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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Dislexia


Dislexia = Dis (dificuldade; separação) + lexia (léxico; palavra)  = Dificuldade com as palavras.
A Dislexia é uma perturbação de aprendizagem da leitura e escrita, apesar da criança apresentar uma inteligência normal ou superior e de não existirem perturbações sensoriais ou neurológicas. Esta perturbação não está relacionada com o tipo de educação ou com o método de ensino.
É uma perturbação da precisão ou fluência da leitura de palavras, existindo uma fraca competência ortográfica, que se apresenta na dificuldade em adquirir o mecanismo da aprendizagem da leitura e escrita, resulta de um défice na componente fonológica da linguagem. As crianças não conseguem associar corretamente os fonemas (sons) aos grafemas (letras).
A Dislexia tem tratamento?
Não, a Dislexia é uma doença que permanece durante toda a vida. É importante por isso que o seu diagnóstico seja realizado precocemente, para ajudar a criança a lidar com as suas dificuldades, quando começa a ler e a escrever. 
A dislexia é frequente em crianças? 

A dislexia é uma perturbação de aprendizagem que influencia a leitura e a escrita, originando baixo rendimento escolar. Estima-se que mundialmente afete entre 5 a 17% da população, sendo mais frequente em meninos.

Quais são os sinais a ter em conta na dislexia?

A criança com dislexia apresenta dificuldades significativas na leitura e na escrita. Ocorrência de incorreções de palavras ao ler, dificuldades na compreensão dos textos, fluência e velocidade da leitura abaixo do esperado para a sua idade, dificuldades na construção de frases com muitos erros ortográficos. Troca letras, omissões, substituições de letras e silabas, caligrafia irregular, entre outros.
A criança que revela dificuldades na leitura e escrita é disléxica?
Não, existem outras perturbações que podem comprometer a aprendizagem da leitura e escrita. É por esse motivo importante, diagnosticar se a criança tem outro tipo de problemas que possam estar a influenciar a aprendizagem, tais como, visão, audição, existência de deficit de atenção, problemas cognitivos ou emocionais. Mas, é verdade que toda a criança com dificuldade na leitura e na escrita é Disléxica. 
Quais os sinais frequentes na Infância?
*Atraso na linguagem – A criança diz as primeiras palavras e constrói frases mais tarde do que é comum.
*Problemas na linguagem – A sua linguagem é abebezada e tem dificuldades em dizer alguns sons.
*Não repara nos objetos por onde passa tropeçando e caindo com frequência.
*Dificuldades na memorização de canções infantis, rimas e lengalengas.

Como diagnosticar a Dislexia?
A avaliação da Dislexia deve ser elaborado por psicólogos, neuropsicólogos ou neuropediatras. É necessário verificar se na família da criança, existem casos de Dislexia,   dificuldades de aprendizagem ou se durante o desenvolvimento da criança surgiram algumas situações que expliquem tais dificuldades.

Existe algum tratamento para a dislexia?
As crianças com Dislexia devem ser acompanhadas por profissionais com esse tipo de formação. Não existe nenhum método de reabilitação eficiente. O acompanhamento deve ser estruturado especificamente para determinada criança, tendo como objetivo, não a sua cura, uma vez que a Dislexia é uma perturbação de aprendizagem permanente que persiste até a idade adulta, mas quanto mais rápida for a intervenção, melhor será o desempenho da criança na escola.

Quando se pode ter a certeza que a criança é disléxica?
Existem alguns sinais de Dislexia que ocorreram durante a infância e muitas dificuldades, no início da aprendizagem da leitura e escrita que não podem ser descuradas. Tais dificuldades devem ser precocemente avaliadas, no entanto, o diagnóstico conclusivo de Dislexia só deve ser realizado no fim 2º ano de escolaridade.

