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quarta-feira, 3 de junho de 2015

A causa dos ciumes entre irmãos


O que sente uma criança quando nasce um irmão? O que acontece com a chegada de um bebé a casa? Quais os seus conflitos internos?  Como entender porque surgem e perceber melhor os ciúmes?

O que causa ciúmes numa criança é o ter de partilhar a atenção, o amor e a exclusividade dos pais com outra criança. Quem se sente bem quando tem de partilhar a pessoa que ama? Penso que ninguém se sente confortável numa situação similar. Imagine o que sentia se o seu parceiro/a decidisse partilhá-la com outra pessoa? Este exemplo torna mais fácil compreender como se sente uma criança quando nasce um irmão.

Ao sentir que o amor dos pais não é só para si, inicialmente a criança pode começar  ter alguns comportamentos diferentes ou algumas atitudes inesperadas, geralmente a sua causa está relacionada com o receio de imaginar que os pais podem gostar mais do irmão do que de si e também pelo receio de perderem o seu lugar na família. Mas, se os pais não descurarem o afeto e a atenção dada à criança na altura em que nasce irmão, esses receios tendem a diminuir. 

Existir alguma rivalidade ou competição na relação entre os irmãos, é considerada normal, se também existirem entre eles momentos de brincadeira e até alguma cumplicidade. O motivo da rivalidade, nem sempre é consciente, é originada, pelo desejo da criança ter a atenção só para si e pela sensação de ameaça, por recear perder o amor dos pais. Esses sentimentos e receios  tendem a diminuir. A criança acaba por perceber que os pais a amam da mesma forma e que o irmão tem o mesmo espaço no coração dos pais e que o seu lugar não ficou ocupado após o nascimento.    

A chegada de um novo irmão além de acentuar a rivalidade, também provoca sentimentos ambivalentes, de amor e ódio. Por um lado, gosta do irmão que nasce, mas no seu inconsciente existe sempre algum receio de perder o amor dos pais. Perante esse dilema, vai percebendo que quando tem comportamentos adequados ou mostra que gosta do novo elemento familiar tem atenção pela positiva e sente-se amado pelos pais, contribuindo assim para atenuar a necessidade de competição.

Esta ambivalência de sentimentos, provoca na criança alguns conflitos internos e, muitas vezes a única forma de os conseguir exteriorizar é através de comportamentos agressivos para com o irmão. Ao mesmo tempo, quando tem esse tipo de comportamentos, surgem sentimentos de culpa que contribuem para o aumento do seu mal-estar. 


Muitos dos sentimentos da criança, nomeadamente o tipo de relação que desenvolveu com os pais e irmãos, fica registada nas suas memórias e ao longo do seu crescimento. Todos os sentimentos e experiências passadas, influenciam a sua personalidade, a forma de estar e de sentir e também os seus relacionamentos interpessoais. 

As atitudes na relação com os outros, são motivadas pela sua necessidade de compensar algo que se experimentou no passado ou impulsionadas pelo desejo de reparar algo que não se conseguiu ultrapassar durante a infância.

Pelas diversas razões abordadas é necessário estar especialmente atento ao comportamento da criança, não só quando nasce um irmão, mas durante toda a infância, por ser uma das fases que mais influenciará o seu desenvolvimento e pelas feridas emocionais que podem condicionar todo o equilíbrio emocional, tanto no momento presente, como durante a sua vida futura.      


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Como ajudar no sucesso escolar?



Sente que o seu filho está desmotivado ou os resultados das suas avaliações estão a baixar ou esforça-se, mas não consegue ter boas notas?

Existem algumas directrizes para o ajudar a perceber, como pode ajudá-lo e a entender melhor o que está algumas vezes camuflado atrás dessas dificuldades. Em muitos casos, a dificuldade em ter melhores resultados, pode não estar diretamente relacionada com as suas competências cognitivas, sendo necessário, por esse motivo que os pais estejam atentos aos sinais causadores deste inesperado desempenho escolar.

