagir das crianças em todo o processo de divórcio, através da sua comunicação verbal e não-verbal, tais como, sinais de tristeza, alterações de comportamento, birras mais frequentes, queixas de índole física, desinteresse escolar, etc.

O divórcio é entre os progenitores, não entre pais e filhos, como tal a atribuição de culpas e a resolução dos conflitos, devem ser resolvidos enquanto casal e nunca, mas nunca mesmo, as crianças devem ser envolvidas nesta luta, nem privados do contacto com o progenitor que não ficou com a custódia, porque isso só compromete o bom desenvolvimento das crianças. 

Como aumentar a autoestima e a autoconfiança?




A autoestima é o apreço ou valorização que a criança confere a si própria, permitindo-lhe ter confiança nos próprios actos e pensamentos.

A autoestima e a autoconfiança de uma criança são elementos decisivos para o seu sucesso futuro, tendo implicações tanto a nível do desempenho escolar como nos seus relacionamento interpessoais. 


Ao longo do crescimento da criança, é importante incluir alguns ingredientes indispensáveis para um desenvolvimento saudável, sendo essencial ajudá-lo, a fortalecer a sua autoestima e autoconfiança, por serem extremamente importantes na formação da sua personalidade.

O aumento da autoestima, ajuda a criança a sentir menos conflitos internos, a ser mais tranquila e organizada. Este equilíbrio aumenta a sua disponibilidade para a aprendizagem. Este é um dos melhores recursos que pode oferecer ao seu filho para que desenvolva as competências necessárias e ser bem sucedido no futuro.


De igual modo, quando  a criança possui autoconfiança, fica menos impulsiva e  torna-se mais responsável. Estas aptidões, contribuem para a melhoria do seu comportamento em geral. Incrementando os seus sucessos posteriores.

Como aumentar a autoestima e a autoconfiança do seu filho?
Uma boa autoestima é decisiva para o sucesso futuro da criança. Os pais por serem as suas figuras de referência, têm de estar atentos a tudo o que fazem ou dizem, por poderem influenciar a forma como a criança se vê a si própria. Nesse sentido, é importante ajudá-la a desenvolver tais competências.
Algumas sugestões que facilitam esse processo: 
-Elogie muito - Os elogios são extremamente importantes para a criança desenvolver uma boa auto-imagem e autoconfiança. 
- Valorize o seu esforço – É importante valorizar sempre as suas habilidades e o bom desempenho, especialmente se a criança fez um esforço para alcançar determinado resultado. Reforçar os elogios quando faz algo bem, motiva a criança a manter as atitudes pelas quais é elogiada.  
- Ajude a criança a decidir – Sempre que possível peça à criança para escolher, o que quer fazer e pergunte-lhe qual a sua opinião sobre questões simples, em vez de escolher/decidir por ela. Deste modo, estimula a sua independência e, facilita o desenvolvimento de sentimentos de confiança em si própria, principalmente ao nível da tomada de decisão.  
- Dê-lhe espaço para se expressar – Quando a criança sente que os pais ouvem a sua opinião e a consideram relevante, aprende a acreditar mais em si própria e melhora a criatividade.
- Encoraje a criança a experimentar – Todas as vivências contribuem para um desenvolvimento saudável. As experiências influenciam muito a sua personalidade, permitem que seja mais fácil identificar os seus gostos e preferências futuras.
- Nunca compare a criança com outra criança – Todas têm aptidões e competências diferentes, umas são melhores numas atividades, mas outras têm melhor desempenho noutras, por isso nunca se devem ser comparadas. Assim, o mais importante é valorizar as competências em que se destaca e não vincar as dificuldades. Agir assim, contribui para consolidar a sua autoconfiança.  
Quando sentimentos da criança são ignorados, nunca pode desenvolver  capacidade de confiar em si própria e nas suas percepções. Estes sentimentos, ficam registados no seu mundo interno, desde a infância à idade adulta.