Quais os sinais de Dislexia em idade escolar?
*Problemas de lateralidade, confunde constantemente a esquerda com a direita;
*Dificuldades na leitura e escrita: demora muito tempo a memorizar as letras, apresenta muita dificuldade a ler e a escrever;
*Nas atividades que requerem destreza manual, o seu desempenho é desastroso;
*Leitura silabada, com dificuldade em dividir as palavras em sílabas e fonemas;
*Leitura com muitas incorreções, saltando palavras ou linhas;
*Fluência da leitura significativamente abaixo do esperado para a idade e nível escolar;
*Enorme dificuldade na descodificação grafema-fonema e leitura automática de palavras, como por exemplo, biblioteca/bioteca, batata/bata, livraria/livro....
*Omite ou adiciona letras e sílabas (ex: famosa-fama; casaco-casa; livro-livo; batata-bata; biblioteca/bioteca;
*Troca letras com sons idênticos, tais como por exemplo: f/v; p/b; p/t; v/z; b/d; b-v; s; f-t; m-n; f-v; g-j; ch-x; x/ch-j…
*Pode escrever letras em espelho;
*Quando a criança lê sozinha tem dificuldade em compreender e interpretar os textos, no entanto, se os mesmos textos forem lidos oralmente por outra pessoa a sua compreensão é normal;
*Na escrita comete muitos erros ortográficos;
*Tenta evitar todos os momentos de leitura ou atividades relacionadas com a leitura e escrita;
*A sua caligrafia é irregular, disforme e a letra aparece muitas vezes rasurada;
*Dificuldade em exprimir ideias e em organizar frases ou textos, utilizando pouco vocabulário ao escrever;
*Problemas de atenção, a criança distrai-se com muita facilidade;
*Demora muito tempo a fazer os trabalhos de casa. A criança sente-se rapidamente cansada;
*Ritmos de aprendizagem divergentes – Em determinados períodos a criança consegue acompanhar a matéria lecionada, noutros não consegue, dando muitas vezes a impressão de ter esquecido o que aprendeu;
*Dificuldade em recordar e processar informações verbais;
*Dificuldade em aprender uma língua estrangeira, principalmente Inglês;
*Dificuldade em efetuar tarefas diferentes e sequenciais;
*Demonstra pouco interesse em realizar as atividades escolares;
*Os resultados nas avaliações são inferiores à sua capacidade intelectual.

Estes sinais não precisam de se verificar todos em simultâneo para que seja diagnosticada uma Dislexia. As dificuldades apresentadas pela criança, sugerem a possibilidade de um possível diagnóstico de Dislexia, sendo necessário analisar quais as razões para tais dificuldades.

Como os pais podem ajudar?
Os pais devem estar atentos aos sinais frequentes na infância e no início da escolaridade, nomeadamente, em caso de existirem dificuldades significativas, no momento em que as crianças iniciam a aprendizagem da leitura e escrita. Nesse caso, devem procurar um profissional para efetuar um diagnóstico precoce. Avaliar as suas dificuldades, permite ajudá-la a desenvolver estratégias adequadas, por forma a promover competências, minimizando deste modo, o impacto destas limitações no seu desenvolvimento e consequentemente na sua vida futura.
É importante não diferenciar, estigmatizar ou superproteger a criança, mas motivá-la a trabalhar, por forma a minimizar suas dificuldades.

Em suma, a Dislexia é uma perturbação de aprendizagem da leitura e escrita, não está relacionada com desatenção, falta de motivação, problemas cognitivos ou emocionais. Ocorre em crianças com inteligência normal ou superior e permanece durante a vida adulta. 


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Criança irrequieta ou hiperactiva?



A dificuldade em manter a atenção seja na escola ou nas suas atividades diárias, pode ser desesperante, não só para os professores e pais, mas também para a própria criança.
A desatenção tem consequências negativas no seu desempenho escolar, nas suas relações interpessoais e na própria perceção da criança, ao longo do seu crescimento. Por esse motivo deve ser avaliada, por forma a ser auxiliada a ultrapassar essa sua dificuldade.
Motivos para a falta de atenção da criança: alterações bruscas na vida da criança; sofrer de ansiedade; conflitos com os colegas; problemas de aprendizagem.    
1. As crianças com problemas de atenção sentem-se diferentes das outras crianças.

2.Fortaleça a autoestima da criança. O seu sentimento de inferioridade nas crianças com dificuldades de atenção é mais elevado. Mostre o quanto o ama e que aceita as suas fragilidades, mas que reconhece as suas competências.
  
3. Mantenha-se tranquilo, nunca grite com a criança, isso só a prejudica, aumentando ainda mais a dificuldade em prestar atenção.

4. Evite ser controlador e dar várias indicações de uma só vez.

5. Tente reunir-se com o professor responsável, para perceber quais as dificuldades que a criança tem na escola. Faça com que a criança sinta que está ao seu lado para a ajudar a ultrapassar as dificuldades.

6. Estimule a criança a simplificar tarefas complexas. Assim a sua motivação aumenta ao atingir pequenos sucessos, evitando tentar realizar algumas tarefas, sem ter medo de fracassar.