As emoções influenciam e muito a disponibilidade para a aprendizagem, se a criança está a passar por alguma dificuldade emocional, como por exemplo, no seu relacionamento com alguns colegas ou estiver preocupado com alguma mudança ou conflito, essas mesmas preocupações, terão grande impacto na sua disponibilidade e motivação para o estudo, aumentando também, a sua dificuldade em estar concentrado nos momentos em que está a estudar.
Qual o motivo  disso acontecer? Nesses momentos, mesmo que a criança ou jovem, sinta que precisa de estudar, não consegue concentrar-se, apesar de tentar e de se esforçar. Quando isso ocorre poderá estar a acontecer o seguinte, existir algum tipo de interferência das emoções no seu pensamento, ou seja, as emoções estão a impedir ou a dificultar o funcionamento do hemisfério esquerdo (responsável pela aprendizagem), porque o hemisfério direito (responsável pelas emoções), está com um nível de actividade elevada. Assim sendo, a única maneira de evitar que isso ocorra, é identificar e perceber, o que está a preocupar a criança, por forma a ajudá-la a ultrapassar as suas dificuldades emocionais.

Causas possíveis:

- Mudanças familiares – As alterações nas rotinas familiares podem influenciar muito a sua disponibilidade para a aprendizagem. Exemplos disso podem ser, a separação dos pais, o nascimento de um irmão, a morte de um familiar, mudança de escola. As dificuldades que a criança sente, manifestam-se muitas vezes por queixas de índole física, tais como, elevada ansiedade, irritabilidade, pesadelos, medos, dores de barriga. É necessário sempre que possível preparar a criança, com alguma antecedência para qualquer tipo mudança.

- Insucesso escolar – Estuda e esforça-se, mas os resultados das avaliações não são positivos ou não são os esperados. As dificuldades de aprendizagem podem ter diversas razões, ansiedade nos testes, falta de método de estudo, dormir pouco ou porque as suas emoções podem estar a impedir, a suposta disponibilidade esperada para a aprendizagem. Pode acontecer se a criança estiver a sentir algum tipo de frustração emocional e não esteja a conseguir superá-la, assim como pode ser, a própria escola a não ter os meios necessários ou os mais adequados, por forma a ajudá-la a lidar com as dificuldades.
É extremamente importante, ajudar a criança a desenvolver mecanismos que lhe permitam controlar melhor as emoções e consequentemente a ter melhor desempenho escolar, mas nem sempre as escolas estão preparadas para ajudar alguns alunos que apresentem características diferentes do normal. E, também o numero elevado de alunos por sala de aula, não permite que exista um acompanhamento mais individualizado dessas mesmas crianças.  

- Recusa em querer ir para a escola – Se esta situação for frequente, pode estar relacionada com sentimentos de insegurança, medo de separação ou existir alguma situação de bullying. É sempre importante perceber bem, o porquê destes seus receios. Se após algum tempo, as justificações não forem explicativas do seu comportamento, pode ser necessário falar com o professor responsável de turma e consultar um psicólogo para ajudar a criança a ultrapassar melhor esta situação. Reforço a ideia de que como acontece quase em tudo, quanto mais cedo se agir, menores serão os danos colaterais.

- Desmotivação – Há crianças que não gostam de ir para a escola, mas existe sempre algum acontecimento que é o causador da sua falta de motivação. Podem existir inúmeros motivos, tais como, dificuldades de aprendizagem, dificuldades de relacionamento com os pares, não reconhecer a importância da escola para o sucesso futuro, ser vítima de bullying, não se identificar com a ideologia ou valores da escola que frequenta. 

É essencial identificar a razão da sua desmotivação para não condicionar o sucesso escolar. 

A dificuldade em lidar com fatores relacionados com causas emocionais, desenvolvem muitas vezes sentimentos de fracasso que aumentam a possibilidade das crianças, sentirem  medo e ansiedade, desencadeando outro tipo de emoções, tais como: desespero, culpabilização, inaptidão, insegurança que contribuem para acentuar ainda mais, os erros nos momentos de avaliação, impeditivos de um bom desempenho escolar.

Quando os pais chegam a uma fase, em que já não sabem o que fazer, começam a sentir dificuldades em entender o que está a comprometer o desempenho escolar da criança ou já tentaram de tudo e, não estão a conseguir ajudá-la, devem procurar ajuda profissional o mais precocemente possível. Essa decisão é importante, não só para a criança conseguir ultrapassar as suas dificuldades, como para evitar, o seu sofrimento e consequências futuras no seu percurso escolar. 

Maria Pascoal

terça-feira, 28 de abril de 2015

Dormir na cama dos pais? Nunca



Porque os filhos não devem dormir na cama dos pais? 

