Mostrar mensagens com a etiqueta memória. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta memória. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de março de 2015

Como melhorar a concentração?





A Falta de atenção e concentração são as queixas mais frequentes, de pais e professores.

Estas dificuldades, estão muitas vezes relacionadas com a pouca motivação para as matérias escolares e com o tipo de ambiente em que o estudo decorre.

Existem vários fatores que podem influenciar a aquisição da aprendizagem: os pensamentos da criança, estão muitas vezes, direcionados para outro tipo de problemas, tais como, conflitos com um colega ou com um familiar, estar ansioso com o teste que vai ter a seguir, a preocupação com um familiar que está doente, o barulho na sala de aula algo que impede a sua concentração. Sendo necessário avaliar o que está a comprometer a aprendizagem da criança. 

A atenção e a concentrado são indispensáveis para assimilar a matéria. Mas, como se pode ter motivação para estudar se as crianças muitas vezes nem sabem a melhor forma de o fazer, ou seja, perceber qual é o método para memorizar as aprendizagens, para conseguir melhor rendimento e menor cansaço. Sempre que se evidenciem sinais de cansaço. é preferível fazer intervalos para descansar, por forma a melhorar o processo de memorização. 

As estratégias que devem ser utilizadas no estudo e que facilitam a memorização:

- Perceber a que horas é melhor estudar. Às vezes é preferível a criança estudar pouco tempo, mas no tempo em que está a estudar, deve-se reforçar a atenção- ir fazendo intervalos quando sente cansaço; 
- Antes de decorar qualquer matéria, é essencial que a criança compreenda as temáticas;
- Perceber como é que a criança estuda melhor, se é a fazer resumos, a ler em voz alta, fazer esquemas ou a sublinhar a matéria;
- Pedir a alguém para lhe fazer perguntas ou fazer fichas após ter estudado uma determinada matéria, é importante para que assim perceba, o que lhe falta estudar melhor; 
- Organizar as matérias por dias de estudo, não estudar só quando há testes e, assim tem tempo para esclarecer as dúvidas com o professor;
- Organizar o estudo com tópicos, nas matérias segundo a sua importância. Perceber quais os conteúdos a que o professor deu mais importância na sala de aula;
- Usar mnemónicas para simplificar a assimilação da matéria, isto é, criar palavras ou frases com as primeiras letras de cada palavra chave – método estudo que consiste numa mnemónica - P.L.E.M.A - Pré-leitura; Leitura; Esquematização; Memorização; Autoavaliação.

Método P.L.E.M.A:
1) Pré-leitura - Ler a matéria toda de forma rápida para ficar com uma noção geral do tema;
2.) Leitura mais aprofundada com muita atenção da matéria, anotando ou sublinhando as coisas mais importantes;
3.) Esquematização – fazer um resumo ou esquema da matéria para facilitar a memorização;
4.) Memorização – Separar a matéria por títulos importantes para ajudar a reter o que se estudou;
5.) Autoavaliação – Recapitular a matéria, seja oralmente ou escrever o que se estudou por temas. Ficando assim, com melhor consciência, não só do que sabe, mas do que lhe falta estudar melhor.

Condições fundamentais para criar o local de estudo:

*Juntar o material que vai precisar para estudar; 
*Arranjar um local em casa para realizar os T.P.C`S e estudar, onde não tenha nada para a fazer ou distrair ex. T.V. ligada, pessoas a entrar/sair ou a conversar;
*Ter boa luz e uma cadeira confortável.