7. Organize uma lista de tarefas, valorizando a criança à medida que termine determinada tarefa. Os elogios estimulam a criança a realizar novas tarefas.

8. Auxilie a criança nas suas dificuldades, mas nunca faça as atividades por ela. Só deste modo irá ultrapassar os obstáculos com que se depara. 

9. Não crie na criança expectativas irrealistas, tenha em conta as suas fragilidades e limitações.


10. Incentive-a a lidar com as adversidades. A criança com défice de atenção, tendencialmente desiste com alguma facilidade ao percecionar insucesso em determinada tarefa, pela sua dificuldade ao lidarem com a frustração.

Avaliar a criança é muitas vezes necessário para se perceber quais os motivos da sua desatenção. Os benefícios de ter ajuda profissional nesta área, promove a estimulação da atenção e ajuda a criança a descobrir novas estratégias que lhe permitam estudar de forma mais atenta e eficaz. Evita insucessos, frustrações, desinteresse, no momento em que se descobre como a criança pode obter melhor rendimento escolar. 

É recomendável a criança adquira o mais cedo estas competências, ajudando a sentir maior sucesso.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Lidar com o fracasso


Lidar com os fracassos difunde os Sucessos

                                                                     




A dificuldade em lidar com os fracassos escolares, aumentam a possibilidade das crianças reforçarem o medo e a ansiedade, desencadeando outro tipo de emoções, tais como: desespero, culpabilização, inaptidão que contribuem para agravar a visão das consequências, ou seja, passam a exagerar as suas falhas/erros, exemplos evidentes disso é quando vão realizar um teste e, entrarem na sala dizem "vou esquecer-me de tudo o que estudei" ou "quando for a minha vez de apresentar o trabalho não vou conseguir dizer nada", "acho que estou a ficar com uma branca",  entre outras. 

Em alturas em que recebem uma negativa baixa numa avaliação, começam a pensar que tudo o que se andou a estudar foi uma perda de tempo, que era melhor não terem estudado, o seu sentimento de derrota é tão intenso que perdem a vontade de continuar a estudar para os restantes testes. 

O seu grau de sofrimento aumenta à medida da inexperiência em determinada situação. Quando se faz por exemplo um exame final pela primeira vez e a avaliação é negativa, o grau de sofrimento  acentua-se, pensando que não vai conseguir passar nenhum exame. E, no momento em que vai realizar o exame seguinte a ansiedade é tão elevada que efectivamente não lhe permite ter a mesma fluidez de ideias.

As expectativas de sucesso muito acima das suas capacidades também influenciam o próprio insucesso e aumentam o sentimento de fracasso e o sofrimento em situações posteriores. Contribuindo para colocarem em duvida permanentemente, as suas reais capacidades, a experienciar sentimentos de insegurança e, a aumentar o grau de ansiedade. Todos estes sentimentos associados aos fracassos podem afectar a percepção equilibrada dos resultados. Consequentemente, à medida que atribuem maior valor aos insucessos, diminui o valor atribuindo aos sucessos. 


Estratégias para lidar com o fracasso:

. Ter períodos estruturados para estudar, para descansar e para se distrair. Todos os momentos são importantes para a interiorização das aprendizagens;

. Numa fase consecutiva de testes, por exemplo no fim do ano lectivo, perceber e aceitar que as crianças têm menor motivação e empenho ao estudarem, derivado do cansaço referente ao ciclo- Estudar, aulas, testes, estudar, testes…

- Entender que a criança não tem de gostar e demonstrar o mesmo interesse em todas as matérias, às sempre algumas em que terá maior dificuldade;

.Valorizar as avaliações positivas e, elogiar o seu empenho no estudo para esses testes e mesmo quando tem negativa, quando a criança se esforçou mas, mesmo assim não conseguiu, é igualmente importante dar-lhe uma palavra de conforto;

- Evitar por exemplo que a resultados de 49% não se atribua o mesmo valor de 50%, o seu sentimento de insucesso diminui;

- Se existe frequentemente muita dificuldade em lidar com a frustração e que isso não comprometa o seu empenho ou os seus resultados escolares e, a criança manifestar sofrimento em lidar com o insucesso, procure ajuda psicológica para trabalhar e ultrapassar esta situação, por forma a não ficar com essa visão deturpada ainda mais vincada e afecte o percurso escolar posteriormente.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sinais de violência no namoro


É preciso que todos os que lidam com as crianças, denunciem este tipo de abuso e agir sempre! As agressões verbais ou físicas podem acontecer com qualquer criança ou adolescente, sendo por isso necessário que pais, professores ou colegas estejam atentos aos sinais, tomar medidas para ajudar o jovem a sair dessa situação de violência e acabar com o seu sofrimento. 