Existem inúmeros motivos importantes, não só para bem dos progenitores, como para os próprios filhos. Em algumas situações a troca de cama, podem ser motivadas pelos filhos, mas tem de existir consciência que condicionam a intimidade dos pais e, quanto mais frequentes mais contribuem para a diminuição da qualidade do relacionamento entre o casal. Mas, existem outras situações em que são os próprios pais a fomentar essa dinâmica, provavelmente por não terem as suas necessidades emocionais satisfeitas, tendem a procurar nos filhos essa compensação, por forma a atenuar a sua insatisfação emocional.

No entanto, independentemente das razões que originam esta dinâmica familiar, as consequências são sempre prejudiciais para todos os membros familiares. Diminuem não só a intensidade, mas também a qualidade do relacionamento entre o casal e, afetam o equilíbrio de amor necessário, na relação entre os pais e os filhos, por não existirem limites familiares saudáveis na definição de papéis, extremamente importantes, não só para que os pais possam beneficiar de momentos de intimidade, como para manter o fluxo constante de amor e afeto essencial de pais para filhos.

As dormidas frequentes na cama dos pais, constituem uma troca de papéis que potência o seu poder na família e enfraquece o relacionamento entre os pais, porque a forma como o amor se desenvolve entre os progenitores e os filhos é diferente da que fortalece o amor entre o casal. Os filhos não podem compensar os pais da necessidade de intimidade enquanto adultos. 

No caso de os pais estarem emocionalmente carentes, mesmo sem se aperceberem, acabam muitas vezes, por impedir que os filhos deixem de viver as experiências normais da idade, por se sentirem responsáveis pela satisfação emocionalmente dos pais. Os filhos não podem preocupar-se ou canalizar a sua atenção nas necessidades do progenitor e, esquecer as suas próprias necessidades emocionais. 

Numa família estruturada, os filhos como sentem as suas necessidades de afeto e de atenção satisfeitas, conseguem compreender e respeitar a intimidade dos progenitores. Se a família não é saudável e as crianças dormem no quarto dos pais, facilmente os seus problemas aumentam, por não existir tempo e espaço essencial para que os pais possam ter momentos para partilhar intimidade, amor e sexo, fulcrais para conseguirem manter uma relação equilibrada e feliz.  

A tendência de dormir na cama dos pais, ainda se torna mais complicada, no caso dos pais estarem divorciados, principalmente se os filhos ficam a viver a maior parte do tempo em casa de um dos pais. Nessa situação, sentem que perderam um progenitor e receiam perder o outro e a invasão do quarto dos pais é ainda mais frequente. Esta fase pode causar nas crianças enorme sofrimento e instabilidade. Reflexo do mesmo, manifesta-se por alguns sintomas, como queixas somáticas, medos, pesadelos entre outros. 

Neste contexto,  se o progenitor vive sozinho com a criança ou está poucas vezes com ela, pode ter alguma tendência para desejar dormir ao seu lado, não só para proporcionar à criança alguma segurança, como para o próprio progenitor, retirar desses momentos algum conforto e prazer.

As consequências desta dinâmica, só contribuem para tornar a criança mais dependente, dificultando a sua capacidade de adaptação e aumentando a sua resistência a qualquer tipo mudança. Esta situação pode gerar ainda efeitos mais graves, como sentimentos de abandono, traição, ciúme, entre outros, no caso de o progenitor iniciar uma nova relação. 

Como evitar que as crianças invadam o quarto dos pais? 

É recomendável que nessas alturas, sempre que a criança se levante e apareça no quarto dos pais, nunca seja permitido que fique no quarto dos pais e, todas as vezes em que isso acontece, a criança deve ser levada para o seu quarto.

O progenitor deve ficar no quarto da criança, falar-lhe calmamente, contar-lhe uma história até que fique mais tranquila ou adormeça. Deve repetir este ciclo, sempre que a criança se levante. 

Igualmente importante é nunca se esquecer de elogiar o comportamento da criança, sempre que consegue permanecer no seu quarto a noite inteira. 

Estes comportamentos podem ser difíceis de evitar e podem ser desgastantes durante a noite, mas se os pais forem firmes no estabelecimento desta regra, a criança demora menos tempo a adquirir hábitos noturnos mais saudáveis, a tornar-se mais independente e com melhores competências de adaptação às mudanças do dia-a-dia. E os pais usufruem de maior intimidade e tranquilidade. 

*Mais sugestões no artigo - A hora de dormir é um pesadelo?       

terça-feira, 7 de abril de 2015

Como fazer melhor os tpc


Quando a criança não gosta de fazer os trabalhos para casa e a sua concretização é um sem fim de conflitos?