sexta-feira, 20 de março de 2015

O uso do teclado afecta a escrita


Uma pesquisa americana sugere que o uso excessivo de teclados e ecrãs sensíveis ao toque ao invés de escrever à mão, com lápis e papel, pode prejudicar o desenvolvimento das crianças.
A neurocientista cognitiva Karin James, da Universidade de Bloomington, nos EUA, estudou a importância da escrita à mão para o desenvolvimento do cérebro da criança.
Para chegar à conclusão de que teclados e telas podem prejudicar este desenvolvimento, a invetsigadora estudou crianças que ainda não sabiam ler - que poderiam ser capazes de identificar letras mas não sabiam como juntá-las para formar palavras.
No estudo, as crianças foram separadas em grupo diferentes: um grupo foi treinado para copiar letras diferentes enquanto outras trabalharam com as letras usando um teclado.
A pesquisa testou a capacidade destas crianças de aprender as letras; mas os cientistas também usaram exames de ressonância magnética para analisar quais as áreas do cérebro que eram activadas e, assim, tentar entender como o cérebro muda enquanto as crianças se familiarizavam com as letras do alfabeto.
O cérebro das crianças foi analisado antes e depois da experiência e os cientistas compararam os dois grupos diferentes, medindo o consumo de oxigénio no cérebro para mensurar a sua actividade.
Os pesquisadores descobriram que o cérebro responde de forma diferente quando aprende através da cópia de letras à mão de quando aprende as letras digitando-as num teclado.
As crianças que trabalharam copiando as letras à mão mostraram padrões de activação do cérebro parecidos com os de pessoas alfabetizadas, que podem ler e escrever. Este não foi o caso com as crianças que usaram o teclado.
O cérebro parece ficar «ligado» e responde de forma diferente às letras quando as crianças aprendem a escreve-las à mão, estabelecendo uma ligação entre o processo de aprender a escrever à mão e o de aprender a ler.
«Os dados do exame do cérebro sugerem que escrever prepara um sistema que facilita a leitura quando as crianças começam a passar por este processo», disse James.
Além disso, desenvolver as habilidades motoras mais sofisticadas necessárias para escrever à mão pode ser benéfico em muitas outras áreas do desenvolvimento cognitivo, acrescentou a pesquisadora.
As descobertas da pesquisa podem ser importantes para formular políticas educacionais.
«Em partes do mundo há uma certa pressa em introduzir computadores nas escolas cada vez mais cedo, isto (esta pesquisa) pode atenuar (esta tendência)», disse Karin James.
Notícia publicada dia 20/3/2015 no díáriodigital 

Crianças que sentem medo de se separar dos pais?


Porque sentem as crianças medo da separação dos pais?

O medo e a ansiedade de separação, fazem parte do desenvolvimento normal da criança, mas muitas sentem grande ansiedade de separação, porque se sentem sós quando os seus pais ou alguém afetivamente importante, ou seja, as suas figuras de referência não estão próximas da criança, mesmo nos momentos em que estão na presença  de outras pessoas, sentem-se perdidas e sozinhas.   

A criança necessita de ter a representação mental dos pais, de ter construído a sua imagem interna, para conseguir imaginá-los, quando os mesmos não podem estar presentes fisicamente. Para isso, a criança precisa de ligações afetivas fortes e significativas para construir essa representação e, aos poucos ir explorando o mundo que a rodeia.

O medo de se separar dos pais ou de outra figura afetiva significativa, não deve ser encarado por si só como indicador de patologia emocional, porque isso faz parte do normal desenvolvimento da criança. Mas, é esperado que os seus medos desaparecerão à medida que a criança cresce. Contudo, pode evoluir para uma perturbação da Ansiedade de separação, no caso de a criança apresentar ansiedade ou reações de medo atípicos, em função do estádio em que se encontra e comprometa o seu desenvolvimento saudável de adaptação.

Como se caracteriza a Perturbação da Ansiedade de Separação?

As crianças com perturbação da ansiedade de separação, estão constantemente a requerer atenção, manifestam angústia e medo intenso, tanto de separação como com a ideia de separação das figuras de referência. São indicadores desta perturbação, o medo em estar sozinha, dificuldades no sono, receio de ir para a escola e dificuldades de interacção social. Estima-se que existem cerca de 1 a 5% de crianças com este tipo de perturbação.

