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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Como ajudar no sucesso escolar?



Sente que o seu filho está desmotivado ou os resultados das suas avaliações estão a baixar ou esforça-se, mas não consegue ter boas notas?

Existem algumas directrizes para o ajudar a perceber, como pode ajudá-lo e a entender melhor o que está algumas vezes camuflado atrás dessas dificuldades. Em muitos casos, a dificuldade em ter melhores resultados, pode não estar diretamente relacionada com as suas competências cognitivas, sendo necessário, por esse motivo que os pais estejam atentos aos sinais causadores deste inesperado desempenho escolar.

As emoções influenciam e muito a disponibilidade para a aprendizagem, se a criança está a passar por alguma dificuldade emocional, como por exemplo, no seu relacionamento com alguns colegas ou estiver preocupado com alguma mudança ou conflito, essas mesmas preocupações, terão grande impacto na sua disponibilidade e motivação para o estudo, aumentando também, a sua dificuldade em estar concentrado nos momentos em que está a estudar.
Qual o motivo  disso acontecer? Nesses momentos, mesmo que a criança ou jovem, sinta que precisa de estudar, não consegue concentrar-se, apesar de tentar e de se esforçar. Quando isso ocorre poderá estar a acontecer o seguinte, existir algum tipo de interferência das emoções no seu pensamento, ou seja, as emoções estão a impedir ou a dificultar o funcionamento do hemisfério esquerdo (responsável pela aprendizagem), porque o hemisfério direito (responsável pelas emoções), está com um nível de actividade elevada. Assim sendo, a única maneira de evitar que isso ocorra, é identificar e perceber, o que está a preocupar a criança, por forma a ajudá-la a ultrapassar as suas dificuldades emocionais.

Causas possíveis:

- Mudanças familiares – As alterações nas rotinas familiares podem influenciar muito a sua disponibilidade para a aprendizagem. Exemplos disso podem ser, a separação dos pais, o nascimento de um irmão, a morte de um familiar, mudança de escola. As dificuldades que a criança sente, manifestam-se muitas vezes por queixas de índole física, tais como, elevada ansiedade, irritabilidade, pesadelos, medos, dores de barriga. É necessário sempre que possível preparar a criança, com alguma antecedência para qualquer tipo mudança.

- Insucesso escolar – Estuda e esforça-se, mas os resultados das avaliações não são positivos ou não são os esperados. As dificuldades de aprendizagem podem ter diversas razões, ansiedade nos testes, falta de método de estudo, dormir pouco ou porque as suas emoções podem estar a impedir, a suposta disponibilidade esperada para a aprendizagem. Pode acontecer se a criança estiver a sentir algum tipo de frustração emocional e não esteja a conseguir superá-la, assim como pode ser, a própria escola a não ter os meios necessários ou os mais adequados, por forma a ajudá-la a lidar com as dificuldades.
É extremamente importante, ajudar a criança a desenvolver mecanismos que lhe permitam controlar melhor as emoções e consequentemente a ter melhor desempenho escolar, mas nem sempre as escolas estão preparadas para ajudar alguns alunos que apresentem características diferentes do normal. E, também o numero elevado de alunos por sala de aula, não permite que exista um acompanhamento mais individualizado dessas mesmas crianças.  

- Recusa em querer ir para a escola – Se esta situação for frequente, pode estar relacionada com sentimentos de insegurança, medo de separação ou existir alguma situação de bullying. É sempre importante perceber bem, o porquê destes seus receios. Se após algum tempo, as justificações não forem explicativas do seu comportamento, pode ser necessário falar com o professor responsável de turma e consultar um psicólogo para ajudar a criança a ultrapassar melhor esta situação. Reforço a ideia de que como acontece quase em tudo, quanto mais cedo se agir, menores serão os danos colaterais.

- Desmotivação – Há crianças que não gostam de ir para a escola, mas existe sempre algum acontecimento que é o causador da sua falta de motivação. Podem existir inúmeros motivos, tais como, dificuldades de aprendizagem, dificuldades de relacionamento com os pares, não reconhecer a importância da escola para o sucesso futuro, ser vítima de bullying, não se identificar com a ideologia ou valores da escola que frequenta. 

É essencial identificar a razão da sua desmotivação para não condicionar o sucesso escolar. 

A dificuldade em lidar com fatores relacionados com causas emocionais, desenvolvem muitas vezes sentimentos de fracasso que aumentam a possibilidade das crianças, sentirem  medo e ansiedade, desencadeando outro tipo de emoções, tais como: desespero, culpabilização, inaptidão, insegurança que contribuem para acentuar ainda mais, os erros nos momentos de avaliação, impeditivos de um bom desempenho escolar.