Esta rotina diária pode ser facilitada se tiver em conta as seguintes sugestões:

1.Facultar um momento para descontrair – A criança antes de ir fazer os tpc, deve escolher uma actividade lúdica que ajude a descontrair. Devem ser estabelecidos horários, não só para essa actividade, como para começar a fazer os tpc.

2.Arranjar um relógio- Permite que a criança visualize o tempo em que está a brincar e o tempo em que está a estudar.

3.Definir um horário de estudo - Elaborar um plano de estudo em função da idade, das dificuldades da criança e dos momentos de avaliação.

4.Escolher um espaço especifico para fazer os tpc - Este local deve ter uma mesa, ser confortável e ter luz adequada. Evitar locais que facilmente distraiam a criança. 

5.Reunir o material – A criança deve ter tudo o que precisa, antes de começar a fazer os tpc para evitar distrações que possam contribuir para diminuir a sua concentração e rentabilizar o tempo dedicado aos tpc.

6.Evitar elementos de distração – Eliminar tudo o que pode interferir na atenção da criança, como televisão, rádio, estar alguém ao telefone ou a brincar no mesmo espaço.

7.Estar alguém próximo para tirar dúvidas - Ajudar a criança no momento em que precisa, oferece segurança e encoraja-a. Nunca deve fazer os tpc pela criança, mas sim ajudá-la a raciocinar e a sentir responsabilidade no que lhe compete.

8.Fazer intervalos- No momento em que a criança demonstra que está com pouco rendimento ou está a ficar mais desatenta, faça intervalos, mas com tempo pré-definido. Este tempo é importante para a criança volte a estar concentrada e não fique saturada.

9.Aprender a verificar se fez tudo - Quando termina os tpc deve ser a criança a confirmar se fez o solicitado, antes do adulto os corrigir. Assim, desenvolve a competência de verificar os trabalhos ou testes antes de os entregar, evitando esquecimentos frequentes.

10.A criança precisa de errar - No processo de aprendizagem errar e corrigir o que estava mal, permite à criança compreender e ultrapassar melhor as suas dificuldades e desenvolve o pensamento.

11.Valorize os seus progressos - Quando elogia o esforço da criança, está a estimular a sua autonomia. Estar atento ao seu empenho e dar motivação à criança, incrementa o desejo de fazer melhor. 

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domingo, 29 de março de 2015

Perturbação de oposição e desafio



A Perturbação de oposição e desafio – POD, pode ser caracterizada como, um padrão persistente de comportamentos desobedientes e desafiadores, apresentados pela criança nas suas relações interpessoais, especialmente com figuras de autoridade, tais como, pais e professores, mas também se manifesta com os seus pares.

É considerada POD, no caso de a criança ultrapassar os limites constantemente (sem ser considerado como “mau comportamento”) e se os sintomas persistirem pelo menos durante 6 meses, onde estão incluídas as seguintes atitudes:


1-Tem problemas frequentes na escola:

2-Perde facilmente o controlo;

3-Desafia os adultos constantemente;

4-Incomoda os outros intencionalmente;

5-Contesta e recusa-se  a cumprir regras;

6-Culpabiliza quase sempre os outros pelos seus erros;

7-Zanga-se facilmente é pouco paciente;

8-É vingativo e rancoroso;

9-Tem poucos amigos;

O comportamento desobediente, pode manifestar-se de várias maneiras, a criança não se comporta em função das regras, implicitamente já adquiridas ou apresenta dificuldade em obedecer aos adultos quando impõem determinada regra, isto é, parece que aceita a regra, mas depois revela muita dificuldade em cumprir as ordens impostas.


Os comportamentos apresentados podem surgir em casa, na escola ou em qualquer outro lugar, principalmente com os adultos mais próximos, como pais, avós, professores, tios. Mas, este tipo de comportamento não acontece com pessoas desconhecidas.


Estes comportamentos influenciam negativamente as suas interações sociais, especialmente com as crianças da mesma idade, pelos frequentes conflitos e discussões que ocorrem nas brincadeiras. Consequentemente, os colegas acabam por manifestarem sentimentos de rejeição pelas crianças que apresentam esta perturbação, o que contribui para diminuir a sua autoestima, pelo facto de ser muitas vezes colocada de parte.



Como lidar melhor com comportamentos opositores?