Não podemos deixar que este tipo de violência continue, temos todos o dever de ajudar a quebrar este ciclo, fazê-los sentir que este comportamento é o auxílio dos incompetentes, é preciso agir para diminui a violência no namoro. Em Portugal existe um em cada quatro jovens que são vítimas de violência no namoro.

A violência pode ser física e/ou psicológica, incluir ameaças, humilhações ou abusos sexuais, sendo geralmente desencadeada por ciúmes, uso de álcool/drogas ou por perturbações psicológicas.

A violência na relação amorosa é cometida por um dos parceiros, quando um dos pares exerce poder e controlo sobre o outro com o intuito de alcançar o que deseja.

Sinais frequentes:

• Marcas no corpo

• Auto culpabilização

• Baixa autoestima

• Isolamento social

• Piores resultados na escola

• Irritabilidade

• Tristeza

• Ansiedade

• Depressão

• Perda de apetite

• Ideias de suicídio

Pode ser importante procurar ajuda especializada, por forma a minimizar o seu sofrimento, ajudá-lo a reparar os danos causados na sua autoestima. Essa ajuda permite-lhe desenvolver recursos para evitar que no futuro, perceba os sinais para evitar entrar em relações violentas e terminar com este ciclo vicioso.

Partilho em seguida um artigo que considero importante sobre  violência no namoro.

Um em cada quatro jovens acredita que a violência no namoro é normal.

Quando o assunto é violência no namoro o objectivo é estabelecer os limites entre o que é amor e o que é violência. Embora pareça simples, nem sempre as pessoas têm noção desses limites e muitos vivem relações violentas convencidos de que é tudo normal, de que é amor.

Um estudo da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) concluiu que mais de um quarto dos jovens considera a violência psicológica algo natural e cerca de 31% dos rapazes acha legítimo pressionar a parceira para ter relações sexuais.

Um estudo realizado no âmbito do projecto Artways – Políticas Educativas e de Formação contra a Violência e Delinquência Juvenil comprovou isso mesmo concluindo que 27% dos jovens inquiridos consideram normal a violência psicológica e, pelo menos, 7% já foi vítima de agressão física. A violência psicológica é, por vezes, a que passa mais despercebida, mas que pode acontecer de várias formas que podem até ser muito simples. Actos como pegar no telemóvel do companheiro sem autorização ou proibir o uso de determinadas peças de roupa são considerados normais numa relação. “Parecem inócuos, mas a ideia de controlo, de que o meu namorado é minha posse, já são sinais de violência”, avisa Maria José Magalhães, presidenta da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

O estudo apoiado pelo Programa Cidadania Activa da Fundação Calouste Gulbenkian apresentou esta terça-feira os primeiros resultados. Depois de questionar 456 jovens de 32 escolas do distrito do Porto, entre os 11 e os 18 anos, os resultados não foram animadores. Para além de avaliar se os jovens já experimentaram situações de violência no namoro, analisou também a sua perspectiva sobre o assunto: o que achavam de determinadas atitudes dentro de uma relação, o que era considerado violência e o que era considerado normal.

A violência psicológica não é a única a ser considerada normal. O estudo mostra que 63 dos 456 jovens inquiridos acham natural a violência física desde que não deixe marcas. Mas, a quantidade de rapazes a achar que a violência física é natural e legitimada é quase o dobro da quantidade de raparigas. Para Maria José Magalhães, o problema está na cultura do “amor cego”, “de que o amor significa posse, de que a paixão é irracional e de que as pessoas podem fazer o que quiserem com o outro.” “Para nós, esta cultura está na base do femicídio, da violência doméstica, da falta de respeito pelos direitos humanos em geral”, refere, alertando para os resultados do inquérito sobre a reacção dos jovens depois da agressão: pelo menos 12% diz que acabou por perdoar o/a agressor/a e pelo menos 8% diz não ter dado importância ao sucedido, apenas 4% optou por pedir ajuda.