Quando os pais chegam a uma fase, em que já não sabem o que fazer, começam a sentir dificuldades em entender o que está a comprometer o desempenho escolar da criança ou já tentaram de tudo e, não estão a conseguir ajudá-la, devem procurar ajuda profissional o mais precocemente possível. Essa decisão é importante, não só para a criança conseguir ultrapassar as suas dificuldades, como para evitar, o seu sofrimento e consequências futuras no seu percurso escolar. 

Maria Pascoal

quarta-feira, 25 de março de 2015

Como melhorar a concentração?





A Falta de atenção e concentração são as queixas mais frequentes, de pais e professores.

Estas dificuldades, estão muitas vezes relacionadas com a pouca motivação para as matérias escolares e com o tipo de ambiente em que o estudo decorre.

Existem vários fatores que podem influenciar a aquisição da aprendizagem: os pensamentos da criança, estão muitas vezes, direcionados para outro tipo de problemas, tais como, conflitos com um colega ou com um familiar, estar ansioso com o teste que vai ter a seguir, a preocupação com um familiar que está doente, o barulho na sala de aula algo que impede a sua concentração. Sendo necessário avaliar o que está a comprometer a aprendizagem da criança. 

A atenção e a concentrado são indispensáveis para assimilar a matéria. Mas, como se pode ter motivação para estudar se as crianças muitas vezes nem sabem a melhor forma de o fazer, ou seja, perceber qual é o método para memorizar as aprendizagens, para conseguir melhor rendimento e menor cansaço. Sempre que se evidenciem sinais de cansaço. é preferível fazer intervalos para descansar, por forma a melhorar o processo de memorização. 

As estratégias que devem ser utilizadas no estudo e que facilitam a memorização:

- Perceber a que horas é melhor estudar. Às vezes é preferível a criança estudar pouco tempo, mas no tempo em que está a estudar, deve-se reforçar a atenção- ir fazendo intervalos quando sente cansaço; 
- Antes de decorar qualquer matéria, é essencial que a criança compreenda as temáticas;
- Perceber como é que a criança estuda melhor, se é a fazer resumos, a ler em voz alta, fazer esquemas ou a sublinhar a matéria;
- Pedir a alguém para lhe fazer perguntas ou fazer fichas após ter estudado uma determinada matéria, é importante para que assim perceba, o que lhe falta estudar melhor; 
- Organizar as matérias por dias de estudo, não estudar só quando há testes e, assim tem tempo para esclarecer as dúvidas com o professor;
- Organizar o estudo com tópicos, nas matérias segundo a sua importância. Perceber quais os conteúdos a que o professor deu mais importância na sala de aula;
- Usar mnemónicas para simplificar a assimilação da matéria, isto é, criar palavras ou frases com as primeiras letras de cada palavra chave – método estudo que consiste numa mnemónica - P.L.E.M.A - Pré-leitura; Leitura; Esquematização; Memorização; Autoavaliação.

Método P.L.E.M.A:
1) Pré-leitura - Ler a matéria toda de forma rápida para ficar com uma noção geral do tema;
2.) Leitura mais aprofundada com muita atenção da matéria, anotando ou sublinhando as coisas mais importantes;
3.) Esquematização – fazer um resumo ou esquema da matéria para facilitar a memorização;
4.) Memorização – Separar a matéria por títulos importantes para ajudar a reter o que se estudou;
5.) Autoavaliação – Recapitular a matéria, seja oralmente ou escrever o que se estudou por temas. Ficando assim, com melhor consciência, não só do que sabe, mas do que lhe falta estudar melhor.

Condições fundamentais para criar o local de estudo:

*Juntar o material que vai precisar para estudar; 
*Arranjar um local em casa para realizar os T.P.C`S e estudar, onde não tenha nada para a fazer ou distrair ex. T.V. ligada, pessoas a entrar/sair ou a conversar;
*Ter boa luz e uma cadeira confortável.