Em casa e na escola, os adultos sentem grande dificuldade em lidar com estes comportamentos e em gerir as suas próprias emoções, sendo por este motivo, ainda mais difícil, ensinar estas crianças a comportarem-se adequadamente. As crianças com POD precisam de ordens firmes, no entanto, nunca deve ser esquecida a sua grande necessidade de afeto.

Estratégias que ajudam a lidar melhor com as crianças:

1-Falar com tom de voz calmo e tranquilo – Evite irritar-se ou falar com tom de ameaça.

2-Dar ordens simples e concretas – Se der explicações complexas, a criança tem tendência para se dispersar quando a é mensagem transmitida. Deve dizer-lhe de forma especifica que comportamento espera da dela em determinada situação.

3-Utilizar linguagem simples e adequada à idade da criança – Garante melhor transmissão da mensagem.   

4- Estabelecer ordens de forma clara e assertiva – Na altura em que está a impor uma regra, transmita o que deseja de forma direta. Nunca pergunte à criança se quer ou não fazer determinada tarefa, quando pretender que seja executada.

5-Manter contacto visual – Aumenta a possibilidade de perceber que a criança entendeu o que lhe foi pedido. Solicitar à criança para repetir a ordem que lhe foi dada, ajuda-nos a ter certeza de que foi compreendida.

6-Os progenitores devem ter a mesma atitude – Se os pais têm atitudes diferentes em relação à criança ou se divergem de dia para dia, só confunde a criança e pode até utilizado para a criança manipular os pais.

7- Evitar impor regras antes do tempo – As ordens devem ser sempre que possível, referidas no momento em que têm de ser cumpridas, evitando também a antecipação do conflito.

8- Elogiar o comportamento da criança – Em todas as situações deve ser elogiado e reforçado o comportamento desejado. As crianças fazem de tudo para ter atenção e se têm essa atenção quando se portam bem, aprendem uma nova forma de ter atenção, aumentando a probabilidade de manter comportamentos adequados. Se a criança só tem atenção quando faz disparates, vai continuar a procurar atenção, mesmo que seja pela negativa e a manter comportamentos desadequados. Evite sempre que possível atitudes negativas.

9-Oferecer opção de escolha sempre que possível – Discriminar bem as opções e as consequências, permite à criança sentir maior responsabilidade da sua escolha. Explicar a causa-efeito ajuda a criança a desenvolver competências de autorregulação.

O meio ambiente exerce um poder muito grande sobre o emocional das pessoas em geral, sejam elas crianças ou adolescentes. 

Se os sintomas persistirem para além de um período superior a 6 meses ou se são muito violentos e intensos, procure um psicólogo para compreender o que se passa com a criança e evitar que esta perturbação não deixe sequelas no seu desenvolvimento.  A psicoterapia pode ser importante, não só para a criança aprender a lidar melhor com as emoções e minimizar as dificuldades na sua interação social, como para ajudar os pais a educar melhor uma criança com POD, por ser uma perturbação que além de ser difícil de lidar é muito desgastante.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

10 benefícios para a criança ao realizar tarefas



A importância da criança na colaboração de tarefas seja na realização dos trabalhos de casa ou na ajuda na de tarefas domésticas são essenciais para o seu desenvolvimento saudável, apesar de serem muitas vezes motivo de conflito entre pais e filhos. 


A forma como é conduzida a interiorização de obrigações/tarefas pode ser determinante para a aquisição de competências e contribuir para o sucesso ou insucesso da criança.  

Em casa, a criança deve ajudar e participar em tarefas domésticas, tais como, colocar a mesa, arrumar os brinquedos, na confecção de refeições, lavar a loiça, aspirar, entre outras, em função da sua idade. Este tipo de colaboração é importante, não só por ser uma ajuda para os pais, mas também, por contribuírem para o desenvolvimento da responsabilidade, autonomia e aprendizagem de competências pessoais importantes para a sua vida futura.

Em relação aos momentos de estudo e de realização dos trabalhos de casa, mesmo em crianças que não têm nenhuma dificuldade específica, nem problemas de aprendizagem, tais como deficit de atenção, hiperactividade, entre outros, geram por vezes conflitos frequentes. É muitas vezes difícil evitar este tipo de problemas, podendo causar elevado stress, não só para os pais como para a própria criança.

Mas a forma como os pais conduzem o acompanhamento dos filhos, pode contribuir para desenvolver competências essenciais na sua formação pessoal e facilitar o seu sucesso profissional futuro. No processo de aprendizagem tanto os trabalhos de casa como as tarefas domésticas, permitem que a criança, treine não só os conteúdos programáticos, mas também o desenvolvimento de outras competências.