Entre as respostas, destaca-se ainda o facto de 31% dos rapazes contra 10% das raparigas considerar legítimo pressionar para ter relações sexuais. Aliás, 2% dos jovens considera já ter sido vítima deste comportamento. Com os dados obtidos no estudo, a presidente da UMAR conclui que o trabalho que tem sido desenvolvido nesta área "ainda não é suficiente, precisamos de mais”.

O projecto Artways tenta dar um passo em frente na necessidade de consciencialização para a violência no namoro. Durante o ano lectivo 2014/2015 realizaram 15 sessões com os alunos das 32 escolas inquiridas com o objectivo de utilizar a arte para alertar para o assunto. Mais do que remediar, a UMAR pretende prevenir, “temos de intervir logo desde já o junto dos eventuais futuros agressores”. Encontraram, para isso, a resposta na arte. A intervenção junto dos jovens, nas escolas, tem sido feita com recurso à música, teatro, jogos didáticos, vídeo, entre outras formas de expressão. O “sermão e missa cantada” são formas de ensino que aqui não funcionam, “talvez na escola e no sistema judicial, mas não desta forma com os adolescentes”.


A UMAR apela à necessidade de pedir ajuda, saber o que se deve fazer e a quem, “a sociedade ensina que as pessoas devem ser assertivas, independentes. A verdade é que também é preciso ensinar solidariedade e a necessidade de falar, de pedir ajuda”. Dados da PSP mostram o número de participações de casos de violência no namoro aumentou para o dobro de 2013 para 2014, registando mais de quatro participações por dia em 2014. 

Texto editado por Andrea Cunha Freitas no Jornal Público

Automutilação



Automutilação - Comportamento autodestrutivo nos adolescentes
Os adolescentes sofrem muitas vezes de stress, originado pelas frequentes tensões e exigências que ocorrem na sua vida. Na família, na escola, nas relações interpessoais e, essencialmente pelos seus conflitos internos. Associadas a frustrações, problemas emocionais, depressões, perturbações do sono, perturbações da personalidade, distúrbios alimentares, baixa auto-estima, podem desencadear automutilações.
A automutilação é um meio para controlar as emoções, revela um mal-estar interno enorme, ocorre como forma de atenuar fisicamente a dor que é psicológica e emocional. Depois de ter experienciado uma emoção intensa e de não conseguir lidar adequadamente com a mesma, a única forma que encontra para controlar as suas emoções é recorrendo à automutilação, por forma a reduzir o sofrimento e angustia, ou seja uma dor psicológica e emocional.
A automutilação ocorre geralmente em locais privados para evitar que sejam descobertos. Exemplos de formas de automutilação: queimar-se, cortar-se, morder partes do corpo, beliscar-se, reabrir feridas, arrancar cabelos, entre outras.
Este tipo de comportamentos autodestrutivos praticados repetidamente, não têm intenção de chamar a atenção são uma forma de controlar as emoções sentidas, tais como, raiva, tristeza, ansiedades, sensação de vazio interno. Pode ser indicador de dificuldades no meio familiar ou nos grupos de referência. Revela elevado sofrimento, sendo a automutilação a forma encontrada para aliviar dor emocional e o desconforto interno.
É adolescência que a maioria dos casos inicia, é uma idade de risco, onde se inicia este tipo de comportamentos, devido aos frequentes conflitos internos e estados de tensão existentes. Os pais devem estar atentos à expressão emocional do adolescente evitando que as emoções e os conflitos sentidos sejam controlados com auto agressões.
Nem sempre é fácil descobrir quando o adolescente se automutila, pelo facto de tentarem esconder os sinais, seja por vergonha ou medo. Mas é extremamente importante, atuar sempre que se descubra uma situação destas. 
Entre pais e filhos estas questões são muito difíceis de serem abordadas, sendo necessária intervenção terapêutica para avaliar o que se está a passar com o adolescente e avaliar quais as razões do seu comportamento, procurando uma resolução para este tipo de comportamentos autodestrutivos, minimizando os seus malefícios. 
O acompanhamento psicoterapêutico é fulcral para ajudar os adolescentes a lidarem adequadamente com os seus problemas e a darem nome às suas emoções.
A psicoterapia, nestes casos, tem como objetivo ajudar o adolescente a identificar outras formas de lidar com o seu sofrimento, de modo mais eficaz, evitando a continuação do comportamento autodestrutivo. Não existe medicação indicada para ajudar a terminar estes tipo de autoagressões. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A psicoterapia beneficia os adolescentes