sexta-feira, 20 de março de 2015

O uso do teclado afecta a escrita


Uma pesquisa americana sugere que o uso excessivo de teclados e ecrãs sensíveis ao toque ao invés de escrever à mão, com lápis e papel, pode prejudicar o desenvolvimento das crianças.
A neurocientista cognitiva Karin James, da Universidade de Bloomington, nos EUA, estudou a importância da escrita à mão para o desenvolvimento do cérebro da criança.
Para chegar à conclusão de que teclados e telas podem prejudicar este desenvolvimento, a invetsigadora estudou crianças que ainda não sabiam ler - que poderiam ser capazes de identificar letras mas não sabiam como juntá-las para formar palavras.
No estudo, as crianças foram separadas em grupo diferentes: um grupo foi treinado para copiar letras diferentes enquanto outras trabalharam com as letras usando um teclado.
A pesquisa testou a capacidade destas crianças de aprender as letras; mas os cientistas também usaram exames de ressonância magnética para analisar quais as áreas do cérebro que eram activadas e, assim, tentar entender como o cérebro muda enquanto as crianças se familiarizavam com as letras do alfabeto.
O cérebro das crianças foi analisado antes e depois da experiência e os cientistas compararam os dois grupos diferentes, medindo o consumo de oxigénio no cérebro para mensurar a sua actividade.
Os pesquisadores descobriram que o cérebro responde de forma diferente quando aprende através da cópia de letras à mão de quando aprende as letras digitando-as num teclado.
As crianças que trabalharam copiando as letras à mão mostraram padrões de activação do cérebro parecidos com os de pessoas alfabetizadas, que podem ler e escrever. Este não foi o caso com as crianças que usaram o teclado.
O cérebro parece ficar «ligado» e responde de forma diferente às letras quando as crianças aprendem a escreve-las à mão, estabelecendo uma ligação entre o processo de aprender a escrever à mão e o de aprender a ler.
«Os dados do exame do cérebro sugerem que escrever prepara um sistema que facilita a leitura quando as crianças começam a passar por este processo», disse James.
Além disso, desenvolver as habilidades motoras mais sofisticadas necessárias para escrever à mão pode ser benéfico em muitas outras áreas do desenvolvimento cognitivo, acrescentou a pesquisadora.
As descobertas da pesquisa podem ser importantes para formular políticas educacionais.
«Em partes do mundo há uma certa pressa em introduzir computadores nas escolas cada vez mais cedo, isto (esta pesquisa) pode atenuar (esta tendência)», disse Karin James.
Notícia publicada dia 20/3/2015 no díáriodigital 

Crianças que sentem medo de se separar dos pais?


Porque sentem as crianças medo da separação dos pais?

O medo e a ansiedade de separação, fazem parte do desenvolvimento normal da criança, mas muitas sentem grande ansiedade de separação, porque se sentem sós quando os seus pais ou alguém afetivamente importante, ou seja, as suas figuras de referência não estão próximas da criança, mesmo nos momentos em que estão na presença  de outras pessoas, sentem-se perdidas e sozinhas.   

A criança necessita de ter a representação mental dos pais, de ter construído a sua imagem interna, para conseguir imaginá-los, quando os mesmos não podem estar presentes fisicamente. Para isso, a criança precisa de ligações afetivas fortes e significativas para construir essa representação e, aos poucos ir explorando o mundo que a rodeia.

O medo de se separar dos pais ou de outra figura afetiva significativa, não deve ser encarado por si só como indicador de patologia emocional, porque isso faz parte do normal desenvolvimento da criança. Mas, é esperado que os seus medos desaparecerão à medida que a criança cresce. Contudo, pode evoluir para uma perturbação da Ansiedade de separação, no caso de a criança apresentar ansiedade ou reações de medo atípicos, em função do estádio em que se encontra e comprometa o seu desenvolvimento saudável de adaptação.

Como se caracteriza a Perturbação da Ansiedade de Separação?

As crianças com perturbação da ansiedade de separação, estão constantemente a requerer atenção, manifestam angústia e medo intenso, tanto de separação como com a ideia de separação das figuras de referência. São indicadores desta perturbação, o medo em estar sozinha, dificuldades no sono, receio de ir para a escola e dificuldades de interacção social. Estima-se que existem cerca de 1 a 5% de crianças com este tipo de perturbação.

A ansiedade de separação infantil tem maior incidência entre os 5 e os 12 anos de idade
É importante diagnosticar este tipo de perturbação sempre que os sintomas persistam, com o objetivo de avaliar a criança e ajudá-la a superar os seus medos, facultando estratégias que possibilitem um desenvolvimento saudável.