A realização de tarefas em casa ou os trabalhos de casa, com acompanhamento adequado e estruturado proporcionam à criança:

1- O desenvolvimento de autonomia e independência, sendo necessário que a tarefa ou o acompanhamento escolar seja ajustado à idade da criança. Nas tarefas domésticas a sua colaboração deve aumentar gradualmente consoante a idade. Nos trabalhos de casa, o tempo de acompanhamento deve ir diminuído de ano para ano;

2- Aprender a organizar as suas coisas e a tornar-se mais independente. Desde arrumar o material para o dia seguinte, escolher a roupa, arrumar o quarto, a fazer o pequeno-almoço e a aprender a cozinhar, entre outras actividades;
   
3- Aprende que as coisas têm de ser realizadas num determinado período de tempo, mesmo que a criança não queira, por não ter vontade ou por não pretender terminar a actividade lúdica que está a fazer. Contribuindo para desenvolver a sua responsabilidade;

4- A criança aprende a lidar melhor com a frustração ao interiorizar que as tarefas tem de ser feitas num determinado espaço de tempo, independentemente da sua vontade;

5- Os pais devem envolver a criança, sempre que possível, na escolha do horário para fazer determinada actividade. Ajudando a criança a aprender a organizar-se e a ser mais responsável pelas decisões que toma;

6- Ensina a criança a gerir melhor o seu tempo, percebendo que há um tempo para trabalhar e outro para brincar e que essa gestão depende dela;

7- Ter método de estudo para facilitar a aprendizagem dos conteúdos ensinados. Planear e fazer a revisão das matérias em casa, contribuí para uma melhor preparação para os momentos de avaliação;

8- Estimula na criança o conhecimento de que os seus actos têm consequências positivas ou negativas, tanto a curto como a médio prazo;

9- Possibilita que a criança identifique a relação entre os seus comportamentos e as consequências do mesmo a longo prazo;

10- Ao longo do seu percurso pessoal ou académico, ficará melhor preparada para enfrentar a realidade, tanto a nível pessoal como profissional e, com isso obter melhor sucesso.

Se precisar de ajuda para melhorar o tipo de acompanhamento que pretende dar, deseje desenvolver algumas competências que considere necessárias para o crescimento saudável do seu filho ou sentir dificuldades na forma de transmitir regras, responsabilidade ou autonomia, procure ajuda para facilitar a sua implementação. Evitando assim, que a realização de tarefas quotidianas ou estudar seja interiorizado como tempo de aborrecimento e de conflitos.   



sábado, 20 de dezembro de 2014

Ajuda na regulação do poder paternal


Em situações de divórcio a avaliação psicológica pode ser importante na atribuição da regulação da responsabilidade parental. Auxilia os pais na tomada de decisões e ajuda as crianças a lidar com os transtornos inerentes em todo o processo de divórcio.

O acompanhamento psicológico permite evitar inúmeros conflitos entre os pais e, ajudar a criança a gerir as emoções durante esta mudança familiar, contribuindo para a estabilidade da criança e para o equilíbrio no desenrolar da ruptura familiar.

As crianças não reagem ou sofrem todas da mesma forma, o que influencia fortemente o seu sentir, é sem dúvida, o comportamento dos pais durante todo o processo de divórcio. Acontece frequentemente, os pais discordarem em questões relativas à regulação do poder paternal, recorrendo a advogados para zelar pelos seus interesses, no entanto, as crianças são muitas vezes esquecidas, neste tipo de discórdias entre o casal. Sendo por isso importante, avaliar quais serão as melhores decisões para proteger e defender os filhos, que apesar de não terem culpa do divórcio dos pais, sofrem bastante e têm de adaptar-se à nova realidade familiar e lidar com as consequências do divórcio.

Nessas alturas, progenitores e crianças sentem muitas vezes culpa, raiva, melancolia, fracasso, entre outros, sendo necessário criar condições para que todo o processo decorra da melhor forma para todos os intervenientes, especialmente para as crianças que sofrem muitas vezes mais que os pais, chegando muitas vezes, a sentirem-se culpados pela separação dos pais.