A ansiedade de separação infantil tem maior incidência entre os 5 e os 12 anos de idade
É importante diagnosticar este tipo de perturbação sempre que os sintomas persistam, com o objetivo de avaliar a criança e ajudá-la a superar os seus medos, facultando estratégias que possibilitem um desenvolvimento saudável.

Os medos podem ser reais ou imaginários, os mais frequentes são:

Até aos 6 meses - medo de luzes e ruídos fortes, receio de perder o aconchego;  
Dos 6 aos 12 meses – medo de desconhecidos, receio da criança em se separar dos pais;
Até aos 2 anos – A criança mantém o medo de separação dos pais e de ser abandonada, receio de estar em sítios desconhecidos, medo de animais;
Entre os 3 e 4 anos – Medo de máscaras e do escuro, continua a sentir receio em se separar dos pais e a ter medo de animais;
Aos 5 anos – Medo de ladrões, mantém receio de separação dos pais e a ter medo de animais;
6 anos -  Medo de monstros, bruxas, do escuro, trovoadas  e de ficar ou dormir sozinho. Continua o receio de separação dos pais;
Entre os 7 e 8 anos – Medo do escuro, medo quando vê alguns filmes ou notícias trágicas, medo de seres sobrenaturais, mantém o temor em ficar sozinho.
Dos 9 aos 13 anos – Medos relacionados com a morte, receio das discussões dos pais, medos sobre ocorrências na escola, receio sobre a sua aparência física.

Em caso de a criança sentir determinados medos fora do período considerado normal, é importante ser realizada uma avaliação quando: 

1.Os seus medo forem constantes e excessivos;
2.As reações da criança possam comprometer as suas actividades diárias;
3.Causam sofrimento à criança e os seus sintomas preocupam os pais;
4. Não existe razão aparente para os seus medos.

Como ajudar a lidar com o medo?

*Quando os pais têm de se separar fisicamente da criança, devem incentivá-la a escolher um brinquedo, um peluche ou uma mantinha para levar com ela. Estes objetos transmitem-lhes segurança, por proporcionar em à criança a representação mental das figuras de referência.

*Os pais devem ser afetuosos e manter uma postura tranquila com a criança nos momentos de separação.

*Ajudá-la a entender que existe um tempo para tudo. Há momentos em os pais podem estar com os filhos, mas existem outros em que têm de ir trabalhar e que não podem estar presentes, mas que voltam, logo que possível para brincar com ela.

*Conceda-lhe espaço, para poder expressar-se livremente. Dê importância aos seus sentimentos e opiniões, tudo isso, proporciona-lhe sentimentos de segurança;

*responsabilize-a quando não realiza as tarefas/atividades da sua competência ou quando não cumpre as regras. Mas não esqueça de a elogiar sempre que as executa. Permitindo assim, que a criança desenvolva melhor consciência das suas atitudes aumente a sua autoestima e autoconfiança;

*Desenvolva a sua capacidade de iniciativa e a autonomia, sempre que possível pergunte-lhe o que gostava de fazer ou como pensa resolver determinada situação;

*A criança deve ter rotinas, o seu quarto deve estar organizado de forma harmoniosa e oferecer segurança.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento, reduzem as consequências inerentes neste tipo de perturbação e, consequentemente proporcionam melhor qualidade de vida, não só à criança como aos próprios pais.

* ver artigo - Medos dos 6 meses aos 13 anos

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Criança irrequieta ou hiperactiva?



A dificuldade em manter a atenção seja na escola ou nas suas atividades diárias, pode ser desesperante, não só para os professores e pais, mas também para a própria criança.
A desatenção tem consequências negativas no seu desempenho escolar, nas suas relações interpessoais e na própria perceção da criança, ao longo do seu crescimento. Por esse motivo deve ser avaliada, por forma a ser auxiliada a ultrapassar essa sua dificuldade.
Motivos para a falta de atenção da criança: alterações bruscas na vida da criança; sofrer de ansiedade; conflitos com os colegas; problemas de aprendizagem.    
1. As crianças com problemas de atenção sentem-se diferentes das outras crianças.