Os medos podem ser reais ou imaginários, os mais frequentes são:

Até aos 6 meses - medo de luzes e ruídos fortes, receio de perder o aconchego;  
Dos 6 aos 12 meses – medo de desconhecidos, receio da criança em se separar dos pais;
Até aos 2 anos – A criança mantém o medo de separação dos pais e de ser abandonada, receio de estar em sítios desconhecidos, medo de animais;
Entre os 3 e 4 anos – Medo de máscaras e do escuro, continua a sentir receio em se separar dos pais e a ter medo de animais;
Aos 5 anos – Medo de ladrões, mantém receio de separação dos pais e a ter medo de animais;
6 anos -  Medo de monstros, bruxas, do escuro, trovoadas  e de ficar ou dormir sozinho. Continua o receio de separação dos pais;
Entre os 7 e 8 anos – Medo do escuro, medo quando vê alguns filmes ou notícias trágicas, medo de seres sobrenaturais, mantém o temor em ficar sozinho.
Dos 9 aos 13 anos – Medos relacionados com a morte, receio das discussões dos pais, medos sobre ocorrências na escola, receio sobre a sua aparência física.

Em caso de a criança sentir determinados medos fora do período considerado normal, é importante ser realizada uma avaliação quando: 

1.Os seus medo forem constantes e excessivos;
2.As reações da criança possam comprometer as suas actividades diárias;
3.Causam sofrimento à criança e os seus sintomas preocupam os pais;
4. Não existe razão aparente para os seus medos.

Como ajudar a lidar com o medo?

*Quando os pais têm de se separar fisicamente da criança, devem incentivá-la a escolher um brinquedo, um peluche ou uma mantinha para levar com ela. Estes objetos transmitem-lhes segurança, por proporcionar em à criança a representação mental das figuras de referência.

*Os pais devem ser afetuosos e manter uma postura tranquila com a criança nos momentos de separação.

*Ajudá-la a entender que existe um tempo para tudo. Há momentos em os pais podem estar com os filhos, mas existem outros em que têm de ir trabalhar e que não podem estar presentes, mas que voltam, logo que possível para brincar com ela.

*Conceda-lhe espaço, para poder expressar-se livremente. Dê importância aos seus sentimentos e opiniões, tudo isso, proporciona-lhe sentimentos de segurança;

*responsabilize-a quando não realiza as tarefas/atividades da sua competência ou quando não cumpre as regras. Mas não esqueça de a elogiar sempre que as executa. Permitindo assim, que a criança desenvolva melhor consciência das suas atitudes aumente a sua autoestima e autoconfiança;

*Desenvolva a sua capacidade de iniciativa e a autonomia, sempre que possível pergunte-lhe o que gostava de fazer ou como pensa resolver determinada situação;

*A criança deve ter rotinas, o seu quarto deve estar organizado de forma harmoniosa e oferecer segurança.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento, reduzem as consequências inerentes neste tipo de perturbação e, consequentemente proporcionam melhor qualidade de vida, não só à criança como aos próprios pais.

* ver artigo - Medos dos 6 meses aos 13 anos

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Pré-diagnóstico de Dislexia


Se pensa que a criança tem dislexia, faça o pré-diagnóstico dos 5 aos 8 anos. Estas perguntas são indicativas de um eventual caso de Dislexia, não substitui uma avaliação efetuada por um profissional. 

1- Apresenta problemas significativos na leitura, em relação às crianças da mesma idade?

Sim___  Não___

2 - Lê devagar e de forma silabada, com muita dificuldade em dividir as palavras em sílabas?

Sim___  Não___

3 - Comete erros frequentes na leitura, omite ou adiciona letras ou palavras ou saltas linhas?

Sim___  Não___

4 - Na escrita dá muitos erros ortográficos? E mesmo depois da criança os retificar, ainda descobre erros?

Sim___  Não___

5 – Na escrita mostra dificuldade em distinguir letras, tais como, f/v; p/b; p/t; v/z; b/d; p/t; v/z; b/d; b-v; s; f-t; m-n; f-v; g-j; ch-x; x/ch-j ?

Sim___  Não___

6 - A compreensão dos textos é difícil, precisa de os ler mais do que uma vez para os perceber o conteúdo?

Sim___  Não___ 

7 – Revela dificuldades em ler palavras mais difíceis?

Sim___  Não___

8 – Evita ler em voz alta?

Sim___  Não___

9 - Tenta evitar todos os momentos de leitura ou atividades relacionadas com a leitura e escrita?

Sim___  Não___

10 – Manifesta dificuldade em exprimir ideias e em organizar frases ou textos?

Sim___  Não___

11 - Utiliza vocabulário pouco diversificado ao escrever?

