domingo, 29 de março de 2015

Perturbação de oposição e desafio



A Perturbação de oposição e desafio – POD, pode ser caracterizada como, um padrão persistente de comportamentos desobedientes e desafiadores, apresentados pela criança nas suas relações interpessoais, especialmente com figuras de autoridade, tais como, pais e professores, mas também se manifesta com os seus pares.

É considerada POD, no caso de a criança ultrapassar os limites constantemente (sem ser considerado como “mau comportamento”) e se os sintomas persistirem pelo menos durante 6 meses, onde estão incluídas as seguintes atitudes:


1-Tem problemas frequentes na escola:

2-Perde facilmente o controlo;

3-Desafia os adultos constantemente;

4-Incomoda os outros intencionalmente;

5-Contesta e recusa-se  a cumprir regras;

6-Culpabiliza quase sempre os outros pelos seus erros;

7-Zanga-se facilmente é pouco paciente;

8-É vingativo e rancoroso;

9-Tem poucos amigos;

O comportamento desobediente, pode manifestar-se de várias maneiras, a criança não se comporta em função das regras, implicitamente já adquiridas ou apresenta dificuldade em obedecer aos adultos quando impõem determinada regra, isto é, parece que aceita a regra, mas depois revela muita dificuldade em cumprir as ordens impostas.


Os comportamentos apresentados podem surgir em casa, na escola ou em qualquer outro lugar, principalmente com os adultos mais próximos, como pais, avós, professores, tios. Mas, este tipo de comportamento não acontece com pessoas desconhecidas.


Estes comportamentos influenciam negativamente as suas interações sociais, especialmente com as crianças da mesma idade, pelos frequentes conflitos e discussões que ocorrem nas brincadeiras. Consequentemente, os colegas acabam por manifestarem sentimentos de rejeição pelas crianças que apresentam esta perturbação, o que contribui para diminuir a sua autoestima, pelo facto de ser muitas vezes colocada de parte.



Como lidar melhor com comportamentos opositores?

Em casa e na escola, os adultos sentem grande dificuldade em lidar com estes comportamentos e em gerir as suas próprias emoções, sendo por este motivo, ainda mais difícil, ensinar estas crianças a comportarem-se adequadamente. As crianças com POD precisam de ordens firmes, no entanto, nunca deve ser esquecida a sua grande necessidade de afeto.

Estratégias que ajudam a lidar melhor com as crianças:

1-Falar com tom de voz calmo e tranquilo – Evite irritar-se ou falar com tom de ameaça.

2-Dar ordens simples e concretas – Se der explicações complexas, a criança tem tendência para se dispersar quando a é mensagem transmitida. Deve dizer-lhe de forma especifica que comportamento espera da dela em determinada situação.

3-Utilizar linguagem simples e adequada à idade da criança – Garante melhor transmissão da mensagem.   

4- Estabelecer ordens de forma clara e assertiva – Na altura em que está a impor uma regra, transmita o que deseja de forma direta. Nunca pergunte à criança se quer ou não fazer determinada tarefa, quando pretender que seja executada.

5-Manter contacto visual – Aumenta a possibilidade de perceber que a criança entendeu o que lhe foi pedido. Solicitar à criança para repetir a ordem que lhe foi dada, ajuda-nos a ter certeza de que foi compreendida.

6-Os progenitores devem ter a mesma atitude – Se os pais têm atitudes diferentes em relação à criança ou se divergem de dia para dia, só confunde a criança e pode até utilizado para a criança manipular os pais.

7- Evitar impor regras antes do tempo – As ordens devem ser sempre que possível, referidas no momento em que têm de ser cumpridas, evitando também a antecipação do conflito.

8- Elogiar o comportamento da criança – Em todas as situações deve ser elogiado e reforçado o comportamento desejado. As crianças fazem de tudo para ter atenção e se têm essa atenção quando se portam bem, aprendem uma nova forma de ter atenção, aumentando a probabilidade de manter comportamentos adequados. Se a criança só tem atenção quando faz disparates, vai continuar a procurar atenção, mesmo que seja pela negativa e a manter comportamentos desadequados. Evite sempre que possível atitudes negativas.

9-Oferecer opção de escolha sempre que possível – Discriminar bem as opções e as consequências, permite à criança sentir maior responsabilidade da sua escolha. Explicar a causa-efeito ajuda a criança a desenvolver competências de autorregulação.

O meio ambiente exerce um poder muito grande sobre o emocional das pessoas em geral, sejam elas crianças ou adolescentes. 

Se os sintomas persistirem para além de um período superior a 6 meses ou se são muito violentos e intensos, procure um psicólogo para compreender o que se passa com a criança e evitar que esta perturbação não deixe sequelas no seu desenvolvimento.  A psicoterapia pode ser importante, não só para a criança aprender a lidar melhor com as emoções e minimizar as dificuldades na sua interação social, como para ajudar os pais a educar melhor uma criança com POD, por ser uma perturbação que além de ser difícil de lidar é muito desgastante.

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