A adolescência é a transição da infância para a idade adulta mas, é sempre uma fase difícil, por implicar grandes transformações físicas e psicológicas. Estas alterações, causam no jovem, frequentes conflitos internos, angustias, inquietudes, indecisões, o que gera muitas vezes, elevados níveis de ansiedade. A par destas transformações internas, começa a sentir as coisas e percepcionar a realidade à sua volta de modo diferente e tem de aprender a lidar com as novas mudanças que vão ocorrendo...muitas vezes, com elevada insegurança. 
A sua transformação interior e a sua relação com os outros está a mudar e o adolescente, tem de se adaptar e muitas vezes não sabe o que fazer ou como agir em algumas situações, tais como,  mudança de escola, de amigos, conflitos com os amigos, ter de ir para a escola sozinho, saídas à noite, namoricos, entre outras...como se de repente fosse para um planeta desconhecido.
Nesta fase, o jovem tem de se descobrir, enquanto pessoa e construir a sua identidade, dissociada da dos seus pais. Este processo, causa-lhe sentimentos de exaltação, descoberta, sentindo muitas vezes, medo e angústia.
A sua construção enquanto pessoa, é elaborada, em através da imitação de pessoas que admira ou idealiza. É nesta fase que começa a copiar comportamentos de  modelos, atores ou ídolos musicais. Mas também precisa de fazer a separação dos seus pais, tendo por isso, necessidade de mostrar que é diferente deles. E é essa necessidade, que o faz ter com frequência, comportamentos opositores e manifestar negação ou até criticar, tudo o que os pais dizes ou fazem.
O adolescente ao sentir que ainda não consegue desvincular-se dos pais, sente receio e medo. Esta ambivalência, entre o desejo de se separar para ser distinto deles e, a dificuldade em assumir a responsabilidade dos seus atos, enquanto adulto, gera nos jovens um enorme conflito dentro de si. Esses sentimentos, dão muitas vezes, origem a comportamentos impulsivos, agressivos e, refletindo-se também, na sua constante mudança de ideias ou opiniões.

Na adolescência, ocorrem muitos comportamentos que podendo não parecer normais, existem como forma de encontrar a sua própria identidade. Geralmente, os seus comportamentos, deixam os pais preocupados e confusos com algumas das suas atitudes. Como é uma idade de grandes transformações, é normal que os próprios, adolescentes, sintam imensas dúvidas sobre algumas temáticas e não encontrem respostas para questões que os inquieta, além disso são poucos os que falam dos seus problemas abertamente com os pais. Costumam conversar  com os amigos, mas como têm receio de serem criticados, não abordam muitas das questões que os incomoda. 
É por todos estes motivos que nestas idades, a intervenção de um psicólogo, pode ser importante. Um acompanhamento terapêutico é facilitador na descoberta de si próprio, minimizando o seu sofrimento e contribuindo para o desenvolvimento de uma adolescência mais saudável.
Dificuldades em que uma intervenção psicológica é benéfica:
 - Comportamentos agressivos ;
 - Conflitos interpessoais;
- Mediação de conflitos familiares;
- Formação da imagem corporal;
- Autoestima;
- Distúrbios alimentares;
- Descoberta de si próprio;
- Sintomas depressivos;
- Medos;
- Sexualidade;
- Irritabilidade frequente;
-Divorcio dos pais;
- Desmotivação;
- Saídas à noite;
- Desempenho escolar ou métodos de estudo.

A consulta de psicoterapia com o adolescente, ajuda a família a encontrar orientação especializada para lidar com os problemas e distúrbios que podem ocorrer nestas idades. Esta abordagem terapêutica com o adolescente é muito benéfica, por contribuir para um melhor autoconhecimento e autoconfiança, minimizando muitos dos conflitos internos, permitindo-lhe desta forma, não só contribuir para a sua organização interna, mas também para se sentir melhor preparado e enfrentar as dificuldades com que se depara no dia-a-dia com maior segurança. Deste modo, fará escolhas e tomará decisões, de modo mais consciente e ponderado.
Se perceber que existe alguma dificuldade ou se já tentou de inúmeras formas resolver determinada situação e já não sabe como ajudar, contacte-nos. Procuraremos avaliar o problema e encontrar as estratégias adequadas para modificar a situação.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

TDAH é um transtorno biológico-neurológico?




Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?

Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmementeestabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?TDAH é um transtorno biológico-neurológico? 

Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de se morar em França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.

Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.

Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.

A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.

E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.

A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre - que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. 

Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.

Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.