Sim___  Não___

12 – Revela dificuldades em operações matemáticas, sobretudo na multiplicação?

Sim___  Não___

13 – Manifesta dificuldade na organização espacial?

Sim___  Não___

14 - Dificuldade em memorizar canções, rimas, dias da semana, meses do ano ou a tabuada?

Sim___  Não___

15- Revela dificuldades em manter a atenção,  distraindo-se com facilidade?

Sim___  Não___

16- Dificuldade em aprender línguas estrangeiras, especialmente inglês?

Sim___  Não___

17 - Não gosta de ir à escola, expressa desmotivação relativamente aos conteúdos escolares ou baixo rendimento escolar?

Sim___  Não___

18 - A criança fica ansiosa e mostra receio se tiver de ler em voz alta, perante pessoas pouco familiares?

Sim___  Não___

Se respondeu afirmativamente a várias das perguntas do pré-diagnóstico ou existe alguma dúvida sobre as dificuldade de aprendizagem, consulte o mais rápido possível um profissional, para diagnosticar as dificuldades do seu filho.

Existem alguns sinais de Dislexia que ocorreram durante a infância e muitas dificuldades, no início da aprendizagem da leitura e escrita que não podem ser negligenciadas. No caso de existirem, deve ser realizado um pré-diagnóstico para as identificar e ajudar a criança a desenvolver tais competências. 


O diagnóstico conclusivo de Dislexia só deve ser realizado no fim 2º ano de escolaridade, porque as dificuldades na fase inicial da aprendizagem antes dos 7 anos, são muitas vezes frequentes. 

Compartilhe este artigo, pode fazer diferença na vida de alguém!

Maria Pascoal

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Dislexia


Dislexia = Dis (dificuldade; separação) + lexia (léxico; palavra)  = Dificuldade com as palavras.
A Dislexia é uma perturbação de aprendizagem da leitura e escrita, apesar da criança apresentar uma inteligência normal ou superior e de não existirem perturbações sensoriais ou neurológicas. Esta perturbação não está relacionada com o tipo de educação ou com o método de ensino.
É uma perturbação da precisão ou fluência da leitura de palavras, existindo uma fraca competência ortográfica, que se apresenta na dificuldade em adquirir o mecanismo da aprendizagem da leitura e escrita, resulta de um défice na componente fonológica da linguagem. As crianças não conseguem associar corretamente os fonemas (sons) aos grafemas (letras).
A Dislexia tem tratamento?
Não, a Dislexia é uma doença que permanece durante toda a vida. É importante por isso que o seu diagnóstico seja realizado precocemente, para ajudar a criança a lidar com as suas dificuldades, quando começa a ler e a escrever. 
A dislexia é frequente em crianças? 

A dislexia é uma perturbação de aprendizagem que influencia a leitura e a escrita, originando baixo rendimento escolar. Estima-se que mundialmente afete entre 5 a 17% da população, sendo mais frequente em meninos.

Quais são os sinais a ter em conta na dislexia?

A criança com dislexia apresenta dificuldades significativas na leitura e na escrita. Ocorrência de incorreções de palavras ao ler, dificuldades na compreensão dos textos, fluência e velocidade da leitura abaixo do esperado para a sua idade, dificuldades na construção de frases com muitos erros ortográficos. Troca letras, omissões, substituições de letras e silabas, caligrafia irregular, entre outros.
A criança que revela dificuldades na leitura e escrita é disléxica?
Não, existem outras perturbações que podem comprometer a aprendizagem da leitura e escrita. É por esse motivo importante, diagnosticar se a criança tem outro tipo de problemas que possam estar a influenciar a aprendizagem, tais como, visão, audição, existência de deficit de atenção, problemas cognitivos ou emocionais. Mas, é verdade que toda a criança com dificuldade na leitura e na escrita é Disléxica. 
Quais os sinais frequentes na Infância?
*Atraso na linguagem – A criança diz as primeiras palavras e constrói frases mais tarde do que é comum.
*Problemas na linguagem – A sua linguagem é abebezada e tem dificuldades em dizer alguns sons.
*Não repara nos objetos por onde passa tropeçando e caindo com frequência.
*Dificuldades na memorização de canções infantis, rimas e lengalengas.

Como diagnosticar a Dislexia?
A avaliação da Dislexia deve ser elaborado por psicólogos, neuropsicólogos ou neuropediatras. É necessário verificar se na família da criança, existem casos de Dislexia,   dificuldades de aprendizagem ou se durante o desenvolvimento da criança surgiram algumas situações que expliquem tais dificuldades.