2.Fortaleça a autoestima da criança. O seu sentimento de inferioridade nas crianças com dificuldades de atenção é mais elevado. Mostre o quanto o ama e que aceita as suas fragilidades, mas que reconhece as suas competências.
  
3. Mantenha-se tranquilo, nunca grite com a criança, isso só a prejudica, aumentando ainda mais a dificuldade em prestar atenção.

4. Evite ser controlador e dar várias indicações de uma só vez.

5. Tente reunir-se com o professor responsável, para perceber quais as dificuldades que a criança tem na escola. Faça com que a criança sinta que está ao seu lado para a ajudar a ultrapassar as dificuldades.

6. Estimule a criança a simplificar tarefas complexas. Assim a sua motivação aumenta ao atingir pequenos sucessos, evitando tentar realizar algumas tarefas, sem ter medo de fracassar.

7. Organize uma lista de tarefas, valorizando a criança à medida que termine determinada tarefa. Os elogios estimulam a criança a realizar novas tarefas.

8. Auxilie a criança nas suas dificuldades, mas nunca faça as atividades por ela. Só deste modo irá ultrapassar os obstáculos com que se depara. 

9. Não crie na criança expectativas irrealistas, tenha em conta as suas fragilidades e limitações.


10. Incentive-a a lidar com as adversidades. A criança com défice de atenção, tendencialmente desiste com alguma facilidade ao percecionar insucesso em determinada tarefa, pela sua dificuldade ao lidarem com a frustração.

Avaliar a criança é muitas vezes necessário para se perceber quais os motivos da sua desatenção. Os benefícios de ter ajuda profissional nesta área, promove a estimulação da atenção e ajuda a criança a descobrir novas estratégias que lhe permitam estudar de forma mais atenta e eficaz. Evita insucessos, frustrações, desinteresse, no momento em que se descobre como a criança pode obter melhor rendimento escolar. 

É recomendável a criança adquira o mais cedo estas competências, ajudando a sentir maior sucesso.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Lidar com o fracasso


Lidar com os fracassos difunde os Sucessos

                                                                     




A dificuldade em lidar com os fracassos escolares, aumentam a possibilidade das crianças reforçarem o medo e a ansiedade, desencadeando outro tipo de emoções, tais como: desespero, culpabilização, inaptidão que contribuem para agravar a visão das consequências, ou seja, passam a exagerar as suas falhas/erros, exemplos evidentes disso é quando vão realizar um teste e, entrarem na sala dizem "vou esquecer-me de tudo o que estudei" ou "quando for a minha vez de apresentar o trabalho não vou conseguir dizer nada", "acho que estou a ficar com uma branca",  entre outras. 

Em alturas em que recebem uma negativa baixa numa avaliação, começam a pensar que tudo o que se andou a estudar foi uma perda de tempo, que era melhor não terem estudado, o seu sentimento de derrota é tão intenso que perdem a vontade de continuar a estudar para os restantes testes. 

O seu grau de sofrimento aumenta à medida da inexperiência em determinada situação. Quando se faz por exemplo um exame final pela primeira vez e a avaliação é negativa, o grau de sofrimento  acentua-se, pensando que não vai conseguir passar nenhum exame. E, no momento em que vai realizar o exame seguinte a ansiedade é tão elevada que efectivamente não lhe permite ter a mesma fluidez de ideias.

As expectativas de sucesso muito acima das suas capacidades também influenciam o próprio insucesso e aumentam o sentimento de fracasso e o sofrimento em situações posteriores. Contribuindo para colocarem em duvida permanentemente, as suas reais capacidades, a experienciar sentimentos de insegurança e, a aumentar o grau de ansiedade. Todos estes sentimentos associados aos fracassos podem afectar a percepção equilibrada dos resultados. Consequentemente, à medida que atribuem maior valor aos insucessos, diminui o valor atribuindo aos sucessos. 


