Criança irrequieta ou hiperactiva?


Existe alguma dificuldade em distinguir o que é uma criança irrequieta ou hiperactiva. No entanto, existem muitas diferenças, entre o que causa inquietude ou agitação motora nas crianças. Entre o comportamento originado pela ansiedade, derivado de perturbações emocionais e o comportamento hiperactivo.

A criança é irrequieta quando apresenta uma excessiva actividade motora, mas consegue estar sossegada e atenta nos momentos em que realiza tarefas que lhe despertem interesse. A criança hiperactiva além da excessiva quantidade de movimentos, evidencia desatenção, mesmo em tarefas para as quais está motivada, não consegue parar quieta.

Em crianças hiperactivas, denotam-se também, problemas ao nível do sono, desde bebés que é notória uma grande agitação ao dormir. Apresentam frequentemente, atraso na fala e trocam letras, por um período maior que o normal. Estes sintomas, após a entrada na escola são determinantes no seu processo de aprendizagem.

A grande maioria dos casos de hiperactividade com predomínio de desatenção, é notória quando a criança entra para a escola, quando é necessário aumentar o seu nível de concentração. Na sala de aula, a criança não consegue estar atenta, sossegada e sentada no seu lugar, raramente finaliza as tarefas propostas, não lê com atenção as instruções, comete erros por desleixo e esquece regularmente o que lhe é pedido. É importante que estes comportamentos, não sejam confundidos com desobediência ou com dificuldades de compreensão.

As crianças evidenciam grandes dificuldades na organização de tarefas, distraem-se facilmente, evitando por esse motivo, actividades que requerem concentração. Perdem frequentemente material escolar ou artigos de uso pessoal que levam para a escola.

Em casa mesmo em actividades que gostam de fazer a agitação motora é constante. Não conseguem manter a atenção, cumprir regras, estar quieto e calado em actividades lúdicas. Não é capaz de ficar muito tempo, nem a ver televisão, nem no computador sem agitar os pés/mãos e/ou sem se remexer no lugar onde está sentado.

Estes comportamentos são evidentes em todas as actividades, independentemente do seu nível de motivação na realização das mesmas. 

Existem alturas na vida das crianças em que é frequente manifestarem alguma agitação motora ou dificuldades de atenção, tais como, o divórcio dos pais, a morte de um familiar, o nascimento de um irmão, entre outros. Nestas situações, a dificuldade em prestar atenção não está relacionada com um déficit de atenção, mas a um problema emocional que é normal e tende a passar. E, a agitação motora nesses períodos, é uma forma que a criança tem de reagir perante situações que causam ansiedade. 

O seu comportamento agitado é uma forma de descarregar a sua instabilidade interior, ou seja, é uma chamada de atenção para o seu sofrimento que a impede de estar sossegada.

Mas se os sintomas persistirem, por mais de 3 meses, é recomendável procurar um profissional especializado para avaliar a situação e identificar a origem do problema para perceber se a criança é irrequieta ou hiperactiva. Em ambas as situações é necessário intervir com a criança, família e escola.

Actualmente existem cada vez mais crianças a quem se atribuí o rótulo de hiperactivas ou de défice de atenção, a serem medicadas com fármacos desnecessariamente, porque muitos dos sintomas que originam esses comportamentos, não são devidamente avaliados para serem tratados da forma mais adequada. E, mesmo nos casos em que a criança sofre de hiperactividade e seja necessária toma de medicação, deve seguir um tratamento psicoterapêutico, por forma a reduzir ainda mais os seus sintomas.

A criança só deve ser medicada nas seguintes condições:

1. Existir deficit cognitivo e a criança não consiga aprender devido à sua falta de atenção, não obtendo rendimento escolar.



2. O comportamento da criança não seja adequado à sua idade cronológica e implique risco de ser excluída pelos colegas. 

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