A avaliação psicológica permite conhecer a dinâmica familiar para melhor acompanhar e ultrapassar todas as dificuldades da criança e dos progenitores. Facultando à criança vivenciar a separação dos pais sem tanta angustia, evitando receios desnecessários. Impedindo-a de ter de enfrentar a influência emocional dos pais nesta decisão, por forma a exprimir os seus desejos livremente. Permitindo assim, analisar e determinar quais as melhores decisões, por forma a minimizar, não só o sofrimento da criança como o dos próprios pais. 

O acompanhamento psicológico incide nos aspectos que colocam em causa a estabilidade da criança, em questões que requerem a mudança de rotinas, consequentes da alteração familiar, tais como, residência, mudança de escola, regime de visitas importantes neste processo para a criança sentir alguma segurança nessa mudança.

Os intervenientes na avaliação são os pais, filhos, avós e professores, entre outros, que se considerem pertinentes para a realização de uma avaliação idónea. O relatório será efectuado, tendo em consideração, sempre o que é melhor para a criança, salvaguardando os seus desejos e não os interesses dos pais.

A avaliação psicológica é uma ajuda importante na regulação de responsabilidades parentais, pelo facto de possibilitar aconselhando os pais durante todo o processo de divórcio, permitindo-lhe assim, assegurar o que é melhor para o futuro da criança, evitando sequelas posteriores.

O relatório psicológico pode ser solicitado pelos pais ou pelo próprio tribunal, e o parecer será proporcionado, tendo em conta apenas a salvaguarda e os interesses da criança, independente de quem o solicita. Sendo necessário para isso, avaliar não só a criança mas todos os elementos influentes.

Pais manipulam filhos em guerras que antecipam divórcios.
Na guerra entre casais, os filhos são frequentemente utilizados como armas pelos progenitores. Mães e pais que manipulam os filhos para romperem os laços afetivos com o outro progenitor. As crianças acabam por sofrer em silêncio e, em alguns casos, desenvolvem mesmo problemas graves de saúde.
Cabe a cada um dos pais ter consciência do que faz aos filhos, mas penso que muitas vezes esquecem que a separação e as zangas são entre os adultos. Se são cuidadores deveriam zelar pelo bem dos filhos e não os envolver nessa guerra. Usam as crianças como armas... afinal onde estão os sentimentos de mãe ou pai?
Outro erro é tentar prejudicar a relação entre os filhos e o outro progenitor como vingança. Será difícil entender que só terminou a relação entre os pais? Se os filhos já sofrem com a sua separação, ainda têm de sofrer mais com os conflitos entre os pais? O mais importante, não será ajudar a manter a relação que existia com ambos os progenitores, mesmo que separados? Essa relação devia continuar, sem interferências para sempre . 
Infelizmente. profissionalmente lido com crianças que sofrem bastante, devido ao conflito constante entre os pais. Muitas chegam a durar anos e anos e deixam enormes sequelas. 
O pior de tudo, é que essa é uma guerra entre os progenitores que tantas vezes, não olham a meios para atingir o fim.

Clique no link para visualizar uma reportagem sobre esta temática.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sinais de violência no namoro


É preciso que todos os que lidam com as crianças, denunciem este tipo de abuso e agir sempre! As agressões verbais ou físicas podem acontecer com qualquer criança ou adolescente, sendo por isso necessário que pais, professores ou colegas estejam atentos aos sinais, tomar medidas para ajudar o jovem a sair dessa situação de violência e acabar com o seu sofrimento. 

Não podemos deixar que este tipo de violência continue, temos todos o dever de ajudar a quebrar este ciclo, fazê-los sentir que este comportamento é o auxílio dos incompetentes, é preciso agir para diminui a violência no namoro. Em Portugal existe um em cada quatro jovens que são vítimas de violência no namoro.

A violência pode ser física e/ou psicológica, incluir ameaças, humilhações ou abusos sexuais, sendo geralmente desencadeada por ciúmes, uso de álcool/drogas ou por perturbações psicológicas.

A violência na relação amorosa é cometida por um dos parceiros, quando um dos pares exerce poder e controlo sobre o outro com o intuito de alcançar o que deseja.

Sinais frequentes:

• Marcas no corpo

• Auto culpabilização

• Baixa autoestima

• Isolamento social

• Piores resultados na escola

• Irritabilidade

• Tristeza

• Ansiedade

• Depressão

• Perda de apetite

• Ideias de suicídio

Pode ser importante procurar ajuda especializada, por forma a minimizar o seu sofrimento, ajudá-lo a reparar os danos causados na sua autoestima. Essa ajuda permite-lhe desenvolver recursos para evitar que no futuro, perceba os sinais para evitar entrar em relações violentas e terminar com este ciclo vicioso.