Estratégias para lidar com o fracasso:

. Ter períodos estruturados para estudar, para descansar e para se distrair. Todos os momentos são importantes para a interiorização das aprendizagens;

. Numa fase consecutiva de testes, por exemplo no fim do ano lectivo, perceber e aceitar que as crianças têm menor motivação e empenho ao estudarem, derivado do cansaço referente ao ciclo- Estudar, aulas, testes, estudar, testes…

- Entender que a criança não tem de gostar e demonstrar o mesmo interesse em todas as matérias, às sempre algumas em que terá maior dificuldade;

.Valorizar as avaliações positivas e, elogiar o seu empenho no estudo para esses testes e mesmo quando tem negativa, quando a criança se esforçou mas, mesmo assim não conseguiu, é igualmente importante dar-lhe uma palavra de conforto;

- Evitar por exemplo que a resultados de 49% não se atribua o mesmo valor de 50%, o seu sentimento de insucesso diminui;

- Se existe frequentemente muita dificuldade em lidar com a frustração e que isso não comprometa o seu empenho ou os seus resultados escolares e, a criança manifestar sofrimento em lidar com o insucesso, procure ajuda psicológica para trabalhar e ultrapassar esta situação, por forma a não ficar com essa visão deturpada ainda mais vincada e afecte o percurso escolar posteriormente.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

TDAH é um transtorno biológico-neurológico?




Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?

Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmementeestabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?TDAH é um transtorno biológico-neurológico? 

Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de se morar em França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.

Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.

Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.

A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.

E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.

A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre - que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. 

Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.

Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Bullying






Bullying são actos de violência físicos ou psicológicos, repetidos individualmente ou em grupo, causando sensações de desesperança, impotência, dor e angústia. Ser vítima de bullying é uma experiência extremamente dolorosa e humilhante e, deixa marcas na pessoa para o resto da vida.

Os actos são praticados numa relação de poder desigual, onde o agressor humilha e intimida a vítima, como forma de se impor física e psicologicamente, e de se sentir superior.

Este tipo de agressões ocorre geralmente em locais escondidos, sendo por esse motivo difíceis de descobrir. E, as características de personalidade das vitimas, tais como baixa auti-estima, timidez e medo das consequências dos seus actos e da reação dos bullies (autores de bullying), fazem com que tenham uma postura passiva e, não reajam perante os bullies, nem partilhem com ninguém as agressões sofridas pela vergonha que sentem e adianta pouco dizer-lhes para reagirem ou para não terem medo.

Nestas situações, o melhor é estar atento aos sinais e a pedir ajuda especializada para minimizar os efeitos do bullying.

Sinais que podem ajudar a perceber se está a ser vítima de Bullying:

Alterações no humor;
Ataques de fúria;
Auto-agressão;
Poucos amigos;
Dificuldades de atenção;
Inquietude corporal;
Fúria intensa;
Muito impaciente;
Mais introspectivo;
Diminuição dos resultados na escola;
Queixas psicológicas ou físicas tais como, dor de cabeça, de estômago, cansaço e, irritabilidade frequentes.

Sugestões aos educadores:

1. Converse com a criança e tente perceber o que está a acontecer e, transmita-lhe apoio incondicional.

2. Envolva a escola se for o caso, na procura de uma resolução e identifiquem os "bullies"-autores de bullying.

3. É importante procurar ajuda especializada para minimizar os efeitos do bullying e procurar soluções para terminar com este tipo de agressões.