Existe algum tratamento para a dislexia?
As crianças com Dislexia devem ser acompanhadas por profissionais com esse tipo de formação. Não existe nenhum método de reabilitação eficiente. O acompanhamento deve ser estruturado especificamente para determinada criança, tendo como objetivo, não a sua cura, uma vez que a Dislexia é uma perturbação de aprendizagem permanente que persiste até a idade adulta, mas quanto mais rápida for a intervenção, melhor será o desempenho da criança na escola.

Quando se pode ter a certeza que a criança é disléxica?
Existem alguns sinais de Dislexia que ocorreram durante a infância e muitas dificuldades, no início da aprendizagem da leitura e escrita que não podem ser descuradas. Tais dificuldades devem ser precocemente avaliadas, no entanto, o diagnóstico conclusivo de Dislexia só deve ser realizado no fim 2º ano de escolaridade.

Quais os sinais de Dislexia em idade escolar?
*Problemas de lateralidade, confunde constantemente a esquerda com a direita;
*Dificuldades na leitura e escrita: demora muito tempo a memorizar as letras, apresenta muita dificuldade a ler e a escrever;
*Nas atividades que requerem destreza manual, o seu desempenho é desastroso;
*Leitura silabada, com dificuldade em dividir as palavras em sílabas e fonemas;
*Leitura com muitas incorreções, saltando palavras ou linhas;
*Fluência da leitura significativamente abaixo do esperado para a idade e nível escolar;
*Enorme dificuldade na descodificação grafema-fonema e leitura automática de palavras, como por exemplo, biblioteca/bioteca, batata/bata, livraria/livro....
*Omite ou adiciona letras e sílabas (ex: famosa-fama; casaco-casa; livro-livo; batata-bata; biblioteca/bioteca;
*Troca letras com sons idênticos, tais como por exemplo: f/v; p/b; p/t; v/z; b/d; b-v; s; f-t; m-n; f-v; g-j; ch-x; x/ch-j…
*Pode escrever letras em espelho;
*Quando a criança lê sozinha tem dificuldade em compreender e interpretar os textos, no entanto, se os mesmos textos forem lidos oralmente por outra pessoa a sua compreensão é normal;
*Na escrita comete muitos erros ortográficos;
*Tenta evitar todos os momentos de leitura ou atividades relacionadas com a leitura e escrita;
*A sua caligrafia é irregular, disforme e a letra aparece muitas vezes rasurada;
*Dificuldade em exprimir ideias e em organizar frases ou textos, utilizando pouco vocabulário ao escrever;
*Problemas de atenção, a criança distrai-se com muita facilidade;
*Demora muito tempo a fazer os trabalhos de casa. A criança sente-se rapidamente cansada;
*Ritmos de aprendizagem divergentes – Em determinados períodos a criança consegue acompanhar a matéria lecionada, noutros não consegue, dando muitas vezes a impressão de ter esquecido o que aprendeu;
*Dificuldade em recordar e processar informações verbais;
*Dificuldade em aprender uma língua estrangeira, principalmente Inglês;
*Dificuldade em efetuar tarefas diferentes e sequenciais;
*Demonstra pouco interesse em realizar as atividades escolares;
*Os resultados nas avaliações são inferiores à sua capacidade intelectual.

Estes sinais não precisam de se verificar todos em simultâneo para que seja diagnosticada uma Dislexia. As dificuldades apresentadas pela criança, sugerem a possibilidade de um possível diagnóstico de Dislexia, sendo necessário analisar quais as razões para tais dificuldades.

Como os pais podem ajudar?
Os pais devem estar atentos aos sinais frequentes na infância e no início da escolaridade, nomeadamente, em caso de existirem dificuldades significativas, no momento em que as crianças iniciam a aprendizagem da leitura e escrita. Nesse caso, devem procurar um profissional para efetuar um diagnóstico precoce. Avaliar as suas dificuldades, permite ajudá-la a desenvolver estratégias adequadas, por forma a promover competências, minimizando deste modo, o impacto destas limitações no seu desenvolvimento e consequentemente na sua vida futura.
É importante não diferenciar, estigmatizar ou superproteger a criança, mas motivá-la a trabalhar, por forma a minimizar suas dificuldades.

Em suma, a Dislexia é uma perturbação de aprendizagem da leitura e escrita, não está relacionada com desatenção, falta de motivação, problemas cognitivos ou emocionais. Ocorre em crianças com inteligência normal ou superior e permanece durante a vida adulta.