Partilho em seguida um artigo que considero importante sobre  violência no namoro.

Um em cada quatro jovens acredita que a violência no namoro é normal.

Quando o assunto é violência no namoro o objectivo é estabelecer os limites entre o que é amor e o que é violência. Embora pareça simples, nem sempre as pessoas têm noção desses limites e muitos vivem relações violentas convencidos de que é tudo normal, de que é amor.

Um estudo da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) concluiu que mais de um quarto dos jovens considera a violência psicológica algo natural e cerca de 31% dos rapazes acha legítimo pressionar a parceira para ter relações sexuais.

Um estudo realizado no âmbito do projecto Artways – Políticas Educativas e de Formação contra a Violência e Delinquência Juvenil comprovou isso mesmo concluindo que 27% dos jovens inquiridos consideram normal a violência psicológica e, pelo menos, 7% já foi vítima de agressão física. A violência psicológica é, por vezes, a que passa mais despercebida, mas que pode acontecer de várias formas que podem até ser muito simples. Actos como pegar no telemóvel do companheiro sem autorização ou proibir o uso de determinadas peças de roupa são considerados normais numa relação. “Parecem inócuos, mas a ideia de controlo, de que o meu namorado é minha posse, já são sinais de violência”, avisa Maria José Magalhães, presidenta da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

O estudo apoiado pelo Programa Cidadania Activa da Fundação Calouste Gulbenkian apresentou esta terça-feira os primeiros resultados. Depois de questionar 456 jovens de 32 escolas do distrito do Porto, entre os 11 e os 18 anos, os resultados não foram animadores. Para além de avaliar se os jovens já experimentaram situações de violência no namoro, analisou também a sua perspectiva sobre o assunto: o que achavam de determinadas atitudes dentro de uma relação, o que era considerado violência e o que era considerado normal.

A violência psicológica não é a única a ser considerada normal. O estudo mostra que 63 dos 456 jovens inquiridos acham natural a violência física desde que não deixe marcas. Mas, a quantidade de rapazes a achar que a violência física é natural e legitimada é quase o dobro da quantidade de raparigas. Para Maria José Magalhães, o problema está na cultura do “amor cego”, “de que o amor significa posse, de que a paixão é irracional e de que as pessoas podem fazer o que quiserem com o outro.” “Para nós, esta cultura está na base do femicídio, da violência doméstica, da falta de respeito pelos direitos humanos em geral”, refere, alertando para os resultados do inquérito sobre a reacção dos jovens depois da agressão: pelo menos 12% diz que acabou por perdoar o/a agressor/a e pelo menos 8% diz não ter dado importância ao sucedido, apenas 4% optou por pedir ajuda.

Entre as respostas, destaca-se ainda o facto de 31% dos rapazes contra 10% das raparigas considerar legítimo pressionar para ter relações sexuais. Aliás, 2% dos jovens considera já ter sido vítima deste comportamento. Com os dados obtidos no estudo, a presidente da UMAR conclui que o trabalho que tem sido desenvolvido nesta área "ainda não é suficiente, precisamos de mais”.

O projecto Artways tenta dar um passo em frente na necessidade de consciencialização para a violência no namoro. Durante o ano lectivo 2014/2015 realizaram 15 sessões com os alunos das 32 escolas inquiridas com o objectivo de utilizar a arte para alertar para o assunto. Mais do que remediar, a UMAR pretende prevenir, “temos de intervir logo desde já o junto dos eventuais futuros agressores”. Encontraram, para isso, a resposta na arte. A intervenção junto dos jovens, nas escolas, tem sido feita com recurso à música, teatro, jogos didáticos, vídeo, entre outras formas de expressão. O “sermão e missa cantada” são formas de ensino que aqui não funcionam, “talvez na escola e no sistema judicial, mas não desta forma com os adolescentes”.


A UMAR apela à necessidade de pedir ajuda, saber o que se deve fazer e a quem, “a sociedade ensina que as pessoas devem ser assertivas, independentes. A verdade é que também é preciso ensinar solidariedade e a necessidade de falar, de pedir ajuda”. Dados da PSP mostram o número de participações de casos de violência no namoro aumentou para o dobro de 2013 para 2014, registando mais de quatro participações por dia em 2014. 

Texto editado por Andrea Cunha Freitas no Jornal Público