Segundo a Notícia publicada no Jornal de Notícias de 22 de maio de 2015, Os casos de bullying nas escolas “muito superiores aos oficiais”
O número de estudantes envolvidos em casos de ‘bullying’, em Portugal, é “muito superior” ao das estatísticas oficiais e pode ser superior a 240 mil, defendeu esta sexta-feira a investigadora Susana Carvalhosa.
A responsável, do Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, falava hoje num seminário sobre “Estratégias e medidas de prevenção de bullying e do cyberbullying”, que decorreu em Lisboa.
“Os estudos indicam que um em cada cinco estudantes está envolvido diretamente em alguma situação de ‘bullying'”, os números dos serviços especializados são muito mais baixos e as estatísticas oficiais ainda mais, disse a investigadora.
E acrescentou: Dados de 2014, sobre a segurança na escola, indicam que os casos de ‘bullying’ foram 1.446; se fizermos a conta a todos os alunos das escolas poderíamos dizer que temos 241.000 alunos (20 por cento do total) envolvidos nessas situações.
“Se for um em cada cinco há muitas crianças a precisar da nossa ajuda”, advertiu a investigadora e professora do Departamento de Psicologia Social e das Organizações, do ISCTE.
O ‘bullying’ (situação de agressão, ameaça ou opressão praticada contra alguém), salientou a responsável, não acontece apenas em contexto escolar, mas também familiar, no trabalho, no bairro e até no país, porque “há países vítimas e países agressores”.
Perante mais de uma centena de participantes, Susana Carvalhosa explicou que, para que haja ‘bullying’, é preciso que haja uma intenção de provocar dano, que a ação se repita e que haja um desequilíbrio entre o agressor e a vítima. No mundo virtual, acrescentou, se alguém coloca, por exemplo, numa rede social, um vídeo humilhante, ainda que não coloque mais nenhum, é considerado ‘cyberbullying’, porque cada acesso ao vídeo reforça o comportamento agressor.
Baseando-se em investigações feitas pelo ISCTE, a responsável disse que a promoção da empatia leva a comportamentos de entreajuda, que os agressores têm por norma dificuldade em desenvolver empatia e que as vítimas “têm situações elevadas de ‘stress'”.
Começando por lembrar que o ‘bullying’ não é um fenómeno recente, embora se fale muito mais nele nos últimos anos, a investigadora disse que se fez na Faculdade um estudo com jovens adultos (25 a 35 anos), a quem se perguntou se passaram por situações de ‘bullying’. “O estudo aponta para que os que disseram que foram vítimas têm hoje menos autoestima”.
“Se não atuarmos, podemos estar a criar indivíduos que em adultos sofrem de insegurança”, salientou.
Para ajudar a prevenir o ‘bullying’, o ISCTE e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa estão a desenvolver um jogo para crianças chamado “StopBully”, que está ainda em construção e que estará disponível para telemóvel, computador e ‘tablet’.
Cátia Raminhos, da Faculdade de Ciências, e Maria de Jesus Candeias, do ISCTE, explicaram que a aplicação promove a empatia e destina-se a jovens, entre os 10 e os 12 anos, porque “os dados dizem que o pico de casos situa-se até aos 13 anos”.


Comunicar o divórcio aos filhos



Comunicar o divórcio aos filhos – Directrizes a ter em conta.

A decisão de se divorciar é sempre difícil, principalmente se existirem filhos. As mudanças, o começar tudo do zero é sempre muito angustiante. A incerteza do futuro e as mudanças que advêm afectam toda a dinâmica familiar. 

Nessas alturas, é possível que todos os envolvidos sintam culpa, raiva, melancolia, fracasso, entre outros, sendo necessário criar condições para que todo o processo decorra da melhor forma para todos, especialmente para as crianças que sofrem muitas vezes mais que os pais, chegando a sentirem-se culpados pela separação dos pais.

As crianças não reagem ou sofrem todas da mesma forma, o que influencia fortemente o seu sentir é sem dúvida o comportamento dos pais durante todo o processo de divórcio.  

Após a decisão de se divorciarem, os pais devem combinar todas as medidas a tomar, antes de falarem com os filhos, tais como, com quem ficam a morar, mudança de escola se for o caso, como as visitas irão decorrer, entre outras, para a criança sentir alguma segurança na sua mudança de rotinas. Reforçando que as mesmas sejam mantidas sempre que possível.

Comunicar aos filhos essa decisão, só quando existe certeza. Referir que a separação é definitiva e que os pais já não desejam viver juntos e, que eles não têm culpa nenhuma do seu divórcio.

Reforçar que os pais continuam a amá-los muito deles e que estarão sempre ao seu lado para os ajudar, mesmo vivendo em casas diferentes. 

Conversarem em família para explicar todas as dúvidas sobre as mudanças que irão acontecer, abordando todas as questões de modo sincero e verdadeiro.

Ter em conta que a compreensão do que é referido depende da idade da criança.

Comunicarem sem acusações e sem atitudes agressivas na frente das crianças. Nunca utilizarem os filhos como forma de atingir o outro progenitor, assim como em nenhum momento devem denegrindo imagem da mãe ou pai. E, não privar as crianças do contacto com qualquer um dos progenitores, porque com isso só prejudicam o seu bom desenvolvimento da criança.

Oferecer espaço às crianças para expressarem os seus sentimentos e opiniões. Estarem atentos para perceber o sentir e reagir das crianças em todo o processo de divórcio, através da sua comunicação verbal e não-verbal, tais como, sinais de tristeza, alterações de comportamento, birras mais frequentes, queixas de índole física, desinteresse escolar, etc.

O divórcio é entre os progenitores, não entre pais e filhos, como tal a atribuição de culpas e a resolução dos conflitos, devem ser resolvidos enquanto casal e nunca, mas nunca mesmo, as crianças devem ser envolvidas nesta luta, nem privados do contacto com o progenitor que não ficou com a custódia, porque isso só compromete o bom desenvolvimento das crianças. 

Como aumentar a autoestima e a autoconfiança?




A autoestima é o apreço ou valorização que a criança confere a si própriapermitindo-lhe ter confiança nos próprios actos e pensamentos.

A autoestima e a autoconfiança de uma criança são elementos decisivos para o seu sucesso futuro, tendo implicações tanto a nível do desempenho escolar como nos seus relacionamento interpessoais. 


Ao longo do crescimento da criança, é importante incluir alguns ingredientes indispensáveis para um desenvolvimento saudável, sendo essencial ajudá-lo, a fortalecer a sua autoestima e autoconfiança, por serem extremamente importantes na formação da sua personalidade.

O aumento da autoestima, ajuda a criança a sentir menos conflitos internos, a ser mais tranquila e organizada. Este equilíbrio aumenta a sua disponibilidade para a aprendizagem. Este é um dos melhores recursos que pode oferecer ao seu filho para que desenvolva as competências necessárias e ser bem sucedido no futuro.


De igual modo, quando  a criança possui autoconfiança, fica menos impulsiva e  torna-se mais responsável. Estas aptidões, contribuem para a melhoria do seu comportamento em geral. Incrementando os seus sucessos posteriores.

Como aumentar a autoestima e a autoconfiança do seu filho?
Uma boa autoestima é decisiva para o sucesso futuro da criança. Os pais por serem as suas figuras de referência, têm de estar atentos a tudo o que fazem ou dizem, por poderem influenciar a forma como a criança se vê a si própria. Nesse sentido, é importante ajudá-la a desenvolver tais competências.
Algumas sugestões que facilitam esse processo: 
-Elogie muito - Os elogios são extremamente importantes para a criança desenvolver uma boa auto-imagem e autoconfiança. 
Valorize o seu esforço – É importante valorizar sempre as suas habilidades e o bom desempenho, especialmente se a criança fez um esforço para alcançar determinado resultado. Reforçar os elogios quando faz algo bem, motiva a criança a manter as atitudes pelas quais é elogiada.  
Ajude a criança a decidir – Sempre que possível peça à criança para escolher, o que quer fazer e pergunte-lhe qual a sua opinião sobre questões simples, em vez de escolher/decidir por ela. Deste modo, estimula a sua independência e, facilita o desenvolvimento de sentimentos de confiança em si própria, principalmente ao nível da tomada de decisão.  
Dê-lhe espaço para se expressar – Quando a criança sente que os pais ouvem a sua opinião e a consideram relevante, aprende a acreditar mais em si própria e melhora a criatividade.
Encoraje a criança a experimentar – Todas as vivências contribuem para um desenvolvimento saudável. As experiências influenciam muito a sua personalidade, permitem que seja mais fácil identificar os seus gostos e preferências futuras.
Nunca compare a criança com outra criança – Todas têm aptidões e competências diferentes, umas são melhores numas atividades, mas outras têm melhor desempenho noutras, por isso nunca se devem ser comparadas. Assim, o mais importante é valorizar as competências em que se destaca e não vincar as dificuldades. Agir assim, contribui para consolidar a sua autoconfiança.  
Quando sentimentos da criança são ignorados, nunca pode desenvolver  capacidade de confiar em si própria e nas suas percepções. Estes sentimentos, ficam registados no seu mundo interno, desde a infância à idade adulta.

A importância das regras




As crianças para se desenvolverem de forma saudável precisam não só de amor, mas também de regras e limites. O amor é essencial para a criança ter auto-estima e autoconfiança, contudo, precisa igualmente de ter regras e limites para desenvolver auto-controlo.
Os pais devem ter o controlo nas suas mãos, mas muitas vezes não sabem como agir em determinadas situações, o importante é não ter receios em dizer “não” quando necessário. Os pais são os modelos para os filhos, sendo por esse motivo extremamente importante que as suas atitudes sejam verdadeiras e ponderadas.
É na família que a criança aprende as regras do comportamento, onde constrói os alicerces da sua educação e molda a sua personalidade. Essa educação reflecte-se em todas as suas relações interpessoais, não só enquanto criança mas em toda a sua vida futura, sendo por esse motivo, extremamente importante ter consciência da necessidade de dar não só amor, mas de estabelecer regras e limites às crianças para se tornarem adultos equilibrados ao terem esses referenciais educacionais. 
A criança precisa de regras e reage bem, se as mesmas forem simples, claras e poucas de cada vez, sem esquecer que devem ser adequadas á sua idade. A criança tem de perceber o que está certo ou errado, por forma a ter capacidade para as compreender. É importante ser firme na implementação dos limites e regras, mas sem ser demasiado inflexível. 
Nem sempre é fácil para os pais fazer cumprir regras, tendo o sentimento de estarem a ser maus para os filhos, chegando a sentir por vezes, um aperto no coração, mas é algo necessário, apesar dessa dificuldade, nunca devemos esquecer que esse esforço na aplicação de regras e limites, é benefício para a criança e terá reflexos muito positivos para um crescimento saudável. As crianças com regras e limites tornar-se-ão jovens mais confiantes e felizes.

É importante muitas vezes, negociar a imposição de regras com a criança, pedindo-lhe opinião sobre determinada situação ou qual será a consequência após determinado comportamento incorrecto. Desta forma, as exigências impostas são menos inflexíveis e rígidas, permitindo que sejam cumpridas com maior facilidade e com menor contestação. Assim ao envolver a criança nessa aplicação de regras, estimula ao mesmo tempo, a sua independência.  

Perceber o comportamento da criança é o segredo para impor limites!
7 passos para impor regras:
1.Falar com a criança em tom calmo;
2.Explique-lhe de forma inequívoca o que pretende que a criança faça;
3.Pergunte-lhe se percebeu a regra que estabeleceu;
4.Elucide a criança sobre consequências de não cumprir as regras;
5.Pode em algumas vezes perguntar à criança qual o castigo que merece se não fizer o que é suposto;
6.Não refira castigos que sabe antecipadamente que não pode ou não consegue cumprir;

7. Faça cumprir sempre os castigos!